
Banda principal: Behemoth
Banda de abertura: Genocídio
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 08/12/2019
Produção: Liberation Mc
Assessoria: The Ultimate Music
Texto e fotos por Vinícius Starteri
Edição e complementação: Johnny Z.
Após 6 anos da última passagem pelo Brasil, os poloneses pioneiros do Blackened Death Metal, Behemoth, retornaram ao país para um show único apresentando seu décimo primeiro álbum de estúdio “I Love You At Your Darkest” (2018).
Antes de iniciarmos o relato completo do show, apenas uma nota que a banda sueca Mantar não pode se apresentar devido a problemas logísticos e, por este motivo, foi necessário um reajuste nos horários das apresentações da outra banda de abertura, os paulistanos do Genocídio.
Eram 17h50 e as ruas adjacentes ao Tropical Butantã já estavam tomadas pela legião de fãs vindos de diversas regiões do país para prestigiar a famosa “missa de domingo”. Antes da abertura dos portões, a banda chegou em uma van acenando para todos que estavam presentes levando a fila de quase 1 quilômetro de extensão ao delírio.
Pontualmente, às 19hs subia no palco o Genocídio, um dos grandes nomes do metal extremo brasileiro. Liderados por Murillo Leite (vocal/guitarra) e Wanderley Perna (baixo), trouxeram novidades de sua nova turnê batizada como “‘Till 96” toda baseada nos álbuns clássicos até 1996 que se iniciava naquele dia, sua novíssima formação que agora conta com Wellington Simões (guitarra) e César Leite (bateria), e que um novo álbum de estúdio estava sendo preparado. Apesar do pouco tempo de palco, e ser o primeiro show com a nova formação, a banda tocou de forma coesa e impecável durante 30 minutos praticamente ininterruptos distribuindo verdadeiras pancadarias sonoras e clássicos absolutos do Death Metal nacional. Palmas para esses gigantes que conseguiram agitar aquela que seria uma noite histórica para os fãs do metal extremo no Brasil.
Setlist Genocídio:
Overture Of The Rebel Angels (Intro)
Synthetic Screams
Numbness Sunshine
Condemnation
Encephalic Disturbance
Heredity
The Sphere Of Nahemah
Up Roar
The Grave
Goodbye Kisses (Outro)
Após o término desta grande abertura, uma cortina preta foi erguida e um som totalmente atmosférico anunciava o prelúdio da abertura “Solve”, deixando um clima obscuro e de extrema ansiosidade para todos presentes. Há cinco minutos da banda subir ao palco, o visual de cima da casa era impressionante, as pistas premium, normal e camarote encontravam-se lotadas e todos extremamente afoitos para ver aquele espetáculo que particularmente foi um dos ápices do ano de 2019 no Brasil.
Às 20hs, o apocalipse era anunciado, uma voz de criança como introdução para destruição deixava o clima mais denso para todos presentes e sem delongas a cortina ia ao chão e o Behemoth adentrou ao palco. Com Nergal, Orion, Seth e Inferno, o espetáculo se iniciou ao som de “Wolves Ov Siberia”. E que abertura amigos, aquela pista apertada se tornou um verdadeiro purgatório para as almas que se encontravam ali, levando todos os fãs mais novos ou antigos ao total êxtase.
Seguido das músicas “Daimonos” e “Ora Pro Nobis Lucifer”, o som da casa ecoava de forma formidável pelos quatro cantos do Tropical Butantã, aos picos do refrão, a casa elevava o tom deixando a sonoridade da banda ainda mais expressiva. Foi quando mais um som novo veio à tona, a faixa “Bartzabel” iniciada como um ritual por Nergal, fez todos acompanharem os poloneses nos pontos altos da música. Uma verdadeira aula de metal extremo e digamos que foi o ápice do mais novo material da banda.
Sem delongas, o primeiro clássico da noite surgia, a música “Ov Fire And The Void” ecoou com os graves do baterista Inferno como uma verdadeira tormenta. E por ser o primeiro ponto alto de um setlist formidável, a sensação foi única e esplendorosa.
Com uma pequena inversão no setlist em comparação aos últimos shows, mais um clássico veio pareado, “Conquer All”. Nessa, o baixista Orion pediu para que todos gritassem seguindo a base dos riffs inicias, o que foi atendido de forma plena! Que agitação! Esta energia foi conjurada em meio a pista premium num moshpit intenso e violento!
O momento mais inusitado do show surgiu após os clássicos, onde Nergal, de forma totalmente surpreendente, mandou um pequeno recado para os fãs brasileiros em português dizendo: “Jesus Cristo Filha da Puta!” e esse foi o prelúdio para a cacetada blasfema “God=Dog”, do último álbum, num momento único em que os anticristos soltaram suas gargantas em apoio a banda.
Posteriormente a faixa “Sabbath Mater”, tivemos o segundo grande hino dos poloneses, “Decades Of Therion”, que sem discursos, já foi iniciada de forma avassaladora parecendo um trator remoendo tudo em que passava pela frente. Já “Blow Your Trumpets Gabriel” passou um pouco despercebido e meio que uma “ponte” para a destruição final. Ao iniciar a estrofe catastrófica de “Slaves Shall Serve”, uma verdadeira e monstruosa chuva técnica e agressividade tomou conta do local que, seguida de “Chant For Eschanton 2000”, concluiu um ciclo bem equilibrado misturando riffs obscuros e lentos até linhas massantes de puro Death Metal, mostrando o motivo da banda serem chamados de “reis” e “percursores” do estilo.
Para o bis, uma mudança no visual da banda anunciava o fim daquele que seria um dos melhores shows nesse ano. Nergal e seu time retornaram das margens do inferno abismal com ‘corpse paints’ banhados a sangue e, dessa forma, como um ritual marcante, executaram a poderosa faixa “Lucifer”. Todos os presentes cantando cada linha, cada estrofe da melodia, cada riff de forma devota como súditos aclamando pelo seu “Deus”.
Fechando o show, tivemos “We Are The Next 1000 Years” que foi a cereja do bolo de um show que, mesmo um pouco curto em minha opinião, foi totalmente provido de equilíbrio e genialidade. Mas a “missa” mesmo se encerrou com um show de percussão por toda a banda executando a derradeira “Goagvla” de forma esplendorosa, demonstrando a evolução e maturidade que a banda apresenta nos dias de hoje. A satisfação de todos os presentes estava estampada no rosto de cada um ao final da apresentação.
O ponto “negativo” da apresentação, ao meu ver, foi que não tivemos alguns “apetrechos”, pirotecnias e etc, presentes nos shows europeus, mas mesmo assim a música falou por si só!
Setlist Behemoth:
Solve
Wolves ov Siberia
Daimonos
Ora Pro Nobis Lucifer
Bartzabel
Ov Fire and the Void
Conquer All
God = Dog
Sabbath Mater
Decade of Therion
Blow Your Trumpets Gabriel
Slaves Shall Serve
Chant for Eschaton 2000
Lucifer
We Are the Next 1000 Years
Coagvla























