A Saga do Guns N’ Roses: A Trajetória de uma das Maiores bandas de Rock do Mundo (Livro)
Título: “A Saga do Guns N’ Roses: A Trajetória de uma das Maiores bandas de Rock do Mundo”
Autor: Stephen Davis
Páginas: 576
Editora: Belas Letras
Ano: 2023
Compre seu exemplar AQUI.
Texto por Johnny Z.
Créditos: Foto #1 Divulgação/Indeterminado | Foto #2 (Rock In Rio II): Leonardo Aversa / O Globo
Praticamente 100% das pessoas que viveram fervorosamente o final dos anos 80 em diante conhece – e muito bem – o Guns N’ Roses, não só pelos seus grandes sucessos e/ou sua estrondosa explosão mundial, que aqui no Brasil começou a virar a cabeça dos adolescentes em 1991, após a banda se apresentar em duas noites completamente lotadas no Rock In Rio II.
Nessa época, seu estupendo álbum de estreia “Appetite For Destruction”, de 1987, que só teve esse superlativo adjetivo alguns anos após seu lançamento, estava bombando de 10 entre 10 adolescentes graças ao início da MTV Brasil, que passava quase a exaustão os videoclipes de “Welcome To The Jungle” e, principalmente, “Sweet Child ‘O Mine”.
Os perrengues, a rebeldia, as audácias e as encrencas que seus músicos se metiam, leia-se Axl Rose (vocal), Slash (guitarra), Izzy Stradlin’ (guitarra), Duff McKagan (baixo) e Steven Adler (baterista) (depois Matt Sorum), eram tão corriqueiras quanto acordar de manhã no segunda-feira com sono após uma ressaca. Mas tais atos eram exponencialmente proporcionais ao suprassumo e frenesi que esses americanos (Slash é o único inglês) causaram numa enorme geração que hoje está beirando os 50 anos.

“Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II”, quando foram lançados em setembro de 1991, causaram uma espécie de Guns Mania, e, mesmo com outros grandes álbuns lançados por inúmeras bandas no mesmo ano, a histeria por esses dois discos em específico foi algo descomunal, incessante e colossal. Seus videoclipes continuavam a praticamente ligar nossas televisões sozinhas, da mesma forma que suas músicas tocavam a rodo nas rádios.
Seus shows colossais pelo mundo atraiam cada vez mais e mais adolescentes (e adultos) para a incrível legião de fãs da mesma forma que as adversidades e fofocas. Leia-se: psicopatia de Axl Rose, os consumos de drogas em níveis estratosféricas por todos, as brigas, discussões em público, farras, putaria, sexo, abusos sexuais, drogas, drogas, drogas, vagabundagens, quebra-quebra, bipolaridade egocêntrica e alarmante de Axl, brigas, demissões, ostentações, dinheiro, estrelismos, bebida, bebida, bebida… ah, e música também.
Enfim, neste livro abarrotado de curiosidades inéditas lançado pela editora Belas Letras temos uma verdadeira história de uma das maiores bandas que o Hard Rock mundial conheceu, tudo contado de uma forma dinâmica, sem eloquência ou devaneios, bem na ‘lata’ mesmo, sem poupar nada e nem ninguém, o que a meu ver se difere de muitos outros livros sobre a banda que focam naquela narrativa boba de “pseudo-resenha de músicas e discos” que enche o saco. Tem um pouco sobre as músicas de cada disco? Sim, mas são dissertações rápidas e de extrema valia, mas nada monótono ou enchedor de linguiça para aumentar páginas.
Muitos detalhes que, mesmo conhecendo muito bem tudo sobre a banda, eu jamais imaginaria que tivessem acontecido, e muitas vezes causa até espanto ao leitor! E sim, temos também algumas escorregadinhas do autor, por exemplo, sobre “The Spaghetti Incident” (1993), álbum de covers, que foi gravado nas mesmas sessões que os “Illusion” e guardado para ser lançado um tempo depois, mas no livro é contado como se fosse gravado do zero após os “Illusion”. Nessa época a banda estava completamente rachada e na realidade a única coisa correta, e foi contado no livro, é que os takes de guitarra originais de Izzy foram retiradas após sua saída e acrescidas as gravações de seu substituo, Gilby Clarke. Não atrapalhou, mas não é verdade. (risos).

Uma pena que o livro não é completo, pois conta tudo até o lançamento do (enfadonho) “Chinese Democracy” (2008), e toda a rotatividade infeliz que Axl fez com “sua” banda cheia de coadjuvantes que ninguém não deu a mínima (lembra do show no Rock In Rio III, onde ninguém nem sabia quem eram?). Essa parte da história foi contada sem muito alarde e de certa forma até que rapidamente, pois já estava quase ao final do livro. Gostaria que tivesse sido mais bem aprofundada, pois foram quase 15 anos desde o último show da formação clássica (1993) até o lançamento desse “troço” (2008).
Ou seja, não temos nada após 2008/2009. Quem sabe um dia uma atualização seja feita contando tudo até os dias atuais com a volta do Slash e Duff? Motivos que Izzy e Steven não terem voltado, as cirurgias de garganta de Axl… enfim, tem muita coisa que pode um dia a ver a luz do dia e eu estarei esperando com ansiedade por isso, pois esse livro realmente é praticamente completo em todos os sentidos.
Resumindo, se você quer saber detalhadamente tudo desde os primórdios da banda, incluindo os anos antes da formação clássica (essa parte um pouco sem muito esmero, mas nada que estrague), passando pelo estrelato meteórico, turnês milionárias, jatinhos e camarins particulares cheio de frescuras, babaquice (sim, Axl tem muuuuuitas horas que o leitor pensa: “Que cuzão folgado sem noção”), mortes, consumos desenfreados de droga, overdoses, queda, abandono e volta (capenga) como uma banda cover de luxo, eis o seu livro!
Hoje, após ler esse livro (e já li praticamente uns 5 sobre a banda, sendo esse o melhor disparado) eu entendo os reais motivos de muitas pessoas terem verdadeiro asco do Guns N’ Roses, e não é nem pelas músicas – acredito eu (risos), mas sim pela psicopatia e as incessantes extravagâncias de um Axl doente e cheio de problemas existenciais somadas as atitudes Rock N’ Roll deliberadamente exageradas que corroboraram para a antipatia pública.
Bom, a mim isso não afetou e jamais afetará, pois a música e a diversão sempre vão falar mais alto na minha vida. Guns N’ Fuckin’ Roses Bitch! Goste ou não, respeite! Ah, e compre essa biografia, pois vale cada centavo!





