
Deep Purple – “Perfect Strangers” (1984)
Polydor
#HardRock
Para fãs de: Led Zeppelin, Uriah Heep, Whitesnake
Nota: 8,0
O adesivo na capa do LP dizia “O destino os uniu. Mais uma vez.” De fato, todas as peças se encaixaram para que a formação conhecida como MK II do Deep Purple se reunisse no começo dos anos 80. O mais recente lançamento do Rainbow, “Bent Out of Shape” (1983), fora desanimador para Ritchie Blackmore, e tudo indicava que o grupo estava perto do fim. Atarefado com seu álbum solo “The Mask”, Roger Glover tinha opiniões divididas, mas topou pensar no caso. Ian Paice havia acabado de deixar o Whitesnake, e Jon Lord estava prestes a pular fora do mesmo barco. Faltava apenas Ian Gillan, recém-saído do Black Sabbath, dar o seu OK. E não é que ele o deu? Em 27 de abril de 1984, o Evening Standard noticiou: não só a formação mais bem-sucedida do Purple estava de volta, como também já havia assinado com uma nova gravadora (Polydor) e cairia na estrada em breve para uma turnê mundial.
Após um mês de trabalhos em Vermont, nos Estados Unidos, o primeiro disco da MK II desde “Who Do We Think We Are” (1973) estava pronto. “Perfect Strangers” chegou às lojas em outubro de 1984, impulsionado por sua faixa-título e por “Knocking At Your Back Door”, cuja letra sobre sexo anal só não é mais explícita que o “fucking” que Gillan canta em “Not Responsible”, música que ficou de fora das edições em vinil pura e simplesmente por falta de espaço no LP. E por falar em particularidades de formatos, o CD traz a faixa bônus “Son of Alerik”, uma instrumental de mais de dez minutos que remete às raízes sessentistas do grupo. Suspeita-se que o título seja uma referência ao rei visigótico Alarico I – algo que, cá entre nós, poderíamos esperar de Blackmore –, mas ninguém jamais confirmou isso.
Musicalmente, “Perfect Strangers” é a total soma das partes, e cada um dos cinco trouxe novos ingredientes, oriundos de suas experiências em outras bandas, para a receita comercialmente viável e em sintonia fina com o som da nova década. Como Lord bem disse à época: “Não queremos soar como 1974. Queremos soar como 1984”. Dito e feito: nunca que o Purple nos anos 70 teria feito músicas como “Under the Gun” ou “Hungry Daze”. Por outro lado, “Nobody’s Home” tem o DNA de “Fireball” e “A Gypsy’s Kiss” traz Ritchie e Lord batalhando pelo protagonismo tal como faziam sobre o palco na década anterior. Resumidamente, olhos no futuro, mas com um pezinho inevitável no passado.
Recebido de braços abertos pelo público britânico, “Perfect Strangers” chegaria ao quinto lugar no Reino Unido, mas custaria a subir na parada americana, estagnando numa insatisfatória décima segunda posição na Billboard. O mesmo não pode se dizer da turnê, que manteve a banda na estrada por quase um ano para shows em estádios da Oceania, América do Norte, Europa e do Japão, incluindo lendárias apresentações em Knebworth e na edição de 1985 do festival Texxas Jam.
Marcelo Vieira





