Discos que destacam o baixo – Capítulo 2
Redator do capítulo 2: Matheus Mu
Dentre os instrumentos de corda presentes no Rock/Metal, a relevância do baixo sempre foi menor que a da guitarra. Ainda assim, são muitos os apaixonados por esse som que é o elemento que serve de ligação entre o ritmo e a harmonia musical. Essa paixão é plenamente justificável, já que há alguns discos históricos nos quais o baixo ganhou pleno destaque.
Seja por causa da criatividade e capacidade técnica do baixista ou seja pela genialidade do produtor musical, há álbuns que produziram sons de baixo que estão além do limite da perfeição. Ou seja, seus timbres beiram o inalcançável.
Em cada um dos cinco capítulos dessa matéria, haverá a menção de quatro full lenghts que atingiram o contrabaixo perfeito. Assim sendo, ao total, vinte títulos serão destaques. Nesse segundo capítulo, irei abordar discos que foram realmente marcantes no Metal extremo, estilo esse que, por vezes, deixa o baixo inaudível, valorizando o peso das guitarras, mas algumas bandas mostraram que sim, um baixo em destaque consegue soar tão brutal quanto uma guitarra cheia de efeitos.
Cannibal Corpse – “Tomb of The Mutilated” (1992)

O Cannibal Corpse foi ficando mais técnico e pesado com o passar dos anos, mas o destaque dado ao baixista Alex Webster era mais evidente nos primeiros álbuns, onde a brutalidade ímpar pra época ganhava ainda mais notoriedade com as linhas de baixo bem altas, algo que, pelo menos nos anos 90, era quase que uma marca registrada da banda.
Esse fato ganhou ainda mais evidência no seu terceiro disco, “Tomb of The Mutilated” (1991). Como não lembrar da ponte de baixo antes de entrar o vocal em “Hammer Smashed Face” ou nas cadências brutais em “Addicted to a Vaginal Skin”, verdadeiros clássicos do Death Metal e que ajudaram a trazer um lado mais cativante do instrumento a um estilo que tem a velocidade como um pilar. O trabalho de Alex simplesmente mudou a cara do Metal da Morte pra sempre com as possibilidades de suas linhas de baixo.
Sarcófago – “The Laws of Scourge” (1991)

Vindo do pioneirismo brutal de seu debut, “I.N.R.I.” (1987), o Sarcófago elevou o seu patamar musical no álbum seguinte, “The Laws of Scourge” (1991), em um trabalho mais polido, bem feito, sendo um verdadeiro marco tanto pra banda quanto pra história do Metal nacional.
Um dos seus maiores destaques é justamente o trabalho do baixista Gerald “Incubus” Minelli, que aqui é simplesmente brilhante. Não bastasse já as linhas mais pulsantes como em “Secrets of a Widow”, o trabalho feito em “Midnight Queen” é belíssimo, com aquele trecho final que beira um solo de baixo aliado ao vocal agonizante de Wagner Antichrist, sendo um clássico absoluto da banda, assim como um dos momentos mais marcantes de toda a discografia deles.
Death – Individual Thought Patterns” (1993)

Se o “Human” (1991) já mostrava uma evolução técnica considerável no som do Death, o disco seguinte, “Individual Thought Patterns” (1993), como um todo, é simplesmente soberbo, porém o trabalho de baixo de Steve DiGiorgio tornou seu nome lendário.
Tocando com seu fretless bass (baixo sem marcação de trastes, o que deixa o som do instrumento ainda mais puro), tudo o que foi composto por ele exibe um nível técnico complexo e admirável. E claro, juntamente ao timaço que gravou o disco, tendo ninguém menos que Gene Holgan na bateria, foi um casamento perfeito entre os instrumentos.
Seja pela complexidade de “Trapped in a Corner” ou pelo famoso final alternado com a guitarra de Chuck Schuldiner no clássico eterno “The Philosopher”, esse disco mostra todo o poderio de um gênio das quatro cordas.
Blood Red Throne – “Come Death” (2007)

O full lenght “Come Death” (2007) do Blood Red Throne é uma verdadeira aula de Death Metal. Mesmo que sua parte rítmica seja mais direta ao ponto, as linhas de baixo de Erland Casperssen realmente são algo a mais no álbum.
O som da banda em si já é algo pesado e muito bem gravado, mas assim como DiGiorgio fazia no Death, Erland agregou várias passagens que fogem dos riffs principais das músicas, o que dá um destaque absoluto ao instrumento, e elevou o nível musical do trabalho. O disco por si só é uma obra de arte, contudo “No New Beggining” e especialmente “Derranged Assassin” mostram todo o talento de Erland.





