Brutal Reality – “The Cycle of Fall” (2025)

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Brutal Reality – “The Cycle of Fall” (2025)

Independente
#DeathMetal

Para fãs de: Death, Cannibal Corpse, Massacre

Texto por Matheus “Mu” Silva

Nota: 9,0

Com quase 30 anos de existência — e em um primeiro momento sob o nome Brutal Noise —, a banda paulistana Brutal Reality finalmente lançou seu disco de estreia, The Cycle of Fall (2025), de forma independente. Formada em 1998, a banda entrou em hiato no início dos anos 2000, retornando em 2022 com o nome atual. Hoje, o trio é composto por Júlio César (vocal/guitarra), Danny Schneider (baixo) e Edilson Alves (bateria) — formação responsável por gravar este primeiro registro de estúdio e resgatar material desenvolvido ao longo dos anos.

Abrindo com “Mind Controller”, o destaque imediato vai para a qualidade da gravação, simplesmente impecável. Musicalmente, o grupo entrega um Death/Thrash Metal vigoroso, alternando momentos de Thrash furioso com passagens de Death Metal muito bem estruturadas, no melhor estilo Old School do gênero. “Power of Blood” chega com um riff cavalgado matador, conduzindo uma faixa brutal e destruidora que desperta aquela vontade de sair atropelando tudo pela frente. “The Real Enemy” revela um lado mais trabalhado da banda, com cadências groovadas ao estilo Suffocation, sendo um dos grandes destaques do disco. Já “Slave to Your Lies” traz um excelente desempenho do baterista Edilson, unindo pedal duplo preciso a riffs marcantes de Júlio e Danny — com um trecho final simplesmente mortal, perfeito para bater cabeça.

“The Tormentor” retoma o lado mais direto da banda, em uma demonstração de brutalidade impiedosa e sem concessões. “The Fall” apresenta novamente a faceta mais groovada e pesada do grupo, sendo uma das faixas mais criativas e bem elaboradas do álbum. Há nela uma pegada abrasileirada, perceptível tanto nessa música quanto no álbum inteiro, o que reforça a identidade da banda e funciona perfeitamente dentro da proposta. “I’m Cornered” é furiosa, exalando uma raiva intensa na voz de Júlio, preparando o terreno para a última faixa, “The White Curse”, tão agressiva quanto, com um andamento mais cadenciado e riffs densos que encerram o álbum com a mesma força com que começou.

The Cycle of Fall, por ter ficado tanto tempo engavetado, acabou se beneficiando desse hiato: o som apresenta uma pegada Old School genuína, não fabricada, o que contribui fortemente para o resultado final. A energia das composições é autêntica, de uma banda que realmente viveu o final dos anos 90 — e isso transparece em cada faixa. Recentemente tive a oportunidade de assistir ao Brutal Reality ao vivo, e o show é tão intenso quanto o que se ouve neste excelente álbum de estreia. Um destaque absoluto de 2025, altamente recomendado para quem aprecia um bom Thrash/Death Metal direto, pesado e sem firulas.

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