Belphegor – “Conjuring The Dead” (2014)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#BlackenedDeathMetal
Para fãs de: Behemoth, Hate, Azarath
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 7,0
Dando sequência ao excelente trabalho de relançamentos, a Shinigami Records resgata agora o décimo álbum de estúdio do Belphegor, Conjuring The Dead (2014). Se a memória não falha, esse disco teve apenas uma tiragem nacional na época, o que torna esta nova edição mais do que bem-vinda para os colecionadores de metal extremo.
Lançado após o excelente Blood Magick Necromance (2011), álbum que já indicava uma guinada na sonoridade da banda — mais trabalhada e menos reta —, Conjuring The Dead chegou cercado por uma situação delicada: em turnê pela América Latina em 2011, o vocalista Helmuth contraiu febre tifoide. A doença afetou seriamente seus pulmões e, consequentemente, influenciou seu desempenho vocal neste trabalho. Ele passa a explorar ainda mais os guturais graves em detrimento dos vocais mais rasgados típicos do gênero. Soma-se a isso uma guinada ainda mais forte em direção ao Death Metal, tendência já perceptível no álbum anterior.
“Gasmask Terror”, faixa de abertura, já escancara a diferença na voz de Helmuth — mais próxima de algo que ele fazia nos primeiros discos, mas aqui soando um pouco cansada. A faixa-título, “Conjuring The Dead”, é certamente um dos destaques — se não o principal — do álbum. Os riffs carregados de malícia e a estrutura musical bem construída remetem diretamente à proposta do disco anterior, o que já é um ótimo indicativo. Há também um trecho teatral no meio da faixa, claramente pensado para o videoclipe (que, aliás, vale muito a pena assistir e dá ainda mais sentido à música).
“In Death” foge totalmente da curva. Com um andamento mais voltado ao Thrash Metal, destoa tanto do restante do álbum quanto da proposta tradicional do Belphegor. Nesse contexto, acaba soando dispensável. Já “Rex Tremendae Majestatis” segue por um caminho semelhante, mas entrega algo mais consistente: traz elementos mais extremos e uma composição interessante, até mesmo com momentos que lembram o Nile.
“Black Winged Torment” traz o Belphegor em sua veia mais brutal, uma marca registrada da banda. Ainda assim, a faixa passa sem grande impacto.
Após a introdução “The Eyes”, “Legions of Destruction” entra com um pé totalmente no Death Metal — principalmente nos momentos groovados e abafados das guitarras. Se ouvida isoladamente, dificilmente alguém diria que é uma faixa do Belphegor, o que novamente provoca a sensação de que há peças fora do lugar.
“Flesh, Bones and Blood” causa sentimentos mistos. É interessante ver Helmuth tentando recuperar a veia mais Black Metal nos vocais, mas o andamento da música soa simplório, abusando de riffs abafados e repetitivos. Funciona até certo ponto, mas deixa a impressão de que falta algo.
“Lucifer, Take Her!”, marcada por gritos agonizantes femininos ao fundo, é perturbadora, maldita — e isso é um elogio. Com pouco menos de três minutos, a faixa tem uma construção instrumental coesa e envolvente. Ela serve quase como uma introdução para a derradeira “Pactum in Aeternum”, que traz um encerramento tribal ao álbum. Porém, por ser uma continuação direta da faixa anterior, talvez fizesse mais sentido como uma faixa única — ainda que isso seja um detalhe menor.
Conjuring The Dead é um disco complexo. Ele se afasta da brutalidade tradicional dos primeiros álbuns e tenta incorporar elementos que funcionaram bem em Blood Magick Necromance, ao mesmo tempo em que se reinventa e mergulha ainda mais no Death Metal. Em alguns momentos, isso funciona perfeitamente; em outros, parece que estamos ouvindo uma banda diferente.
Ainda assim, há momentos realmente bons e que justificam uma audição atenta — de preferência com a mente aberta. No fim das contas, é sim um disco do Belphegor. Muito do que consolidou a identidade da banda ainda está ali, mesmo que em detalhes mais sutis.





