Sepultura – “The Cloud of Unknowing” (EP) (2026)

sepultura_ep_2026
Compartilhe

Sepultura – “The Cloud of Unknowing” (EP) (2026)


Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#ThrashMetal #HeavyMetal #ModernThrashMetal

Para fãs de: Machine Head, Death Angel, Gojira

Texto por Lucas David

Nota: 8,0

Mais de quarenta anos após sua formação em Belo Horizonte, o lendário Sepultura está se aproximando do seu fim. A banda, que está na estrada com a Celebrating Life Through Death, sua turnê de despedida, ainda encontrou tempo para lançar o que seria, até então, seu último registro de estúdio, The Cloud of Unknowing. É claro que muitos gostariam que a banda continuasse e lançasse um disco completo, principalmente após o excelente Quadra (2020), porém este parece ser o canto do cisne de uma banda que não precisa provar nada a ninguém.

As quatro faixas presentes em The Cloud of Unknowing continuam o trabalho feito nos discos anteriores, além de ser uma ótima forma de apresentar o novo baterista, Greyson Nekrutman, no estúdio e reafirmar como o músico é um dos melhores que já passaram pela banda. Não só Nekrutman está incrível atrás do kit, mas toda a banda parece entregar mais de 100% de sua capacidade e habilidade em um disco que traz emoção, fúria e técnica de uma forma única.

O EP mantém a sonoridade complexa que a banda vem trazendo desde álbuns como Machine Messiah (2017) e Quadra, porém com uma gama mais diversa de inspirações exploradas, surpreendendo aqueles que pensavam que tinha perdido o ritmo. “All Souls Rising” abre o disco com um soco no estômago, em um ataque preciso de Thrash Metal rápido e agressivo, cedendo espaço para uma pequena parte orquestrada para, em seguida, voltar à velocidade ainda mais brutal. Os vocais de Derrick Green estão mais agressivos e extremos do que nunca; a bateria é esmagadora; os riffs de Andreas Kisser são de tirar o fôlego; e o baixo de Paulo Xisto está pulsante e pesado. A faixa não deixa dúvidas de que este é o Sepultura que conhecemos.

Em seguida, “Beyond The Dream” se apresenta como a primeira balada do Sepultura, sendo uma faixa sombria, intensa e com muito peso. É diferente do que poderíamos esperar da banda, contando com composição de Tony Bellotto e Sérgio Britto (Titãs) e expandindo os limites do som. Os vocais de Green são incríveis, e o solo de Kisser acaba sendo um dos melhores que o músico já criou.

“Sacred Books” muda novamente a pegada, indo agora para um início com um riff sujo e pesado, aliado a vocais agressivos, mas surpreendendo ao trazer um solo de piano e partes instrumentais maiores, servindo para mostrar que a banda continua sem medo de arriscar, incorporando elementos distintos à cartilha do metal.

Fechando o EP, “The Place” é uma faixa que mostra a face mais progressiva do Sepultura, imersa em uma atmosfera sinistra, passando por diversos pontos do som da banda com ótimos riffs e uma levada mais contida até seu momento final, em que explode em uma velocidade selvagem, com a bateria ditando o ritmo, riffs prontos para o mosh pit e vocais poderosos.

Mesmo após todo esse tempo de estrada e caminhando para o fim, o Sepultura mostra que ainda é uma força formidável dentro do Heavy Metal. Gostaríamos que o último trabalho fosse mais do que um EP de apenas quatro músicas, mas The Cloud of Unknowing é forte o suficiente para ser mais do que uma lembrança passageira no catálogo da banda.

Compartilhe
Assuntos

Veja também