
Banda principal: As I Lay Dying
Banda de abertura: Reckoning Hour
Local: Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ
Data: 08/09/2019
Produção: Liberationmc
Assessoria: The Ultimate Music
Texto por Márllon Matos
Fotos Reckoning Hour por Raysa Muri
Fotos As I Lay Dying por Gustavo Maiato
Vídeos por Davi Afonso
Foi em um domingo tranquilo, após o dia da independência, que o Rio de Janeiro pode conferir a estreia do quinteto americano As I Lay Dying em seu território, visto que em outras oportunidades o grupo se apresentou apenas em São Paulo e Curitiba.
O público foi chegando timidamente até o Circo Voador e a entrada dos mesmos foi sem maiores problemas e tanto aqueles que já tinham entrado quanto os que estavam do lado de fora seja bebendo ou apenas jogando papo pro ar, o sentimento era um só “caraca, finalmente vou ver As I Lay Dying e aqui no meu Rio de Janeiro!”.
Com um atraso quase que inexistente, a Reckoning Hour iniciou seu show que claramente teve como base o recém lançado ‘Beyond Conviction’.
Mesmo cansados pelo bate volta feito entre São Paulo (onde também forma abertura do As I Lay Dying) e Rio, os cariocas entregaram uma apresentação enérgica e brilhante, inclusive com o público (presente não em sua totalidade) cantando junto várias das músicas e criando altos mosh pits. Nem sempre vemos tamanha receptividade para uma banda de abertura, mas o fato é que tinha gente que inicialmente foi só por conta do Reckoning Hour, o que já mostra a força desse grupo no cenário.
Do vocalista JP Pires, que teve seu momento Wando ao receber uma calcinha no palco, passando pelo sorridente e preciso baixista Cavi Montenegro; o centrado guitarrista/vocal de apoio e Phillip Leander; o mostro ‘lovecraftiano’ Johnny Kings na bateria e o técnico Lucas Brum na outra guitarra, ninguém em momento algum esmoreceu. Era notório a entrega máxima de cada um mesmo com cansaço e uma corrida passagem de som na bagagem e com um set pouco inferior a meia hora de som, mas que ainda sim serviu para saciar a vontade dos admiradores da antiga e também angariar novos fãs.
O Recoking Hour é uma banda pronta pra desbravar o mundo. Europeus e americanos não sabem o que estão perdendo.
Setlist Reckoning Hour:
Unity/Shadow Of The World
Scars
Away From The Sun
The Gathering
Catharsis
What Has Gone Wrong
Um intervalo rápido, que serviu para visitar as barracas de merchandising e também comer algo, foi o ideal para preparar o que faltava ao palco para receber a atração principal do dia. Aos poucos o público foi se aproximando e a expectativa só crescia. Era a vez do As I Lay Dying.
E eis que a introdução “Washed Away” é iniciada e o cataclisma já começa a ser liberado. Não precisou de muita coisa para que a banda tivesse a noção que o público estava em suas mãos. E não tinha essa de que por ser uma banda majoritariamente classificada como metalcore, que você via só pessoas caracterizadas com camisas de bandas do estilo. Se encontrava de um tudo lá dentro e de certa forma mostrou que a sonoridade que mistura elementos bem dosados de Death Metal melódico, Thrash Metal, Hardcore e Heavy Metal tradicional costuma agradar o fã de boa música, seja ela qual subdivisão for.
Foi algo quase que sobrenatural ver a sinergia banda/público. Mesmo que o Circo Voador não tivesse em sua lotação máxima, a verdade é que quem foi prestigiar o As I Lay Dying não apenas viu o show, ele fez parte do show. A plateia seja cantando os refrões e até mesmo os riffs, obedecendo aos comandos dos enérgicos Tim Lambesis (vocal) e Josh Gilbert (baixo/vocal) estava sempre ligada no 220 volts e era visível o quando a banda estava admirada e contente por tanto frenesi causado e isso se transformava em mais garra e energia ainda, virando assim um positivo ‘círculo vicioso’.
O set list foi um primor. Por mais que sempre tenha faltado ‘essa ou aquela’ música, não creio que alguém tenha algo a reclamar do mesmo. Foi um desfile de clássicos tais como ‘An Ocean Between Us’, ’94 Hours’, ‘The Darkest Night’, ‘The Sound Of Truth’ entre outros, mas os 3 singles já lançados do vindouro álbum ‘Shaped By Fire’, marcado pra sair dia 20/09 pela Nuclear Blast, não fizeram feio e tiveram uma recepção tão calorosa quanto as ‘velharias’. Indicativo de mais um trabalho memorável vindo por ai.
A performance de Jordan Mancino na bateria beira o absurdo. Tudo tão preciso e potente que nem parecia um ser humano comum e sim uma máquina. Comparado ao constante movimento do jogo de cordas da banda e de seu frontman, ele nem chamou tanta atenção para si, mas o conjunto da obra não seria o mesmo senão fosse esse titã.
Entre moshs e incontáveis pulos, berros, punhos cerrados ao ar, o que se via era uma alegria imensa entre o público. Era fácil ver amigos se abraçando, cantando juntos e se emocionando, parecia uma grande reunião de família. Esse clima ‘pra cima’ também era visto no palco. Nick Hipa entre solos frenéticos ou de puro feeling (sempre me arrepiei ouvindo o trabalho dele em “Parallels” e ao vivo foi 100x mais emocionante) e bases rápidas e pesadas divididas com seu colega de função Phil Sgrosso (também responsáveis por pontuais berros) era só sorriso. Tim, não apenas pela postura de frontman, mas por toda a situação sobre os últimos anos da sua vida. Demonstrava sempre a gratidão ao cumprimentar os presentes na grade e não faltou momentos em que ele quase foi pro meio do povo.
Quando a última nota de “Confined” se silenciou e os músicos de despediram, a euforia não diminuiu. Todos aguentariam ao menos mais uma hora de show. Mas mesmo esse desejo não realizado não desanimou os que já retornavam aos seus lares e uma frase era comum de se ouvir: “tomara que eles não
demorem muito para voltar”.
E que assim de fato seja.
Setlist As I Lay Dying:
Washed Away/Meaning In Tragedy
An Ocean Between Us
Through Struggle
Within Destruction
Redefined
The Sound Of Truth
Forsaken
Shaped By Fire
Condemned
Darkest Night
A Greater Foundation
Parallels
My Own Grave
94 Hours
Separation/Nothing Left
Confined
Agradecimentos a Liberationmc pelo espetáculo e a The Ultimate Music pela parceria, amizade e credenciamento.















