ChaosFear – “Be the Light in Dark Days” (2020)

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ChaosFear – “Be the Light in Dark Days” (2020)
Independente
#ThrashMetal#GrooveMetal

Para fãs de: KorzusGojiraProngAndrallsIn FlamesCorrosion Of Conformity

Nota: 9,0

É realmente necessária a apresentação para uma das grandes bandas pesadas do Brasil? Acredito que não, até porque a banda paulista Chaosfear está na batalha desde 2003 e é impossível você não ter “trombado” os caras em shows, na rua, na galeria ou folheando revistas especializadas, mas se você estava em Marte durante um tempo, até pode ser. A banda chega agora ao seu terceiro disco, uma volta triunfal depois de alguns anos parados, trocas de formação e uma boa reestruturação que é nitidamente sentida nas 7 faixas que compõem o tracklist de “Be the Light in Dark Days”, que remete ao passado, mas que finca os pés no presente e futuro.

Por se tratar de uma banda com uma longa estrada dentro da cena, acaba que esperamos um certo relaxamento, sem muitas invenções ou que modifique a sua identidade, correto? Em certo ponto esse raciocino é algo natural na vida de todos nós, mas a partir do primeiro instante que ouvi o álbum, a palavra evolução passou por todas as músicas. As composições saíram do tradicional Thrash/Death Metal para ganharem injeções de Doom Metal, Groove Metal e algumas leves pitadas de Metalcore, ou seja, zona de conforto é para os fracos e os que não sonham alto e preferem ficar preso a um falso horizonte alcançado. Aqui, você terá uma banda com “sangue nos zoios” em seus melhores dias de inspiração e atuação.

O equilíbrio certo é uma das chaves para o sucesso, o instrumental que explora o peso, com técnica em partes bem dinâmicas, velozes e cadenciadas, mantendo tudo com uma bela amplitude e dosagem correta e tudo com aquelas típicas palhetadas certeiras do modo que cada batida nas cordas soem como verdadeiros golpes voadores. A parte lírica é um show à parte. Gritos, partes limpas, sombrias e densas te dão o exato ponto de se estar numa viagem horripilante pelo perverso mundo humano cheio de altos e baixos, ganancia e autodestruição.

A faixa-título traz as participações especiais de Murilo Leite (Genocídio) e Leticia Helena e representa muito bem as diversas facetas dos próximos 32 minutos, assim como “From No Past”, “The Hand That Wrecks the World” e “Mindshut”, todas com agressividade, melodias, refrões cativantes e um tom nebuloso sobre a aurora de um trabalho que nasceu para “chocar” e surpreender, mas se acalme, tudo de maneira positiva. Mostrar que sua identidade, estilo único, pode e deve receber mutações para se multiplicar nos ouvidos de nós headbangers famintos e ansiosos por aquela banda que não se pareça sempre com um Metallica e Slayer da vida.

As setes músicas de “Be the Light in Dark Days” são poucas, quase que um pecado capital com os nossos tímpanos implorando por violência e peso nesses tempos de “seca”. A necessidade de estar no repeat é eminente assim que os últimos cânticos árabes e riffs hipnóticos de “A Nevel Life Ahead” se calam.

William Ribas

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