
Cirith Ungol – “I’m Alive” (2019)
Metal Blade Records
#HeavyMetal
Para fãs de:Angel Witch, Omen, Witchfynde
Nota: 7,5
O ano é 1984 e lá vai o jovem aqui, recém adentrado no mundo maravilhoso do Metal, querendo descobrir todas as bandas e álbuns possíveis e imagináveis. Em tempos que nem se sonhava na existência da internet e as informações chegavam através das (poucas) publicações impressas da época, o negócio era ir nas lojas de discos e torcer para encontrar alguns lançamentos.
E em uma dessas garimpadas dei de cara com dois discos de uma banda chamada Cirith Ungol. Ambos os discos, a saber “Frost And Fire”(1981) e “King Of The Dead” (1984), foram lançados aqui simultaneamente e, reza a lenda, com as capas trocadas. A capa de um no disco do outro. Coisas de Brasil.
Mesmo naqueles tempos já existiam os “conhecedores” e “troozões”, e baseado nas opiniões deles, o Cirith Ungol foi taxado de a “pior banda de metal de todos os tempos”, entre outros “adjetivos” nada carinhosos. A arte das capas dos álbuns também ajudavam bastante nessa “teoria”. Vamos ser francos, realmente não mostravam nenhum bom gosto. Quem não conhece, de uma procurada e entenderá claramente o que eu disse. Mas, passados tantos anos, a história fica clara que não é bem assim como foi contada e o Cirith Ungol tem sim seu valor.
A banda americana da cidade de Ventura, Califórnia, foi formada em 1971 (!!!!) e nunca saiu do underground americano. Mesmo na época de ouro do metal, e apesar de toda essa idade, sua discografia é relativamente curta (4 álbuns de estúdio), muito devido a várias “mortes e ressurreições” da banda, bem como dezenas de alterações de formação. E em 2019, é lançado este trabalho ao vivo com o “original” título “I’m Alive” (na realidade trata-se do título de uma música da banda que consta no seu primeiro disco) porém faz todo o sentido ter esse título, primeiro por se tratar de um trabalho ao vivo e também para registrar que a banda continua viva e bem.
Gravado em performances no festival Up The Hammers Festival, em Atenas, em 2017, com alguns complementos dos Festivais Hammer of Doom e Rock Hard no mesmo ano, o álbum abrange faixas de todos os lançamentos da banda e conta com 3 dos membros originais: o guitarrista Greg Lindstrom , o baterista Robert Garven e o vocalista Tim Barker. Completam o time os guitarristas Jim Barraza e Jarvis Leatherby.
Para quem não conhece, o som da banda é Heavy Metal tradicional com toques de Hard Rock e um “quê” de Doom Metal. Na época relatada no inicio do texto, os detratores os chamavam de um “Sub-Black Sabbath” e acho que esse é o maior elogio que se pode fazer para uma banda. A produção está ótima e dá uma nova vida a boas músicas como a já citada “I’m Alive”, “Blood And Iron”, “Fallen Idols”, “Black Machine” e “Paradise Lost”, por exemplo. Esta revigorada nas composições realmente fazem o ouvinte ter vontade de seguir a audição do trabalho do início ao fim e prova que temos músicos e uma banda muito afiada e competente ao vivo, com uma performance muito enérgica.
O pacote é formado de dois CDs e um DVD e ao final da audição (não recebemos o DVD, infelizmente) fiquei impressionado e surpreendido positivamente com o que ouvi. Faço aqui um “mea-culpa” e um pedido de desculpas ao Cirith Ungol pelo descaso e até deboche que fiz/fazia da banda por todos esses anos. O Cirith Ungol é sim uma boa banda e merece nosso respeito. E esperemos agora por um novo álbum de estúdio para dar sequência a carreira da banda.
José Henrique





