
Dream Theater – “Metropolis Pt 2: Scene from a Memory” (1999)
Elektra Records
#ProgMetal
Para fãs de: Queensrÿche, Rush, Metallica, Pink Floyd
Nota: 10
“Feche seus olhos e comece a relaxar. Respire fundo, e expire devagar. Concentre-se na sua respiração. Com cada respirada, você fica mais relaxado. Imagine uma luz branca brilhante sobre você, focando nessa luz enquanto ela flui pelo seu corpo.
Permita-se viajar enquanto você entra cada vez mais fundo em um estado mental mais relaxado.”
Assim começa uma das principais obras primas do Dream Theater, grupo americano que vinha de críticas pesadas em “Falling Into Infinity” (1997) e apostou todas as fichas no que seria seu disco mais aclamado pelos fãs ao redor do mundo e até por aqueles que insistem em reclamar do estilo do grupo. Lançado em 1999, “Metropolis Pt 2: Scene from a Memory”, traz a tão sonhada continuação da história que tinha começado 7 anos antes, no espetacular, “Images and Words” com a faixa “Metropolis Pt 1: The Miracle and the Sleeper”, uma composição brilhante, cheia de momentos marcantes, trocas de andamentos com 9 minutos de pura inspiração se tornando um marco para o Prog Metal e uma das músicas mais pedidas pelos fãs nos shows.
“Metropolis Pt 2”, é um disco que reúne toda a técnica e genialidade que sabemos que as linhas instrumentais do Dream Theater apresentam em todos os seus trabalhos, mas aqui tudo isso fica, de certa forma, em “segundo plano”, graças a uma história que simplesmente prende o ouvinte do início ao fim, que em muitos momentos ganham traços digno de roteiro de Alfred Hitchcock. O conceito do disco gira em torno de Nicholas que está tendo sonhos estranhos, visões perturbadas e de alguma maneira tudo isso começa o deixar atormentado e obcecado pela busca dos fatos. Ao decorrer do álbum, a história se desenvolve de maneira envolvente, com o personagem principal sendo jogado para o ano de 1928, se juntando ao passado de uma maneira que ele consiga interpretar que o que está vindo à tona, necessitando ser desvendado.
A trama segue com o personagem principal tendo vários retalhos do teria vivido e ao passar das sessões de terapias e devaneios, tudo começa a fazer sentido; Nicholas entende que ele é a reencarnação de Victoria, a mulher que tanto aparece em seus sonhos e se assusta pelo fato dela ter sido assassinada. Um crime passional, uma paixão que envolveu os irmãos, Julian e Edward. Com tudo que é descoberto, Nicholas se enche de tristeza, “Through Her Eyes” é a nítida percepção que temos do fato e tudo segue muito confuso, com Nicholas se enchendo de achismo e, principalmente, se preenchendo de sentimentos ruins por ter a certeza que a morte de Victoria foi pelas mãos de Julian, que não aceitava a traição da amada e muito menos por saber que teria sido com teu irmão e esse é o começo do seu sossego, com Victoria finalmente descasando em paz.
Mas, o que parecia absoluta certeza, se perde a partir do instante em que tudo fora forjado por Edward, que descobriu que Victoria ainda se encontrava com Julian as escondidas e pretendia reatar o relacionamento com seu verdadeiro amor e o desfecho se concentra em “Finally Free”, um final perfeito para um disco que tem um fator importante: a forma brilhante como a banda conseguiu transbordar energia, com uma perfeita narrativa e interpretação de todos, seja nos vocais de James LaBrie ou na parte rítmica, onde o peso e rapidez dão lugar as melodias, com momentos de feeling se juntam as passagens ferozes fazendo com que o disco seja um verdadeiro épico, perfeitamente apresentado e facilmente absorvido por todos.
Com um disco desse calibre, não tem como apontar um único destaque. “Metropolis Pt 2: Scene from a Memory” é o perfeito ato de uma banda que revolucionou o Heavy Metal e colocou um disco conceitual como o seu melhor e brilhante trabalho de sua trajetória.
Aproveite esses 20 anos de seu lançamento e a vinda da banda ao Brasil executando o disco na integra e entre nesta viagem intrigante cheia de amor, traição e assassinatos e que ainda se encerra de forma surpreendente! Ouça e descubra.
William Ribas





