Cryptopsy – “An Insatiable Violence” (2025)
Season of Mist
#DeathMetal #BrutalDeathMetal #TechnicalDeathMetal
Para fãs de: Suffocation, Dying Fetus, Deeds of Flesh
Texto por Lucas David
Nota: 9,5
Dois anos após o lançamento de um dos melhores discos de seu catálogo, As Gomorrah Burns, e de um retorno ao velho formato pelo qual ficaram conhecidos, o Cryptopsy apresenta An Insatiable Violence, que, como o nome já diz, é uma demonstração de brutalidade acima de qualquer parâmetro e um alívio para os fãs de longa data.
O novo disco chega para continuar a caminhada de onde o anterior parou, mantendo o death metal técnico e agressivo com uma pegada mais moderna, mas sem deixar de lado o espírito old school. A máquina descontrolada do baterista Flo Mounier parece ter se acomodado confortavelmente em uma vertente fulminante que serve como um lembrete de que poucos, se é que alguém, chegam perto do som que a banda produz.
An Insatiable Violence é implacavelmente cruel e frequentemente soa como se fosse sair do controle e arrastar todo mundo junto. Porém, tudo aqui é executado com absoluto domínio, com cada integrante demonstrando um nível de técnica absurdo e total domínio dos detalhes das composições. Logo na abertura com “The Nimis Adoration”, a banda já mostra a que veio, com um ataque brutal de blast beats, um baixo extremamente pesado e os vocais de Matt McGachy soando monstruosos, alternando entre guturais profundos e timbres mais rasgados de forma única.
Na sequência, “Until There’s Nothing Left” dificilmente pode ser descrita como cativante, mas possui “cores” diferentes em sua mistura. Melodias sombrias, andamentos mais lentos e um solo carregado de frenesi e melodia se unem a um turbilhão sangrento que varre tudo ao redor.
“Fools’ Last Acclaim” é um bate-estaca sem misericórdia, que não dá um minuto de respiro ao ouvinte, e traz alguns dos melhores urros de McGachy, que tem se mostrado um dos grandes vocalistas do metal extremo nos últimos anos. “The Art of Emptiness” tem mais groove, remetendo aos tempos de The Book of Suffering (2015), além de uma passagem mais melódica com a adição de piano. É uma mistura que encaixa bem, assim como em “Until There’s Nothing Left”.
“Malicious Needs” encerra o disco de maneira triunfante, com uma avalanche de riffs, blast beats e algumas levadas vindas diretamente do deathcore — perfeitas para bater cabeça e fazer “stank face” sem medo de ser feliz. Ela reúne os elementos apresentados nas outras faixas, como groove, andamentos mais lentos e passagens atmosféricas. A banda também lançou um videoclipe perturbador que precisou ser censurado no YouTube, mas que vale a pena assistir na versão sem cortes disponibilizada por eles.
Felizmente, pudemos ter acesso antecipado ao álbum e agradecemos à Season of Mist pelo envio, o que facilitou a assimilação de toda a violência presente em cada uma das músicas — cruas e caóticas, mas executadas com a facilidade intuitiva que só os maiores músicos conseguem alcançar. É claro que, tendo se restabelecido como protagonistas do brutal death metal, o Cryptopsy passa a maior parte de An Insatiable Violence destruindo tudo e todos que encontram pela frente.
Para fãs de brutalidade implacável que ultrapassa todos os limites, este disco é um presente dos deuses do death metal.





