Chelsea Grin – “Suffer in Heaven” (2023)
ONErpm
#Deathcore
Para fãs de: Suicide Silence, Thy Art Is Murder, Lorna Shore
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
O Chelsea Grin tem deixado sua marca desde o lançamento do seu primeiro disco, “Desolation of Eden”, de 2010. De lá pra cá, os americanos aumentaram sua fama, figurando ao lado de nomes como, por exemplo, Lorna Shore, Fit For an Autopsy e Suicide Silence. Com essa fortificação de seu som, a banda lançou no ano passado a primeira parte do que seria um disco duplo, “Suffer In Hell”, que recebeu muitos elogios de fãs do gênero, defendendo-o como o melhor lançamento da banda até agora.
Sem surpresa, o mesmo pode ser dito para a segunda parte, “Suffer In Heaven”, lançado agora em 2023, via ONErpm. Talvez ainda mais do que seu sucessor, esse disco entrega em seus 27 minutos um trabalho extremamente polido, cruel e selvagem que utiliza de vocais diferentes entre si, além de atmosferas mais limpas que combinadas elevam o álbum a um dos melhores lançamentos do ano.
Já na primeira faixa “Leave With Us” são estabelecidas as características comentadas, com toques medievais e um uma voz robotizada oferecendo proclamações apocalípticas que se transformam em uma avalanche de blast beats e riffs de guitarras diabólicos tendo como complemento os vocais Black/Death de Tom Barber. Há uma quantidade surpreendente de diversidade vocal aqui, seja nas várias abordagens em uníssono ou trocas entre dois (ou mais) tipos de rosnados. Dessa forma, “Leave With Us” (e na maioria das faixas seguintes) soa como se fosse cantado por um coro de demônios diferentes, em vez de apenas um.
Outro destaque fica para “Orc March”, com a participação do vocalista Dustin Mitchell do Filth. Ela tem um tom assustador e caótico, com cada um dos vocais tomando parte nesse caos e deixando-a digna de ser uma das melhores. Isso acontece também em “Fathomless Maw” que chega com uma carga extra de solos de guitarra impressionantes.
“Yhorm The Giant” é o ponto alto no lado B, abandonando rapidamente sua introdução de 8 bits para riffs estrondosos, intrincados e com um apoio orquestral apocalíptico. Seu momento mais interessante é a ponte cheia de reverb, adicionando mais um truque na manga para o quarteto. “The Path of Suffering” fecha o disco de uma forma excelente, juntando tudo o que apresentaram e deixando que o guitarrista Stephen Rutishauser, que já deve ser considerado um monstro devido ao trabalho nos dois discos, destrua tudo com um solo de guitarra enorme e explosivo, encerrando tudo de forma cinematográfica.
“Suffer In Heaven” é um excelente disco, cheio de camadas, ondas infinitas de guitarras, samples e vocais; e com a violência que se espera de um disco do gênero. Seu antecessor também é ótimo, e a audição de ambos é recomendada, já que em suas 16 faixas combinadas, o Chelsea Grin provou que ainda é um dos líderes, e entregou um grande triunfo para o Deathcore.




