
Dreadnought – “Emergence” (2019)
Profound Lore Records
#ProgressiveDoomMetal, #PostMetal, #Folk
Para Fãs De: Oceans of Slumber, Vintage Colour, Cult of Luna
Nota: 9,0
“Emergence” é daqueles álbuns que pedem por mais de uma audição, por uma maior disposição e tempo para compreende-lo, não que seja confuso ou de difícil assimilação, mas seu deleite e devida apreciação, vem por etapas; são múltiplas as camadas sonoras, diversos recortes e costuras entre as músicas e dentro delas. De certa forma há um apelo ao fator surpresa, ao inesperado, por ser um álbum cujo a meticulosidade caminha junto a sensibilidade, uma única audição acabaria por não fazer jus ao mesmo.
O Dreadnought vem numa crescendo de ótimos lançamentos e em seu novo capítulo discográfico, o resultado não será diferente, as composições de “Emergence” entrelaçam influências de Doom, Sludge, Progressivo e Post-Metal de forma singular.
O uso de de instrumentos como a flauta e o saxofone acrescentam um toque folk e psicodélico às mesmas, que vão de uma sonoridade rica e ambiciosa para algo mais viajante e lisérgico com a mesma qualidade e intensidade. A trinca de abertura do álbum exemplifica bem o que quero dizer: “Besieged” é mais calcada no Post-Metal, com ótimos trechos calmos em contraponto aos momentos tempestivos, “Pestilent” segue a mesma dinâmica, sendo mais longa, robusta, com passagens progressivas e inusitadas, ora bombásticas, ora delicadas e sultis, fechando a trinca temos “Still”, o momento transcendental do álbum, misteriosa e climática.
“Tempered”, é possivelmente a faixa mais ambiciosa de todo álbum, complexa, repleta de alternâncias e texturas, teclados psicodélicos, flautas “estranhas”, riffs que vão do Doom ao Post-Black e vocais que vão do angelical até a mais pura caos com uma emoção que poucos conseguem ter e passar. “The Waking Realm” se apresenta de forma calma, jazzística e vai ganhando força e peso aos poucos até explodir em riffs tortos e cáusticos, voltando momentaneamente a calmaria inicial e outra vez explodindo em vocais desesperados e riffs ensandecidos até seu final.
“Emergence” é um álbum que ganha o ouvinte aos poucos, que vai o conquistando de forma calma e morosa, tomando espaço e preenchendo lacunas, mas quando menos se espera ou quando você se dá conta, já está apertando o play repetidas vezes ou fazendo como eu, colocando no repeat.
Fábio Miloch





