
Alkymist – “Sanctuary” (2020)
Indisciplinarian
#ProgressiveSludgeMetal, #DoomMetal, #PostMetal
Para fãs de: Crowbar, Barren Altar, Triptykon, Process of Guilt
Nota: 10
Os dinamarqueses do Alkymist justificam seu nome através da música que fazem, pois sua sonoridade é, literalmente produto de fusões alquímicas, diversos e díspares elementos em sintonia, o resultado é uma massa sonora que cobre e sufoca tudo que encontra pela frente.
Tente imaginar-se num turbilhão infernal constituído por riffs e mais riffs de peso catastrófico, negrume e azedume em total união em 8 faixas que comungam entre o Doom, o Progressivo, o Sludge e o Post-Black Metal, imaginou tal fenômeno? Pois ele tem nome e atende por “Sanctuary”.
São composições que vão das caudalosas e sujas águas de um Crowbar até frases que remetem ao Triptykon – feio e hostil, mas dotadas de uma estética refinada, num equilíbrio entre ambos e com vários reflexos dos feitos de Tom G. Warrior.
As distorções iniciais de “Oethon” criam o clima ideal para que Peter Bjørneg (vocais) nos avise sem muita delicadeza sobre o conteúdo da mesma e de todo o disco, por consequência: “ouça a canção de ninar, mas não feche seus olhos”. Que ironia, não? Chamar de “canção de ninar” a faixa que abre um álbum que por si só, já é um pesadelo.
“The Dead” e “Draugr” não validam impressões boas e os ares continuam doentes, enquanto a primeira se assemelha a uma avalanche de peso e ódio, a outra citada, mostra uma maior dinâmica na bases – baixo e bateria. Entre ambas, “Songs Of Yesterday”, quase que uma pseudo calmaria, na verdade é apenas mais desespero, compactado em pouco mais de 1 minuto e meio.
A pausa para o fôlego e para um copo de água após o pesadelo, chama-se “Gust Of War”, o que vem logo a seguir não é nada saudável, “Desolated Sky” é uma suíte de puro niilismo, ódio e desesperança, sua letra profetiza o óbvio: “o mundo se afogará em lágrimas”.
“Astral Haze”, a segunda suíte não é menos amarga, a tensão permanece, o ambiente ainda é sufocante e a desolação ainda reina – guitarras, vocais, bateria e baixo retratando a sinfonia do caos, uma bem vida sinfonia para um final há muito atrasado.
“Sanctuary” é o fruto destes tempos destroçados, é a audição ideal para se observar um velho e putrião mundo cedendo às ruínas, música miserável para seres miseráveis de um lugar ainda mais miserável.
Fábio Miloch





