Belphegor – “Blood Magick Necromance” (2011)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#BlackenedDeathMetal
Para fãs de: Behemoth, Hate, Azarath
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Dando continuidade ao seu excelente trabalho de relançamentos, a Shinigami Records traz de volta um clássico do metal extremo: Blood Magick Necromance, nono álbum de estúdio do Belphegor, originalmente lançado em 2011. Se a memória não falha, esse disco teve uma tiragem nacional bastante limitada na época, o que torna esse relançamento uma adição mais do que bem-vinda para os colecionadores.
Após dois discos apenas razoáveis – Bondage Goat Zombie (2008) e Walpurgis Rites – Hexenwahn (2009) –, a máquina diabólica de destruição sonora da Áustria voltou com força total. Sob o comando do guitarrista e vocalista Helmuth desde 1992, o Belphegor chegou ao seu nono trabalho consolidado como um dos grandes nomes da cena extrema mundial. Aqui, Helmuth aprofunda ainda mais sua visão musical, cravando de vez o nome da banda como uma das principais representantes do chamado Blackened Death Metal, onde a mescla entre o Death e o Black Metal soa mais natural, eficaz e bem trabalhada.
De cara, duas coisas chamam a atenção: a primeira é que a capa do álbum é simplesmente horrenda (no melhor sentido para os fãs do estilo); a segunda é a produção, que está impecável. A abertura com “In Blood – Devour This Sanctity” é devastadora e já dá o tom do disco, sendo, facilmente, uma das melhores músicas da carreira da banda. Traz todos os elementos típicos do Belphegor, mas com uma cadência marcante nos bumbos, riffs densos e incessantes, além de um desempenho vocal de Helmuth que aqui soa mais agressivo e refinado.
“Rise to Fall and Fall to Rise” segue uma estrutura semelhante à faixa anterior — um pouco mais cadenciada, porém igualmente impactante — lembrando, em certos momentos, a clássica “Fukk the Blood of Christ”, do álbum Lucifer Incestus (2003). A faixa-título, “Blood Magick Necromance”, com seus sete minutos de duração, é outro grande destaque. Equilibra com maestria os elementos do Black e do Death Metal, com uma leve inclinação para o lado mais técnico e sombrio do Death. Já “Discipline Through Punishment”, com versos alternando entre inglês e alemão, aposta em riffs mais simples e pesados, sem depender exclusivamente da brutalidade desenfreada — marca da banda e do gênero — mas que aqui cede lugar a uma construção mais consciente e eficaz, reforçando a identidade sonora do Belphegor.
Abrindo a segunda metade do álbum, “Angeli Mortis De Profundis” traz de volta o massacre sônico característico da banda: uma avalanche de riffs cortantes e blast beats insanos, executados com total impiedade. Em seguida, “Impaled Upon the Tongue of Sathan” retorna ao clima mais denso da primeira parte do disco, com uma interessante adição de elementos mais thrash em sua estrutura — mais um ponto alto. “Possessed Burning Eyes” mantém a consistência do álbum, embora sem o mesmo brilho das anteriores. Fechando com chave de ouro, “Sado Messiah” entrega mais um momento de pura selvageria sonora, com o Belphegor em sua forma mais crua e impiedosa.
Blood Magick Necromance é, indiscutivelmente, um dos melhores trabalhos do Belphegor. Representa um marco na discografia da banda, que por vezes apostou em estruturas mais quadradas, mas que aqui encontrou um equilíbrio certeiro entre ferocidade e sofisticação. É um álbum brutal, sim, mas também inspirado, bem composto e que estabeleceu padrões que seriam sentidos nos lançamentos seguintes. Um verdadeiro petardo que merece estar na prateleira de qualquer fã de metal extremo.





