
Ace Frehley – “Origins Vol. 2” (2020)
eOne Music
#ClassicRock, #HardRock
Para fãs de: KISS, Cheap Trick, The Rolling Stones
Nota: 9,0
Dando continuidade ao álbum lançado em 2016, “Origins Vol. 1”, no qual Ace Frehley decidiu render homenagem às bandas que, de alguma forma, influenciaram sua formação musical, convidando uma série de músicos de renome para participar dos covers selecionados, acaba de sair o Vol. 2, que segue na mesma trilha.
Enquanto não compõe nenhuma música autoral relevante desde “Anomaly” (2009), o negócio é entreter os fãs tocando velhos clássicos do Rock naquele esquema ‘Jam de amigos’, todo mundo toca um pouco – inclua-se os membros de sua banda solo e o engenheiro de som – e Ace…bem, Ace faz alguns solos também, às vezes – quem acompanha sua guitarra desde 1983 sabe identificar…
Mas como ética de estúdio nunca foi algo tão relevante para meu herói de infância, o negócio é cair no clima de festa e aproveitar os bons momentos da audição, que já começa bem divertida com “Good Times, Bad Times”, do Led Zeppelin, cantada de forma surpreendentemente legal por Frehley. Um guitarrista que parece que passou algum tempo no estúdio ajeitando umas guitarras, ao lado de Jeremy Asbrock, para depois serem incluídas na mixagem, a fim de dar mais punch na coisa toda, foi John 5, que divide os solos com Ace em “I’m Down” (Beatles) e “Politician” (Eric Clapton), fazendo toda a diferença com sua presença para essas versões, cheias de energia. Fica fácil saber quem é quem solando a cada vez.
Já “Jumpin’ Jack Flash”, que conta com Lita Ford nos vocais, acabou ficando com um arranjo genérico, esquema karaokê, tirando aquela crueza interessante da versão original, mas nada que estrague a festa. Outro vocalista que chega para ajudar Ace naquilo que seu alcance vocal não lhe permite é Robin Zander, do Cheap Trick, na faixa “30 Days in a Hole” (Humble Pie).
Para os fãs de Kiss, a boa nova é a presença de Bruce Kulick em “Manic Depression” (Jimi Hendrix), quando Ace novamente mostra que, ao menos em estúdio, está cantando direitinho, enquanto Bruce deixa claro como os irmãos Kulick sempre conseguiram segurar a onda do que Ace fazia com a guitarra – tanto em estúdio quanto ao vivo. Descanse em paz, Bob Kulick (que, como todos sabem, gravou muitas guitarras para músicas do Kiss, enquanto Frehley dava ‘uns perdido’ em Paul e Gene nos dias de gravações). O que sempre faltou aos Kulick foi o charme canastrão do ícone do Hard Rock mundial.
E tem também uma nova versão para “She”, que era tocada pela antiga banda de Ace desde os tempos de Wicked Lester. Já ouvi versões melhores, mas se Ace está presente, a gente respeita.
É assim que, mantendo viva a marca Ace Frehley, com um bom trabalho de produção e mixagem em estúdio, o preguiçoso e fanfarrão guitarrista do espaço chega, contra todas as apostas, na década de 20 do século XXI, provando, ao menos, que tem bom gosto para pincelar alguns Rocks, e que tem também grandes amigos músicos, que podem lhe dar uma ajudinha para o produto final sair acima da média.
Wallace Magri





