Entrevista: The Furor, one-man-band de Blackened Death Metal de Perth, Austrália
Assim que 2026 teve início, em 02 de janeiro, The Furor, one-man-band de Blackened Death Metal de Perth, Austrália, lançou seu oitavo full lenght, “Phenomenal Abomination”, em formato independente. Dizazter, codinome do vocalista e multi instrumentista Louis Rando (Depravity), assina todos os instrumentos assim como as vozes do projeto.
The Furor teve início em 2002. Seu debut, “Invert Absolute”, é de 2004, enquanto seu lançamento mais atual, “Head Full of Hell”, é de 2022. Metal na Lata publicou uma resenha bem positiva sobre o álbum “Phenomenal Abomination” e, assim sendo, conversamos com a alma por trás do projeto, Louis Rando, para saber maiores detalhes sobre a história do The Furor.

Entrevistando Louis Rando, faz tudo do The Furor
Metal Na Lata: primeiramente, agradeço a você por começar 2026 presentenado os fãs de Metal extremo com um ótimo álbum. Dito isso, recentemente, você lançou “Bestial Possession”, terceiro full lenght da discografia do Depravity. A pergunta é, como é fazer parte de tantas bandas ao mesmo tempo, como você consegue conciliar tudo isso, mantendo a qualidade?
Louis Rando (The Furor):
” Obrigado pelas gentis palavras sobre o novo álbum do The Furor, foi muito prazeroso compô-lo, o que nem sempre acontece…
Não há nenhum segredo no que eu faço.
Sempre fui muito prolífico, tocando em pelo menos 3 bandas simultaneamente desde 1996.
Atualmente, estou no The Furor, Depravity e Impiety (Singapura).”
“Gosto muito do que faço, além de ter uma agenda bem flexível. Não ter filhos certamente ajuda, mas o importante é manter o ritmo. Venho nesse ritmo há 30 anos, então produzir música se torna algo natural, porque me importo!”
“Tenho padrões elevados, então nunca lanço nada que considere abaixo da média. Esse é o meu código pessoal. Estou sempre me questionando.
Se eu gosto, tenho certeza de que o público também gostará. Confio nisso.
Acho que sempre tive uma boa memória musical, então consigo trabalhar rápido e sem restrições!”
Metal Na Lata: embora a música do The Furor mostre que você é competente em todos os instrumentos que executa, a bateria parece ser o seu instrumento favorito. É certa essa afirmação?
Louis Rando (The Furor):
“Sim, isso é verdade. Bateria é a minha favorita, seguida pelos vocais.
São as coisas que faço há mais tempo, então acho mais fácil e mais prazeroso.
Guitarras também são divertidas; quanto mais toco, mais gosto, mas só toco guitarra para compor músicas, o que significa apenas 4 meses por ano.”
“Mas sim, sou baterista nato.”
Produção de “Phenomenal Abomination”

Metal Na Lata: ainda que “Phenomenal Abomination” conste como sendo uma produção independente, a sua qualidade é ótima. Sendo assim, como ocorreu a produção do mais recente lançamento do The Furor?
Louis Rando (The Furor):
“Eu gravei o álbum sozinho, mas a mixagem e masterização ficaram por conta do meu velho amigo Joe Haley, da banda ‘Psycroptic’.
Ele dirige o Crawlspace Studios na Tasmânia, Austrália.”
“Eu já conhecia sua expertise em mixagem de metal extremo há muitos anos, então resolvi contratá-lo desta vez.
Eu tinha certeza de que ele entenderia o gênero e tornaria o processo muito tranquilo, o que de fato aconteceu.
Ele tem um ouvido apurado para tudo que é rápido e brutal, e faz um ótimo trabalho para muitas bandas no mundo todo.”
“Uma ótima escolha e talvez a minha melhor produção até hoje.”
A cena underground na cidade australiana de Perth
Metal Na Lata: a grande maioria das bandas que você faz parte, incluindo The Furor, pertencem a cidade australiana de Perth. Fale sobre a cena de Metal extremo em sua cidade natal e, da mesma forma, também de Heavy Metal e Hard Rock.
Louis Rando (The Furor):
“Estou envolvido com a cena musical aqui em Perth desde 1996 e vi como ela mudou ao longo dos anos.
De modo geral, tem sido muito boa, considerando nossa localização remota e o isolamento de outras cidades australianas.”
“Sempre houve muitas bandas e shows acontecendo todos os fins de semana, já que a cena de bares aqui sempre foi vibrante, desde as décadas de 70 e 80.
Havia muitas bandas internacionais em turnê entre os anos dourados de 2000 a 2018, mas a covid impactou o preço das passagens aéreas, tornando mais caro viajar para este local remoto.”
“No entanto, sempre tivemos uma cena local saudável, abrangendo todos os estilos: bandas cover, bandas autorais, rock, heavy metal, thrash metal, death metal, black metal, etc., então tem sido um ótimo lugar para nutrir músicos e começar suas carreiras.
Mas eu sempre quis viajar para o exterior e explorar outras cenas, o que felizmente consegui fazer com o Nervcell e o Impiety.
Perth sempre terá uma cena incrível, mas muitos não têm consciência disso.”

Como The Furor se apresenta ao vivo?
Metal Na Lata: sendo The Furor uma one-man-band, trata-se de uma banda apenas de estúdio ou ainda há apresentações ao vivo com músicas adicionais?
Louis Rando (The Furor):
“Eu me apresento ao vivo, tocando bateria e cantando com minhas próprias faixas de apoio.
Tenho tocado com esse formato peculiar em todas as cidades australianas e em vários festivais de metal por toda a Austrália desde que comecei minha carreira solo em 2020.”
“Provavelmente, cerca de 70 shows no total como artista solo.
No início, eu tinha uma formação completa e fizemos muitos shows, tanto locais quanto nacionais, incluindo shows de abertura para Marduk, Nile e Behemoth.”
“Ficou difícil manter a banda completa envolvida, já que eu compunha a maior parte das músicas desde 2011 e eles estavam envolvidos em outros projetos, então decidi continuar sozinho.
Essa é a única maneira da banda continuar, e eu preciso tocar essas músicas ao vivo, pois é a minha parte favorita de tocar.”
“Ainda é muito difícil encontrar músicos comprometidos com Black/Death na minha cidade dispostos a receber ordens minhas, então é mais fácil se eu fizer tudo sozinho.”
As influências musicas de Dizazter
Metal Na Lata: há notáveis influências de bandas de Metal extremo em sua sonoridade, mas fica claro que você busca ser criativo mesmo assim. Quais são suas principais referência musicais como músico?
Louis Rando (The Furor):
“Em termos de bandas, sempre me inspirei em grupos como Slayer, Anthrax, Morbid Angel, Deicide, Darkthrone, Immortal, Mayhem, Gorgoroth, Angelcorpse, Razor, Mötley Crüe, Destroyer 666, Bestial Warlust, Darklord, Immolation, Suffocation e muitos outros clássicos do final dos anos 80 e 90.”
“Também sou movido pela minha própria criatividade, ansioso para ver o que posso fazer a seguir, buscando constantemente adicionar novos elementos ao estilo do The Furor, que acredito estar sempre evoluindo em direção à perfeição (espero!).”
Metal Na Lata: “Phenomenal Abomination” foi lançado somente em fita cassete?
Louis Rando (The Furor):
“Foi lançado em uma pequena tiragem em fita cassete pela gravadora Propogator Propaganda na Alemanha, e acabei de fazer uma tiragem de 100 CDs que estão disponíveis na minha página do Bandcamp.”
“Tentei entrar em contato com uma gravadora para alcançar um público maior, mas provou ser difícil. Não quis esperar pelas respostas que nunca chegaram, então tomei a iniciativa MAIS UMA VEZ. Um grande investimento de tempo e dinheiro. Ainda estou ansioso para entrar em contato com uma ótima gravadora para divulgar a mensagem e buscarei isso para os próximos lançamentos, porque meu alcance é limitado e a música merece mais.”
A evolução do trabalho através da carreira
Metal Na Lata: avalie a evolução musical do The Furor desde que lançou “Invert Absolute” (2004) até o atual “Phenomenal Abomination”.
Louis Rando (The Furor):
“As circunstâncias são bem diferentes de lá para cá, já que os três primeiros álbuns foram compostos pela banda inteira, com o nosso guitarrista contribuindo bastante com a composição, o que fica evidente principalmente nos dois primeiros álbuns.”
“Agora que componho todas as músicas desde 2011, o estilo é mais voltado para Bombastik/War/Death Metal e muito mais uniforme no geral.
Ao ouvir o primeiro álbum, percebo uma banda tentando encontrar seu estilo; definitivamente, é boa música, mas, no geral, é mais inconsistente.”
“Tenho mais orgulho dos álbuns mais recentes do que dos primeiros, mas cada ouvinte tem sua própria preferência.”
Metal Na Lata: esse espaço é para que você comente sobre algo que não questionamos na entrevista, mas que você gostaria de expressar. Enfim, saiba aqui desse outro lado do mundo sempre haverá um grupo de pessoas dispostas a ouvir o seu trabalho, tanto no Metal da Morte quanto nos demais subgêneros de Heavy Metal.
Louis Rando (The Furor):
“Muito obrigado pela entrevista, e fico honrado em saber que existem pessoas ao redor do mundo que se identificam com o som que eu faço.”
“Os melhores lugares para acessar meu trabalho são o BANDCAMP www.thefuror.bandcamp.com, www.facebook.com/thefurorobliterate e www.youtube.com/@TheFurorOfficial, meu canal pessoal com centenas de vídeos, tanto ao vivo quanto de estúdio.”
“Toda a minha história pode ser vista lá. Confira esses sites para ficar por dentro de todos os meus trabalhos passados, presentes e futuros.
Valeu pela entrevista, caras!”
“Continuem arrasando!”
“DIZAZTER”
Metal Na Lata:
Nós é que devemos agradecer você, Louis, tanto pela obra musical quanto pela simpatia e atenção. Doravante, seguiremos esperando por novas atualizações de seu trabalho no Metal extremo.





