FM – “Brotherhood” (2025)
Frontiers Music | Shinigami Records
#HardRock #AOR
Para fãs de: Magnum, Europe, Phenomena
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Um ano após o lançamento de “Old Habits Die Hard” (2024), a banda inglesa de Hard Rock/AOR FM lançou seu décimo quarto disco de estúdio, “Brotherhood”, via Frontiers, com lançamento nacional pela Shinigami Records, no último dia 5 de setembro.
Um dos melhores e mais subestimados nomes do gênero, o FM é uma verdadeira aula de Hard Rock classudo e bem-feito. Seus dois primeiros álbuns, “Indiscreet” (1986) e “Tough It Out” (1989), são obras-primas que ajudaram a banda a ganhar status no período, mas o grupo entrou em um hiato em 1995, que durou até 2007. Contando com o incrível vocalista Steve Overland desde o início, em 1984, e ainda com os membros originais Merv Goldsworthy (baixo) e Pete Jupp (bateria), além de Jem Davis (teclado), que entrou nos anos 1990, e Jim Kirkpatrick (guitarra), que acompanha a banda desde o retorno, o FM continuou lançando discos relevantes — como “Heroes and Villains” (2015) — mantendo um padrão de qualidade invejável em seu som, que envelheceu muito bem sem ficar preso ao passado.
“Do You Mean It” abre com uma pegada setentista, lembrando um pouco o Deep Purple da fase MKIII, com backing vocals femininos que adicionam um charme country à música. O vocal de Steve Overland, como sempre, é um deleite. “Living on the Run” já traz aqueles duetos de guitarra que tanto marcaram a sonoridade da banda — ou seja, FM sendo FM — além dos coros vocais viciantes, que instigam a cantar junto desde o primeiro momento. “Coming for You” é mais romântica, outra característica forte do grupo, e aqui funciona tão bem quanto sempre.
“Raised on the Other Side” transporta o ouvinte à fase áurea da banda, no final dos anos 1980, com um peso bem-vindo em seu refrão — mais um ótimo momento, e ainda estamos apenas na quarta faixa. “Love Comes to All” remete um pouco ao Bon Jovi mais jovem (mas como se Jon Bon Jovi ainda cantasse bem — risos), entregando um Hard Rock maduro e consistente, embora acrescente pouco à obra como um todo. Já “Just Walk Away”, uma balada acústica, mostra justamente o porquê de o FM ser uma banda tão cativante: sua melodia simples e letra envolvente tornam a audição deliciosa.
“Don’t Call It Love” retorna a um meio-termo entre o country e o Hard Rock, assim como “Time Waits for No One”. Já “Because of You” vem com aquela pegada AOR maravilhosa que o FM domina com maestria — outro ponto alto do disco. “Chasing Freedom” não é tão chamativa e passa um pouco despercebida, assim como “The Enemy Within”, que soa um tanto repetitiva em relação ao que já foi apresentado até aqui. Ainda assim, seus riffs pegajosos ajudam a encerrar o álbum de forma coesa.
“Brotherhood” é, claramente, um disco do FM. Em linha com o que a banda vem fazendo nos últimos três trabalhos — especialmente o anterior, que trouxe elementos country agora mais perceptíveis —, trata-se de mais um ótimo registro. O FM nunca lançou um disco realmente ruim, mas a consistência apresentada aqui, soando moderno e clássico ao mesmo tempo, é uma façanha que eles dominam como poucos. Como mencionei antes, continuam incrivelmente subestimados. Para mim, um dos melhores discos do ano.





