Marty Friedman – “Wall Of Sound” (2017)
Prosthetic Records
#HeavyMetal, #NeoclassicMetal
Nota: 8,0
Fazia três anos que Marty Friedman não lançava um álbum. O último, “Inferno”, rendeu a mais recente passagem do músico pelo Brasil, onde se apresentou em locais diminutos para plateias tão diminutas quanto. Se isso, por um lado, reforça a tese de que heavy metal instrumental é tipo punheta — só é bom para quem toca —, por outro coloca Friedman num patamar diferenciado, rodeado por um séquito de ouvintes cuja percepção vai além das mil notas por segundo e que consegue apreciar as diferentes texturas e ambiências de um álbum, pra dizer o mínimo, ousado, como “Wall Of Sound”. Até saxofone, cortesia do sinistro Jørgen Munkeby, faz parte da mistura.
O título do álbum remete à famosa técnica de gravação desenvolvida por Phil Spector nos idos da década de 1960 que consiste na sincronização em camadas de vários instrumentos a fim de obter um som maciço e potente. E, se tem uma palavra que define o ataque sonoro das guitarras em “Wall Of Sound”, é potência. Perde-se a conta da quantidade de guitarras em cada música: em “Sorrow And Madness”, por exemplo, Friedman traz Jinxx, do Black Veil Brides, um dos virtuosos da nova geração, para um duelo que parece contar com uma dúzia de instrumentos de cada lado, fora as oportunas incursões orquestradas, uma recente constante na obra de Marty. E, por falar em participações, Shiv Mehra (Deafheaven) também dá as caras — ou melhor, as palhetadas — no álbum.
Um tema marcante assinala a seção central de “Whiteworm”, escolhida como música de trabalho, com direito a videoclipe incluindo um paredão de amplificadores. Após uma introdução que tem um quê de Steve Howe, “Streetlight” pisa fundo no acelerador e soa como trilha sonora de triunfo em alta velocidade, coisa de cinema mesmo. Alternando entre a cadência de uma balada das mais emotivas e o feeling pesado como se dissesse que os brutos também amam, “The Blackest Rose” é tão marcante quanto curtinha. Na reta final, “Miracle” promete agradar quem acha “Passion And Warfare” de Steve Vai a oitava maravilha do mundo, e “Last Lament” explora, beirando a exaustão, as escalas bizarras que tornam o som de Friedman tão singular e “Wall Of Sound” tão obrigatório para você que quer elevar o cosmo dos seus ouvidos até o sétimo sentido.
Marcelo Vieira





