Tankard
– “One Foot In The Grave” (2017)
Nuclear Blast
#ThrashMetal
Nota: 9,5
E os cachaceiros mais queridos do Thrash estão de volta e em grande estilo, afinal, três décadas e meia de bons serviços prestados ao Metal não são pra meros amadores. Por isso, “One Foot In The Grave” tem um significado mais que especial. Não é apenas o mais novo disco da banda, mas sim uma marca a ser admirada e devidamente registrada na história do quarteto alemão.
A melhor banda de Thrash da Alemanha (sim, falei mesmo. Dá um pau lá nos outros três, que vocês sabem muito bem quem são!) tem um significado especial pra mim, afinal foi uma das primeiras formações do velho continente que conheci, e também pelo fato de nunca se levar à sério, abusando do humor ácido em letras pra lá de irreverentes.
“One Foot In The Grave” é um álbum previsível até a alma, mas é bom que seja assim, pois poucas bandas tem o dom de sempre fazerem o mesmo disco e continuarem relevantes, se readaptando dentro de seu próprio estilo. O besteirol etílico está um pouco mais comedido, com a banda apostando em alguns temas bastante sérios e pertinentes com a atualidade: exploração da fé (“Pay to Pray”), falsos boatos na internet (“Arena of the True Lies”, a melhor do álbum) e a devastadora guerra na Síria (“Syrian Nightmare”).
O abuso do álcool no decorrer dos anos parece ter tido um efeito reverso nos caras, pois o que a banda criou neste disco é algo de uma fúria e intensidade gigantescos. Além das já mencionadas, todas as outras composições são obras primas que poderiam estar presentes em qualquer outro disco do Tankard, tamanha a identidade presente em cada uma delas.
Tudo o que o fã deseja em um bom disco dos nobres cidadãos de Frankfurt ele terá: o vocal preservado em lúpulo e colesterol de Gerre, os riffs e acordes faiscantes de Andy (guitarra), e a cozinha massacrante de Olaf Zissel (bateria) e Frank (baixo). É o Thrash Metal autêntico prevalecendo sempre: pesado e raivoso, como só esses senhores sabem fazer e, ao contrário do que possa profetizar o título da obra, eles estão muito longe da cova.
Pois bem, fim-de-semana chegando e aqui vai uma dica: abra sua cerveja preferida, recoste-se em sua melhor poltrona, gire o botão do volume até travar e deguste “One Foot in the Grave” com gosto. A manhã seguinte será dolorosa, mas recompensadora!
Ricardo L. Costa





