Edu Falaschi – “Temple of Shadows In Concert” (2020)

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Edu Falaschi – “Temple of Shadows In Concert” (2020)
MS Metal Records
#PowerMetal#ProgressivePowerMetal

Para fãs de: AngraAlmah

Nota: 10

Jerusalém estava sob domínio islâmico por 457 anos quando o Papa Urbano II resolveu agir: em novembro de 1095, durante o Concílio de Clermont, a vossa santidade prometeu entrada garantida no Reino dos Céus a quem se voluntariasse para lutar pela retomada da cidade histórica. Ao ouvir a proposta que livraria suas almas pecadoras do inferno, os populares gritaram em coro: “Deus quer assim! Deus quer assim!”, ou em bom latim: “Deus le volt! Deus le volt!”.

Quase um milênio depois, os mitos envolvendo a reconquista de Jerusalém serviram de inspiração para o Angra criar o disco que é considerado por muitos o Magnum opus de sua carreira: o grandioso e técnico “Temple of Shadows”, que conta a história conceitual do cavaleiro conhecido como Caçador das Sombras em uma jornada de conhecimento, dor e descobertas.

Eis que o vocalista Edu Falaschi, agora em carreira solo, resolveu atender o seu próprio “Deus quer assim!” como uma espécie de chamado interno para reproduzir essa obra prima do metal nacional. E sem essa de menos é mais: a produção teve direito a orquestra completa, convidados de peso como Kai Hansen (Gamma Ray, Helloween), Sabine Edelsbacher (Edenbridge), Michael Vescera (substituindo Hansi Kürsch em “Winds of Destination”) e o brasileiríssimo Guilherme Arantes, que teve a missão cavaleirística de substituir Milton Nascimento em “Late Redemption”, e cumpriu seu chamado com excelência.

A Orquestra Bachiana Filarmônica, regida pelo genial Maestro João Carlos Martins, adicionou uma camada épica principalmente nas músicas com passagens lentas como “Waiting Silence” e “Wishing Well”, e outro destaque foi o timbre de teclado de Fábio Laguna que trouxe um tempero diferente acertando nos sintetizadores, principalmente em “The Temple of Hate”. A equalização geral só pecou um pouco na voz de Edu em certos momentos meio artificial e no timbre de alguns solos de guitarra muito estridentes.

Mas o intuito aqui é divertir os fãs. E vontade não faltou. O tracklist ainda trouxe canções de fora, como “Planeta Água”, de Guilherme Arantes (em dueto com Edu) e a Quinta Sinfonia de Beethoven, que proporcionou, juntamente com “Gate XIII” e “Deus Le Volt”, a introdução do show com seus mais de 10 minutos que deve ter matado de ansiedade os presentes!

Edu Falaschi acertou também em apostar tanto em clássicos da carreira (“Rebirth” e “Nova Era”) quanto nos trabalhos recentes da carreira solo (“Streets of Florence” e a excelente “The Glory Of The Sacred Truth”). Por fim, é preciso destacar a competência já mais do que comprovada de sua banda, que conta com a dupla de guitarristas Roberto Barros e Diogo Mafra (sempre com o tempo muito preciso), o baterista velho de guerra Aquiles Priester e o baixista Rafael Dafras.

Assim foi feito. Edu ouviu os clamores populares e o resultado foi esse: foco total em seu trabalho com o Angra. “Deus quis assim!”, e Deus deve ser muito fã do Angra, já que foi anunciado que 2021 o foco será a comemoração dos 20 anos de “Rebirth”. Os populares, é claro, ficarão satisfeitos. Mas talvez seja a hora de Edu começar a ouvir a voz que o impulsionará para a frente, rumo a discos novos, músicas inéditas e, por fim, novas cruzadas.

Gustavo Maiato

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