
Defecto – “Nemesis” (2018)
Mirza Radonjica-Bang
#SymphonicMetal, #ModernMetal
Para fãs de: Amaranthe, Hibria
Nota: 8,0
O poeta francês Charles Baudelaire dedicou parte de seus estudos à formulação da Teoria do Belo. Para Baudelaire, o belo era constituído de duas partes separadas: “Um elemento eterno, invariável, e um elemento relativo, circunstancial”. Isso significa que, para uma obra de arte ter beleza, é necessário que ela mantenha certos elementos tradicionais, mas que também adicione algo novo, “circunstancial”.
Os dinamarqueses do Defecto resolveram levar ao pé da letra os ensinamentos do poeta francês e mesclaram na medida certa o tradicional com o moderno no novo disco da banda chamado “Nemesis”.
A essência do heavy metal está lá com riffs bluezeiros carregados com pentatônicas, mas o moderno pede passagem com guturais, riffs bem pesados e um quê de death metal nas levadas de batera.
O vocalista e guitarrista Nicklas Sonne tem um timbre forte que lembra o Iuri Sanson (Hibria) e sua voz funciona bem tanto na rápida “We’re All the Enemy” quando na power ballad “Ode to the Damned”. Outro traço marcante do disco é o flerte com o Symphonic Metal. A Introdução “The Final Night of Silence” é uma verdadeira trilha sonora de filme de ação e em muitos momentos vemos o uso dos teclados, apesar da banda não ter oficialmente um tecladista na formação.
O baixista Thomas Bartholin é outro destaque, com suas linhas melódicas firmes e bem timbradas. A banda acerta sempre que traz essa mistura entre passado e futuro para o primeiro plano. O contraste é evidente nas sequências “Savage” e “The Nameless Apparition”.
A capa de “Nemesis” traz um figura humana jogando xadrez com algo que pode ser a Morte, bem ao estilo do filme O Sétimo Selo, dirigido pelo sueco Ingmar Bergman em 1959. O clima do disco é um camaleão, mudando do death metal à la Arch Enemy para um metal moderno estilo Amaranthe, alternando vocais limpos e guturais.
Apesar de não trazer nenhuma canção excepcional, a proposta de resgatar tendências do passado e adicionar seu próprio tempero é acertada. Os riffs com escalas de blues são muito gostosos de se ouvir e causam uma agradável estranheza quando misturados ao peso, velocidade e vocais guturais. Ponto para a banda, que soube administrar todas suas influências e não deixou o caldo azedar.
Gustavo Maiato





