
Hadeon – “Sunrise” (2018)
Independente
#ProgressiveMetal, #ModernMetal
Para fãs de Persefone, Dream Theater
Nota: 7,0
“Elegância” pode ser uma boa palavra para resumir a sonoridade que os italianos do Hadeon se propuseram no álbum de estreia do grupo. Com muitas passagens onde piano, guitarra limpa e um baixo melodioso interagem, “Sunrise” traz uma ambientação clean boa de se ouvir. Por outro lado, Federico Driutti, o vocalista que também é a mão por trás do teclado, é visivelmente o ponto fraco da obra, sem um timbre marcante e com pouca segurança nos agudos.
No início, “Thoughts ‘n’ Sparks”, “Chaotic Picture” e “I, Divided” são mais comedidas, com guitarras gêmeas aqui e compassos ternários acolá. Interessante que a banda não abusa dos compassos compostos, mas consegue trazer um belo cardápio de riffs mesmo assim.
O conceito de “Sunrise” é a natureza humana e tudo que afeta o homem moderno. Ao longo das faixas, vemos muitas passagens com melodias otimistas intercalando com o uso tímido de guturais e uns ensaios de riffs mais pesados. Talvez, o Hadeon tenha uma visão esperançosa para o futuro da humanidade, quem sabe? Na reta final do disco, a qualidade das composições melhora.
“Lightline” traz melodias acertadas e a bateria de Emanuele Stefanutti ousa um pouco mais. Já em “Hopeless Dance” a levada dance de batera sempre causa uma boa estranheza. Temos ainda uns dois compassos com blast beat e um riff clone de “Erotomania”, do Dream Theater (espero que seja uma homenagem e não um plágio não intencional).
A faixa “Sunrise” encerra em grande estilo, desfilando ambientações diferentes ao longo de seus 10 minutos de duração. Destaque para o cuidado maior com o arranjo de vozes aqui, com versos mais sussurrados e um pequeno coro no início.
“Sunrise” é um álbum totalmente não-visceral que agrada pela proposta, mas peca em itens cruciais como a qualidade do vocalista e uma certa falta de atitude rock and roll. Mesmo no prog valendo tudo, a sensação é que o Hadeon escolheu muito bem seus ingredientes, porém, escolheu poucos deles.
Gustavo Maiato





