Deep Purple – “Infinite” (2017)

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Deep Purple“Infinite” (2017)
earMUSIC

Nota: 8,5

Chega um ponto na carreira de muitas bandas que não há muito o que se falar. E o Deep Purple é uma dessas bandas. Classifcado por muitos como integrante da “Santíssima Trindade” (ao lado do Led Zeppelin e do Black Sabbath), o grupo há muito, mas há muito tempo mesmo, não precisa provar nada á ninguém.

Tendo lançado clássicos irreparáveis ao longo de sua extensa carreira, a banda dá mostras sensíveis de que o fim está próximo. E sejamos sinceros: é melhor que, mesmo dando mostras consideráveis de talento e capacidade ( o que fica mais que comprovado neste ótimo álbum), o momento de parar seja em alto nível. E se esse for o desejo do grupo, o intento foi atingido com louvor. “Infinite” é um álbum pra ser ouvido diversas vezes. E não por que precisa disso para ser compreendido, mas sim, porque estamos diante de um trabalho de nível, muito, mas muito, acima da média. E, em se tratando de Deep Purple, isso não apenas é esperado, como plenamente correspondido.

Este que vos escreve, há algum tempo, vem tecendo críticas as performances, principalmente ao vivo, do mestre Ian Gillan. Que ele é uma das maiores vozes do rock, não resta nenhuma dúvida. Mas basta assistirmos á algumas de suas mais recentes apresentações para percebermos que o velho “Silver Voice” não é mais o mesmo. E isso não é nenhum demérito. Basta vermos a idade do Gillan para termos a certeza de que isso é algo natural. Afinal estamos falando de um senhor com mais de 70 anos que comada uma das maiores bandas de todos os tempos!

Mas a banda não se restringe apenas ao talento de Gillan. temos também seus companheiros de longa jornada Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria) que dão ao grupo uma sustentação que poucas bandas no mundo possuem. Aliados á isso, temos em Steve Morse, um guitarrista que, se não pode ser comparado ao mestre Ritchie Blackmore, se mostra desde sua entrada na banda, um excelente músico, dotado de uma capacidade técnica e feeling absurdos. E, “last but not least”, temos Don Airey. O tecladista que teve a árdua missão de substituir o mestre Jon Lord, éum dos grandes, senão o maior, destaques do trabalho. Com linhas extremamente técnicas e bem estruturadas, Don acaba por nortear o trabalho de forma sublime, incrementando ainda mais a classe e bom gosto que sempre foram inerentes aos ingleses. Se este realmente será o último álbum de estúdio do quinteto é difícil saber (Ozzy Osbourne e KISS que nos digam), mas tudo leva a crer que seja mesmo. A idade avançada e pequenos detalhes (como o “f” em destaque no nome do álbum) nos fazem penar isso. E, podem ter certeza, se for verdade, terá siso uma despedida em grande estilo.

Produzido pelo mestre Bob Ezrin, “Infinite” traz grandes composições, recheadas de passagens que nos remetem aos áureos tempos do grupo. “Time for Bedlam” faixa de abertura, traz um Don Airey inspirado, com linhas melódicas e extremamente clássicas, enquanto Steve Morse faz miséria com sua guitarra. Um comedido Gillan aparece aqui (como em todo o álbum), mas mesmo assim, se mostra dono de uma voz privilegiada. Faixas como “Hip Boots” trazem um clima bem 70’s em sua execução, assim como “All I got Is You” (Airey novamente acaba sendo o destaque). O Groove de “One Night in Vegas” mostra que o grupo não esqueceu de suas raízes. “Johnny’s Band” tem um clima mais rock de garagem, sem esquecer das passagens clássicas de Airey. O peso e as levadas quebradas de “On Top of the World” nos mostram que poucas bandas no mundo conseguem unir técnica e feeling como o Purple. E nessa hora, sentimos que o grupo fará muita falta falta… O encerramento com o cover de “Roadhouse Blues” do The Doors, é sensacional, dando uma nova cara a esse clássico do rock. Que interpretação cheia de sentimento e carregada de energia proporcionada pela banda!

Minhas resenhas nunca são tão extensas aqui noMetal Na Lata, mas “Infinite” merece. Aliás, merece muito mais que isso, merece ser ouvido e apreciado por todo fã de música de qualidade. Se essa realmente for a despedida do grupo, ela terá sido feita em grande estilo. E fica aqui o agradecimento à banda por ter nos proporcionado a audição de grandes clássicos do Rock/Heavy Metal ao longo desses quase 50 anos de carreira. Obrigado Ian Gillan, Steve Morse, Roger Glover, Don Airey, Ian Paice, Ritchie Blackmore, e tantos outros músicos de talento que passaram por essa instituição do metal chamada Deep Purple. Sem vocês, o mundo não teria a mesma graça!

Sergiomar Menezes

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