Bandas: DarkRazor, Device, Fleshpyre, MOFO e Contenda
Local: 305 Poizé, Brasília/DF
Data: 19/01/2019
Produtora: Rafael Giraldi
Apoio: Convergência Social e Texas Estúdio
Texto, fotos e vídeos por Victor Augusto
O show de lançamento do novo disco do DarkRazor veio cheio de expectativas após o impacto que o “The River Of Souls”, segundo álbum da banda, causou assim que foi liberado para a audição, no final de 2018. As bandas convidadas para esse evento têm tido bastante repercussão no underground e tornaram essa expectativa de um grande dia de shows ainda maior.
Chegando ao local, já pude sentir que seria um evento memorável, pois a produção deu uma boa caprichada no palco, backline e no som da casa, que já costuma ser bom por natureza. Então, o que o vimos até o final, foi história.
Contenda
O Contenda teve a responsabilidade de abrir o dia de shows perante tantas bandas importantes do cenário brasiliense e esse peso deve ter aumentado ainda mais por se tratar do primeiro show deles, mas o trio fez bonito com um Death Metal bem direto e na cara.
As letras em português soaram muito bem com a proposta do grupo, assim como a curta duração das faixas. Algumas músicas optam por uma levada um pouco mais arrastada e quando resolvem acelerar, causam um bom impacto, principalmente por parte do baterista, que eu pude notar que fez alguns blast beats usando um só pedal. Além das autorais do grupo, o set foi finalizado com a excelente “Religion Is Fear”, do Extreme Noise Terror.
Já havia um bom público na casa desde o início do show, entre músicos e fãs e o Contenda conseguiu obter um bom retorno deles. Mesmo que a banda seja novidade nesse meio, os integrantes demonstraram boa desenvoltura e maturidade, fazendo uma boa estreia.
Setlist Contenda:
Balada Contenda
Banho de Sangue
Contenda
Bestialização Humana
Crueldade Extrema
Vai Morrer
Demonic Methods
Forjados no Fogo do Inferno
Agonizando
Religion is Fear (Extreme Noise Terror)

Mofo
E natural à evolução de uma banda depois do lançamento de um disco que gere muitos shows de divulgação. No caso do Mofo, eles tocaram tanto após o EP “Empire of Self-Regard” (2017) que, somado aos fortes ensaios para compor o próximo disco, é perceptível que eles são uma outra banda hoje em dia. O quinteto estava insano, de uma forma que eu nunca tinha visto e olha que já assisti a vários shows deles.
Os guitarristas Arthur Colonna e Rodrigo Shakal estão num nível de entrosamento de riffs e alternância de solos, que mesmo com um em cada ponta do palco, executaram tudo com bastante naturalidade e energia. O baixista Pedro Dinis se movimenta bem pelo palco e toca partes complexas, que tiveram o seu destaque, graças à boa equalização do som. Emiliano corria por todos os lados e por muitas vezes ia ao meio da plateia. Ele desempenhou bem as suas partes vocais com uma boa presença de palco.
Não dá pra citar destaques numa banda onde todos dão o seu máximo ao vivo, mas não poderia deixar de mencionar o baterista João Paulo Mancha nessa noite. Ele parecia possuído e sentou o braço no kit. Quanto maior a empolgação da banda e a resposta do público, maior era a sua insanidade na bateria.
O set da banda contou com todo o EP e mais algumas faixas a serem gravadas para o novo disco, como a “Let Them Fall”, que mostra que a banda virá com uma proposta mais técnica em seu próximo registro. Eles finalizaram o show com a participação em massa do público na “We Are Metal”. Entre algumas idas e vindas de Shakal nas rodas, ele terminou a música só com um pé de tênis e aproveitou o espaço para anunciar que o baixista Pedro será pai em breve. Um show descontraído como sempre, porém com muito mais pegada e intensidade.
Setlist Mofo:
Mountain of Origin
Tartarus
Eternal Stealing of Souls
Black Squad
Let Them Fall
Final Experiment
We Are Metal

Dark Razor
Os donos da noite não foram os últimos a tocar e se apresentaram após o Mofo. Antes de falar do show em si, devo mencionar que o DarkRazor é uma banda relativamente nova, mas o que eles gravaram nesse novo disco, em 2018, é de cair o queixo, vindo a receber nota máxima na resenha feita por este site. Resumidamente, o estilo Death Metal que o grupo toca beira ao estilo melódico das bandas suecas, mas segue em uma linha progressiva dentro de uma temática que se estende faixa a faixa, como capítulos de uma saga.
A faixa título do álbum, a “The River of Souls” se inicia com belas harmonias e após alguns instantes de calmaria, começou a devastação de bumbo duplo, bases e solos, prosseguindo dessa forma até a “Wandering Through Endless Dimensions”, que muda um pouco o ritmo. Uma das grandes sacadas desse disco é justamente os vários momentos e climas criados pela banda, que não deixa os mais de 60 minutos de audição cair na mesmice e sempre surpreende.
Devo mencionar a qualidade absurda dos músicos ao conseguir reproduzir fielmente tantas partes técnicas num show bem longo. O guitarrista Victor, apesar de não ter gravado o disco, fez uma substituição à altura de Sherman Aguiar e o baixista Adler Adriel tem bastantes momentos em que suas partes são o centro das atenções. O destaque vai para o baterista Rafael Giraldi, que além de ter produzido o show, tocou fielmente o longo set, onde ele não teve muito descanso com a pegada das composições. O vocalista Matheus Damasio também fez um excelente trabalho, na função de tocar e cantar ao mesmo tempo por esse longo período.
Matheus falou da qualidade das bandas que estavam participando do evento naquela noite e anunciou a “The River of Time”, que possuí cativantes e belas harmonias. “Darkness Conceived” finalizou o set, com direito a muitos agradecimentos aos que acompanharam o show do início ao fim.
O Dark Razor realizou um marco na cena do Distrito Federal, não só com um disco magistral, mas com a técnica fora do normal em executá-lo por completo. Fizeram uma apresentação de deixar todos os presentes boquiabertos e acredito que o grupo já passa a ser um nome importante na cena local.
Setlist Dark Razor:
The River of Souls
Blackened Star
Wandering Through Endless Dimensions
The Darkest Horizon
City of God
Symphony of the Planets
Arrival
New Gods
The Time Device
The River of Time
Alter the Past
Darkness Conceived

Device
Iniciando o ano após um 2018 bem movimentado de shows, com a grande repercussão do EP “Godless”, o Device reafirmou o motivo de ser um dos nomes mais respeitados do Distrito Federal. E não é a toa que conquistaram isso, pois o grupo está cada dia mais agressivo e com shows cada vez mais fortes.
Após o primeiro som meio embolado, alguns ajustes foram feitos e uma devastação sonora empolgou os que ainda tinham fôlego para acompanhar. Italo Guardieiro tem um vocal bem forte e bastante interpretação. Por vezes, desceu do palco para rodar entre o público. Legal que o seu vocal gutural ganha muita força com a dualidade das várias partes mais rasgadas que o guitarrista Marco Mendes faz. São timbres que se completam e cada vez mais estão melhores ao vivo. É impressionante como Marco consegue tocar riffs e solos velozes enquanto realiza esses vocais e vem tendo mais presença no palco.
O baixista Daniel Gonçalves é o que mais bate cabeça e é incrível como ele consegue não errar nenhuma nota mesmo assim. O baterista Diego Campos é uma britadeira e não perdoa nos blast beats, principalmente em “Loveless”, que ele quase quebra a caixa da bateria. Aliás, devo mencionar que os bateristas de todas as bandas roubaram a cena nesse dia, pela insanidade extra com que eles tocaram.
Como de costume, o Device fez uma passagem por sons de todas as épocas, incluindo a “Kill You”, com seu riff matador e todos os sons do novo EP, que são mais a cara do que a banda se tornou hoje em dia. Depois de agradecer aos presentes, terminaram o show com “Igreja Universal”, cover do Ratos de Porão, empolgando bastante os presentes.
Setlist Device:
Soul of Maggots
Under the Cross
Silenced By Blood
Kill You
Temptations Desert
Message To The Clergy
Pátria Dos Porcos
Loveless
Verme
Igreja Universal (Ratos de Porão)

Fleshpyre
O Fleshpyre ficou encarregado de encerrar a noite, segurando boa parte do público até o final e não é por menos, pois o grupo está numa ascensão desde o lançamento do excelente primeiro álbum “Unburying the Horses of War”, no ano passado.
Sem muita enrolação, o quarteto iniciou o show com “March of Defeat”, dando aqueles ajustes finais ao som, mas foi na faixa título do álbum que a casa veio abaixo. O quarteto esbanja insanidade no palco, onde Diego Lima comanda riffs técnicos e precisos, junto do baixo de Josivan Ribeiro. Yuri Sabaoth, além de ter um excelente timbre de voz, passando de guturais até algo mais rasgado, tem uma forte presença de palco e incorpora bem a temática das letras em suas interpretações. Ao fundo, Daniel Moscardini destruía o kit de bateria, com fortes viradas, blast beats e bumbo duplo. Partes da bateria caíram em alguns momentos, tamanha era a força que ele tocou, mostrando que a banda estava com uma empolgação acima do normal.
A banda praticamente tocou todo o seu álbum de estreia e não tinha como não ser uma apresentação matadora, pois se trata de um disco realmente diferenciado. Yuri comentou que o vídeo de “Nous” estava para ser lançada e eles encerraram com a “Fleshpyre”, depois de um solo de bateria, aonde Daniel chegou a tirar onda bebendo água na maior naturalidade, enquanto segurava uma rápida linha de bumbo duplo por bastante tempo.
Sem dúvidas o Fleshpyre foi mais um dos pontos altos da noite em meio a tantas bandas excelentes e não houve uma pessoa que não tenha se impressionado ou se arrependido de ficar até o final.
Setlist Fleshpyre:
March of Defeat
Unburying the Horses of War
Nous
Bodily Ecstasy
The Wanderer
Perpetator
Fleshpyre
Finalizado a sequência de shows e o que ficou foi a sensação de uma noite histórica. Além das bandas que pareciam estar com uma energia dobrada para tocar, deu para ver que é possível para fazer eventos de qualidade com bandas locais, seja as de mais renome ou o Dark Razor, que esta despontando no cenário, após este lançamento diferenciado.
A sensação ao final da noite era de orgulho por ter tantas bandas de alto nível, tocando em um dia só e que estão dando banho em muitos outros grandes nomes por aí.
Parabéns a todos os envolvidos pelo espetáculo.





