Stratovarius – “Infinite” (2000)

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Stratovarius – “Infinite” (2000)
Nuclear Blast
#PowerMetal

Para fãs de: HelloweenAngraSymfonia

Nota: 10

Existem álbuns em que a gente consegue se lembrar de tudo, traçar a linha do tempo exata, o primeiro contato, onde estava, o dia, o ano. Pois bem, “Infinite”, do grupo finlandês Stratovarius, é uma das obras que gostaria muito de jamais esquecer o tal momento mágico e o motivo e justamente por envolver pessoas que amo, por bater aquela displicência adolescente que envolvia umas belas palmadas.

A data era 15 de agosto de 2000, aniversário da minha mãe e como um pirralho de 15 anos na época, não tinha dinheiro para nada e qualquer coisa que eu quisesse comprar, tinha que ir juntando os trocos de mercado, açougue ou lanche da escola. Por ser data comemorativa, minha vó deu o dinheiro para o presente e lá fui eu comprar, mas por uma obra do destino ou já o vício, fui parar na cidade vizinha, numa loja que amava chamada Metal, em Santo André (SP), e os deuses do metal resolveram colocar mais uma surpresa no caminho, meu primo que lá estava com uma cópia de um álbum com cores azuis, mar, oceanos e golfinhos saltitantes em suas mãos, de um tal de “Stradivarius” (Sim, foi a primeira coisa que entendi na hora) e lá fui eu para mais uma outra cidade, para ouvir essa tal banda e o presente ficando de lado.

A primeira coisa que me chamou atenção foi saber que o cultuado Derek Riggs (Iron Maiden) era o responsável pela arte, que achei até ser ponto estranha, para não dizer infantil, mas tudo ficaria mais amplo e com um belo impacto nas primeiras notas das grudentas, empolgantes e com todos os requintes que músicas de metal melódico pedem, “Hunting High And Low” e “Milennium”. As 2 são justamente o que todo fã do estilo gosta de ouvir logo de cara no início de um álbum e eu olhava para o meu primo com cara de, que porra é essa, como você descobriu isso? De onde você tirou essas músicas tão complexas e e ao mesmo tempo fáceis?E esses agudos, o cara quer ser o André Matos? Era tudo o que girava em torno dos meus pensamentos.

Até o momento, naquele final de século 20, tudo que resumia a minha vida sonora tinha peso, gritos, riffs rápidos, e com “hate”, “death” e “kill” espalhados por todas as letras e ver que faltava isso, era de certo ponto confuso pensar que existia vida além das desgraceiras despejadas para todos os lados dos meus tímpanos juvenil.

“Mother Gaia”, trouxe momentos mais calmos, com um tom melancólico e com uma belíssima interpretação de Timo Kotipelto, que sabia como ninguém subir as notas, mas sem soar forçado. Após uma calmaria, sabemos que a regra é vir algo mais empolgante e pesado, “Phoenix” e “Glory Of The World” se encarregaram de fazer o disco voltar ao curso normal, com Jörg Michael (Bateria) e Timo Tollki (Guitarra) brilhando e comandando o que até aquele momento me fazia me sentir nas nuvens. Como era possível misturar velocidade, com melodias bonitas e elaboradas, vocais altos com um timbre tão sereno e comovente, com letras que eu não entendi nadinha no momento, mas que de certa forma me faziam acreditar que tínhamos que buscar o infinito, ir atrás de lutar por algo, natureza e proteção ambiental?

O disco seguiu e eu perguntava para o meu primo, o por que o disco se chamar “Infinite” e a música “Infinity”, obviamente ele não sabia e apenas respondeu, escuta e cale a boca! Por mais estupido que pareceu, foi a decisão mais correta. O fechamento com a “faixa título” traz um dos grandes ápices da história do Power Metal, você simplesmente encontra de tudo um pouco, aquele clima carregado, uma passagem mais acessível, com um comecinho acústico fazendo a cama para o peso vir e dominar a música com um refrão que até poderia estar sendo estragado pelo meu primo, que insistia ficar com o encarte cantarolando, mas a sorte que já estava hipnotizado toda aquela magia.

Após o encerramento do álbum, a única coisa naquele momento me dei conta é que estava atrasado, sem nenhum presente e sem ter avisado ninguém que estava a duas cidades da minha. Já lascado, a única coisa que me restou foi voltar para casa, passar numa floricultura, pegar uma flor mais em conta, guardar o troco para que no outro dia comprasse o meu “Infinite” e guardasse na memória esse dia, onde descobri um dos álbuns de minha vida.

William Ribas

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