Blixten – “Stay Heavy” (2018)

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Blixten
 – “Stay Heavy” (2018)

Independente
#HeavyMetal#SpeedMetal

Para fãs de: DORO, Picture, Steve Grimmett’s Grim Reaper

Nota: 7,0

Após dar um Google para saber mais sobre o Blixten, é impossível não se perguntar se a imprensa rock brasileira, que reporta o fato de o grupo paulista contar com mulher no vocal com uma estupefação ora “virgem” ora medieval, já ouviu falar de Doro Pesch, Lee Aaron ou Lita Ford. Em âmbito nacional mesmo, temos a excelente Angélica Burns, que começou como uma releitura ruiva da Angela Gossow em banda cover de Arch Enemy antes de assumir posição de destaque à frente do Hatefulmurder — fora tantas outras vocalistas cujo anonimato só se deve ao fato de os festivais autorais do underground não repercutirem na autoproclamada mídia especializada como deveria. Certos amadorismos não dá pra entender, assim como certas abordagens eu simplesmente não consigo aceitar.

Em “Stay Heavy”, seu EP de estreia, o Blixten apresenta um metal primitivo, de riffs que são o bê-a-bá da guitarra, pisando fundo no acelerador quando necessário e servindo de vitrine tanto para a vocalista Kelly Hipólito — espécie de filha da Doro com Dave Mustaine, que vocifera com entusiasmo e determinação — como para o guitarrista Miguel Arruda, que apesar do amor a la Kirk Hammett pelo pedal de wah-wah, não permite que seus solos — pelo menos a maioria deles — se resumam a amontoados de notas em velocidade com mais cara de exercício de digitação do que outra coisa. As letras, código de conduta headbanger, trazem em seu cerne uma convicção que faria Joey DeMaio aplaudir de pé. E daí que o caráter é total ginasiano? Que metaleiro não se sente com 14 anos quando ouve sua banda do coração? Que deus (metal) perdoe essas pessoas ruins.

Ponto negativo para a produção: OK, restrições orçamentárias, camaradagens etc. Mas tem-se a impressão de que um abismo separa a voz de todo o resto, e o gás nas frequências médias e agudas é tão grande que o baixo só parece dar as caras na quarta música, que inclui um solo do instrumento. E não dá pra ignorar o fato de que a arte da capa lembra mais estampa de camiseta da Renner do que disco sério de metal. Que a embalagem seja repensada em caso de lançamento em formato físico. E muito boa sorte para o novo Warlock brasileiro, pois o som é realmente bem legal.

Marcelo Vieira

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