Metal na Lata

Black Sabbath – Tyr (1990)

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Black Sabbath – “Tyr” (1990)
I.R.S. Records
#HeavyMetal

Para fãs de: Ronnie James Dio, Rainbow, Tony Martin

Nota: 8,5

Se “Headless Cross” (1989) foi visto como um recomeço para o Black Sabbath (leia a resenha aqui), esperava-se que o disco seguinte consolidasse a nova e produtiva fase. Após sete meses na estrada promovendo “Headless”, Tony Iommi (guitarra), Cozy Powell (bateria), Tony Martin (vocais), Neil Murray (baixo) e Geoff Nicholls (teclados) reuniram-se nos Woodcray Studios e, em junho de 1990, estava pronto o trabalho que levaria a banda de volta para a parada britânica.

Uma diferença fundamental entre “Tyr”, lançado em 20 de agosto de 1990, e seu antecessor é o conteúdo das letras. Em “Headless Cross”, as referências ao diabo eram tantas que Iommi pediu a Martin para pegar mais leve, e o resultado foi um disco metade conceitual inspirado na mitologia nórdica no qual a capa, uma mistura de black metal norueguês e “Johnny the Fox” (1976) do Thin Lizzy, certamente evoca o conteúdo.

Não que o diabo não estivesse presente em “Tyr” – lá está ele em “The Law Maker” e “Heaven in Black”, cuja letra surgiu após uma visita do vocalista à Catedral de São Basílio, em Moscou, no ano anterior –, mas o protagonismo fica a cargo mesmo é dos deuses nórdicos, como ouve-se na trilogia “The Battle of Tyr”, “Odin’s Court” e “Valhalla”. “O Reino de Odin é o Reino dos Deuses / Onde somente as almas dos bravos guerreiros poderão descansar em paz”, canta Martin na última delas. Qualquer um que tenha assistido à série “Vikings” na TV mais do que sabe como as coisas funcionavam na Escandinávia do século VII.

Curiosamente, a música escolhida para single e videoclipe não foi nenhuma dessas, mas sim a balada “Feels Good to Me”. “Foi um clipe meio medíocre, muito exagerado em relação ao que a gente costumava fazer”, escreveu Iommi em sua autobiografia, “Iron Man”, de 2011. O guitarrista deixa claro sua preferência pelas músicas mais pesadas e lentas do repertório, como “Anno Mundi”, que começa com um coral cantando em latim, e “The Sabbath Stones”: “Curto esses lances pesados e de riffs bem característicos, e ‘The Sabbath Stones’ é especialmente pesada.”

Apesar do 22º lugar no Reino Unido, “Tyr” não emplacou no saturado mercado norte-americano, que, concordemos, não havia abraçado o Sabbath dos anos 80 da mesma forma que abraçou a carreira solo do ex-vocalista Ozzy Osbourne. Como resultado da baixa vendagem, a “turnê mundial” do disco durou apenas três meses – de 1º de setembro a 28 de novembro de 1990 – e ficou restrita ao continente europeu. Frustrado pela falta de sucesso e renda comparada com os anos 70, Iommi encontraria num igualmente frustrado Ronnie James Dio a possível solução para seus problemas. Mas isso são cenas para os próximos capítulos.

Marcelo Vieira

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