
CrashDïet – “Rust” (2019)
Frontiers Music
#HardRock, #SleazeRock
Para fãs de: Crazy Lixx, Lipz, Pretty Wild
Nota: 8,0
O Crashdïet precisou ir ao fundo do poço para se levantar com o balde de lágrimas, determinado a ponto de não se intimidar com a rejeição e a descrença — por mais justificável que fossem —, das pessoas, livre de desculpas e decidido a arriscar tudo no veneno e antídoto que é “Rust”. A nova entrega dos suecos, agora com o novato Gabriel Keyes no vocal, obviamente, empalidece se comparada a “Rest in Sleaze” (2005) ou “Generation Wild” (2010), mas está um nível acima de “The Unnatractive Revolution” (2007) e muitos acima de “The Savage Playground” (2014).
A verdade é que passado tanto tempo e submetido a tantas mudanças de vocalista, o Crashdïet acabou por metamorfosear o seu som, o qual adquire contornos tanto mais speed (“Reptile”) como mais baladeiros, numa perspectiva até então inédita em seu repertório, com a excelente apesar de sutilmente genérica “In the Maze”. A tentativa de estabelecer uma nova “Riot in Everyone” vem na forma de “We Are the Legion”, na qual se verifica quão boa é a voz de Gabriel e quão inabalável permanece a capacidade de Martin Sweet (guitarra), Peter London (baixo) e Eric Young (bateria) de compor hinos passíveis de se imaginar entoados por verdadeiras multidões. Por outro lado, se “Stop Weirding Me Out” é o tipo de coisa que poderíamos ouvir em “Just Push Play” do Aerosmith no melhor esquema ‘guilty pleasure’, “Waiting for Your Love”, com todo seu aparato eletrônico e uma incômoda pretensão de modernidade, consiste no momento mais bizarro do grupo desde quando resolveram tocar “Territorial Pissings” do Nirvana.
No fim das contas, é aquilo: quem não acredita em Deus, não passará a ter fé; quem é fatalista, não passará a confiar no infinito. Mas na maldita gravidade da vida real, “Rust” tem seus passes de mágica — além dos já citados, vale uma menção honrosa a “Crazy”, que aparece em duas versões na edição japonesa do CD, e a “Idiots”, mais pelo impagável videoclipe tirando um sarro da lendária entrevista de Chris Holmes do W.A.S.P., doidão, dentro de uma piscina, do que pela música em si —, o que basta para me permitir dizer que o meu Crashdïet está de volta. Continuarei amando-o e defendendo-o.
Marcelo Vieira





