The Exploited – “The Massacre” (1990)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#PunkRock #Hardcore #Crossover #SkatePunk
Para fãs de: GBH, Discharge, D.R.I., Slayer, Suicidal Tendencies
Texto por Johnny Z.
Nota: 10
Lançado em 1990, The Massacre, sexto álbum na carreira, é, para mim, o disco mais intenso e completo do The Exploited. Aqui, Wattie Buchan e sua tropa transformaram a raiva e o sarcasmo típicos do punk em uma arma ainda mais poderosa, misturando o espírito anárquico das ruas com o peso e a velocidade do crossover/thrash. O resultado é um álbum que não só mantém a essência da banda, mas amplia seu alcance, soando feroz, afiado e incrivelmente atual mesmo mais de três décadas depois.
Produzido por Wattie em parceria com Colin Richardson, o disco tem uma sonoridade crua e precisa. As guitarras de Gogs cortam como navalhas, o baixo de Smeeks vibra com força nas frequências graves e a bateria de Tony conduz tudo com uma pegada quase militar. A introdução retirada do filme Faces da Morte já anuncia o clima de tensão que permeia todo o álbum — um retrato de revolta, caos e resistência.
Entre os destaques, “Don’t Pay the Poll Tax” é praticamente um manifesto contra o sistema, com um refrão que convida à insubordinação. A faixa-título, “The Massacre”, vem logo em seguida como uma avalanche — riffs rápidos, vocais cuspidos e uma energia quase apocalíptica. “Blown Out of the Sky” tem uma pegada mais sombria e atmosférica, enquanto “Fuck Religion” é uma pedrada anticlerical com a ironia típica de Wattie.
Mas o álbum vai muito além dessas. “Police Shit” é uma descarga de ódio puro contra a repressão policial; “Boys in Blue” segue a mesma linha, reforçando a crítica direta ao autoritarismo. Já “Dog Soldier” mostra o The Exploited com um pé firme no thrash, com guitarras afiadas e estruturas mais elaboradas, sem perder o senso de urgência. “About to Die” e “Stop The Slaughter” completam o massacre, mantendo o disco em ritmo de explosão do início ao fim.
O que mais me impressiona em The Massacre é a coerência: cada faixa soa necessária, cada grito tem propósito. A banda conseguiu evoluir sem trair suas origens, entregando um álbum que une técnica e brutalidade, raiva e inteligência. As letras continuam afiadas, denunciando hipocrisia, alienação e injustiça social — temas que, infelizmente, permanecem tão relevantes quanto em 1990.
Além das faixas originais, o relançamento em CD digipak pela Shinigami Recordss trazem quatro bônus que ajudam a contextualizar a transição sonora do The Exploited entre a crueza punk dos anos 80 e o peso thrash do início dos 90. Duas delas — “Scaling the Derry Walls” e “Barry Prossitt” — vieram do EP Jesus Is Dead (1986), exibindo a velocidade crua e a irreverência característica da fase clássica da banda. Já “Don’t Really Care” e “Power Struggle”, ambas lançadas no EP War Now (1989), antecipam a agressividade e o direcionamento mais metálico que se consolidaria no álbum, com riffs mais trabalhados e letras combativas. Essas faixas não apenas enriquecem a experiência de audição, como também funcionam como um elo histórico entre dois momentos fundamentais da trajetória do grupo. Ou seja, pacote do caos completo!
Mais de trinta anos depois, The Massacre segue como um dos registros mais poderosos do crossover entre punk e metal. É o The Exploited no auge da fúria, transformando indignação em arte e caos em combustível. Um disco que não pede licença, não faz concessões e ainda soa como um grito urgente ecoando contra o mundo inteiro.





