Dark Tranquillity – “Moment” (2020)

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Dark Tranquillity“Moment” (2020)
Century Media Records
#MelodicDeathMetal

Para fãs de: In Flames, Soilwork, Omnium Gatherum

Nota: 7,5

Um lançamento marcado pelo médio apreço à nostalgia, um olhar de soslaio ao futuro, mas sem muito frescor e com poucos sabores realmente novos — essa é a melhor exegese para definir “Moment”, o novo e décimo segundo álbum de estúdio de um dos pilares da frutífera e seminal “The Gothenburg Sound”, o nome em questão, Dark Tranquillity.

Como um dos pioneiros de todo um movimento musical iniciado ainda nos anos 90, o Dark Tranquillity junto a seus pares do In Flames e At The Gates, lançaram genuínas obras de arte na década citada: “The Gallery”, “The Jester Race” e “Slaughter Of The Soul” são rebuscadas heranças desse tão criativo período. A ampulheta foi girada inúmeras vezes e mais grandes discos foram concebidos, novas bandas dedicadas à mesma proposta foram surgindo e junto a toda essa efervescência, nada mais natural que mudanças e evoluções. Enquanto uns iam de testes a migrações sonoras, passando por verdadeiros desastres, vide o In Flames, a trupe do vocalista Mikael Stanne manteve-se fiel ao modus faciendi ortodoxo, com poucos discos laboratoriais, sendo que em 1999 eles lançaram o ousado e belíssimo “Projector”.

Voltando ao presente (ainda triste e incerto), “Moment” chega após quatro anos de “Atoma” e se sublinha, a princípio, por ser o primeiro trabalho após a saída de um dos fundadores da banda, o genial Niklas Sundin. Para uma baixa de peso, uma substituição de peso era exigida e assim foi, para seu lugar foram recrutados dois monstros: da banda de Progressive Metal Andromeda veio o guitarrista Johan Reinholdz; e do (ame-o ou deixe-o) Arch Enemy, veio o também genial Christopher Amott. Completam o time junto a Stanne, Reinholdz e Amott, o tecladista Martin Brändström; o baixista Anders Iwers e o baterista Anders Jivarp.

“Moment” oferece tudo aquilo que melhor representa a sonoridade do Dark Tranquillity — peso calculado e bem imposto, melodias repletas de classe e sentimento, vocalizações que por serem versáteis favorecem ao caráter das letras (sempre bem escritas e permeadas por humanismos); bateria certeira e um baixo discreto, mas ciente de seu papel de sustentação e tempero; quanto aos teclados, estes atuam de maneira inteligente dentro de uma dupla função, pois ora performam à frente na criação de ambiências e noutras apenas preenchendo as muitas camadas que as músicas possuem.

Indo ao corpo do disco não há muitas surpresas, pois o repertório é solido, caprichado e até mesmo bem diversificado, havendo faixas que se rompem ao gótico e até mesmo ao Doom Metal, como num resgate aos tempos áureos do já citado “Projector”, assim é válido citar as melodiosas e climáticas: “Remain In The Unknown” e “In Truth Divided”. O restante do disco reserva bons momentos que, em sua maioria se devem às guitarras que indubitavelmente são as protagonistas de “Moment”. “Phantom Days”, “Identical To None”, “Transient” e “The Dark Unbroken” são extrações que merecem uma audição mais carinhosa, quanto aos demais temas, apenas a banda surfando em seu próprio DNA.

Longe de ser um disco mediano e tão pouco ruim, mas faltou um pouco mais de aventura, da dita ousadia, que, sempre foi sua marca registrada. O Dark Tranquillity passa longe de ser um Atari num mundo dominado por “Xboxes” e outros consoles cada vez mais velozes e modernos, mas o prazer de “Moment” é curto e sacia momentaneamente a vontade como se fosse um emulador ou mesmo um macarrão instantâneo.

Fábio Miloch

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