Hipermenorrea
– “Medical Compendium” (2017)
Cemitério Records
Nota: 8,5
O “Pathological Goregrind” é levado às últimas consequências por três sujeitos que certamente foram expulsos da faculdade de medicina, mas querem mostrar relevância no necrotério. O odor nauseabundo de vísceras decompostas toma o recinto em “Medical Compendium”, mais novo tratado de medicina forense do Hipermenorrea.
Em um mar de acordes dissonantes, uma bateria que desafia os limites da integridade física e um vocal, segundo garantia dos próprios, totalmente isento de efeitos e distorção (não acho possível alguém produzir um som tão abominável só na garganta, mas se eles estão afirmando), o trio mexicano liquefaz nossas bulas timpânicas em composições que presam pela simplicidade, investindo muito mais no peso exacerbado do que em técnica, e convenhamos que, para um bom disco do gênero, o que menos interessa é erudição.
O ritmo reto e pouco variado pode cansar um pouco, mas “Medical Compendium” é tão breve que, quando você perceber, já colocou o disquinho de volta e já deixou seu balde de vômito estrategicamente posicionado. Talvez o único pormenor a ser trabalhado seja no volume das guitarras, que soam muito abafadas e frequentemente são encobertas pela cozinha e vocal, mas esse é um problema relativamente comum em formações do estilo.
Relevando esse mero detalhe, a diversão é garantida com “Subcutaneous Perfuration of Jejunum”, “Rupture of the Rectum Abdominis Muscle” e “Subcutaneous Retroperitoneal Duodenal Rupture”, porém, recomenda-se a pronta assepsia das mãos após o manuseio desse disco.
Programa perfeito para fãs de Lymphatic Phlegm (a versão para “Insalubrious Development of Multiple Endocrine Neoplasia” é um desfecho mais que adequado), Impetigo, Last Days of Humanity e outras tranqueiras.
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Ricardo L. Costa




