Entrevista com Lanvall e Sabine Edelsbacher (Edenbridge)

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ENTREVISTA COM LANVALL E SABINE EDELSBACHER (EDENBRIDGE)

Natural da Áustria, o Edenbridge é fruto de uma longa parceria entre o guitarrista Lanvall e a vocalista Sabine Edelsbacher. Combinando elementos de Power Metal com Symphonic Metal, a banda lançou discos aclamados, como “The Grand Design” (2007) e, mais recentemente, “Dynamind” (2019). O Metal Na Lata bateu um papo exclusivo com o casal, que comenta, separadamente, sobre algumas de suas principais composições e a coletânea que está preparando. Além disso, Sabine fala sobre a participação no ainda não lançado e amplamente aguardado DVD de Edu Falaschi gravado no ano passado. Boa leitura!

Por Gustavo Maiato
Fotos Divulgação

PARTE 1: ENTREVISTA COM LANVALL

Metal Na Lata: Como está a vida com a situação do coronavírus? Como vão você e sua família?

Lanvall: Tudo bem aqui. O ano passado foi uma loucura em termos de viagens e projetos, que eu absolutamente amei. No momento, está acontecendo exatamente o oposto e isso às vezes pode ser bastante chato, mas todos temos que tirar o melhor proveito disso.

 

Metal Na Lata: Em 2007, a banda pediu aos fãs que escolhessem quais faixas deviam entrar em “The Chronicles of Eden”, e acabou que ele também incluiu músicas novas! Já que a banda está pedindo a ajuda dos fãs mais uma vez, podemos esperar por novas músicas? O que você pode nos adiantar sobre esse novo “best of”?

Lanvall: É muito cedo para responder, pois mal começamos o projeto. Mas haverá pelo menos três músicas em versões inéditas. Será um CD duplo e incluirá material raro anteriormente disponível apenas em algumas edições especiais. A votação está indo muito bem até agora. Algumas músicas surpreendentes estão no topo.

 

Metal Na Lata: De onde surgiu o nome da banda? Você é religioso ou tem alguma inclinação espiritual?

Lanvall: Não temos absolutamente nada a ver com religiões, mas, sim, com espiritualidade. Entendo o nome da banda de outra forma, pois Edenbridge é uma cidade no Condado de Kent, na Inglaterra, e a partir daquele momento eu soube que era o nome perfeito para nós.

 

Metal Na Lata: Na página da Wikipédia do Edenbridge lê-se o seguinte: “Suas músicas podem ser descritas como uma mistura de Nightwish e Edguy, com um toque de Dream Theater”. Você concorda com essa descrição?

Lanvall: Na verdade não. Acho que nosso som se destaca por si. Mas eu entendo a necessidade que as pessoas têm de sempre comparar as coisas.

 

Metal Na Lata: Nos primeiros discos, o Edenbridge tinha mais velocidade, mais solos e elementos do Power Metal, como o bumbo duplo. Depois, acho que os álbuns ficaram mais “sinfônicos”, com menos velocidade e mais foco nas melodias. Como você vê essa mudança na maneira que a banda soa?

Lanvall: Você está certo. Muitas vezes, depende da música que você ouve, mas também queremos nos desenvolver como banda e compositores. Portanto, eu cheguei ao ponto em que coisas como o bumbo duplo me entediavam até a morte [risos]. Mas não se esqueça que o ritmo básico dessas músicas era muito mais lento do que muitas outras que fizemos depois. A diferença é que elas são muito mais variadas em ritmo.

Metal Na Lata: Em 2008, o Edenbridge lançou “MyEarthDream”, gravado com a Czech Film Orchestra. Você pode nos contar como foi essa experiência e o que você acha desse que considero o registro mais pesado da banda?

Lanvall: Foi uma experiência maravilhosa gravar com eles, mas também foi um dos dias mais difíceis da minha vida em termos de concentração. Um pequeno erro na execução da partitura e já era. Mas ter 52 músicos em um grande estúdio de TV tocando sua música é algo inacreditável.

 

Metal Na Lata: Infelizmente, o Symphonic Metal é conhecido por bandas que demitiram suas vocalistas, como Nightwish, Leaves’ Eyes e Xandria. Muitos fãs não aprovaram a maneira como essas partidas ocorreram. O Edenbridge, por outro lado, se sustenta na forte relação entre você e Sabine, afinal vocês são casados. Você pode nos contar sobre essa parceria de longa data?

Lanvall: Bem, nós nos conhecemos há muito tempo e desenvolvemos essa parceria ao longo dos anos, e é ver onde essa jornada nos trouxe. E acho que ainda há muito por vir.

 

Metal Na Lata: Falando sobre o último disco “Dynamind”, a música “On The Other Side” tem uma forte influência de folk, certo? Qual foi a inspiração para criar essa música que é, de alguma forma, diferente do resto das músicas de Edenbridge?

Lanvall: Esses dois temas são bastante antigos. Eu os encontrei em uma folha de papel onde também anotei ideias para o nosso terceiro álbum “Aphelion”, em 2003. Às vezes você volta às ideias depois e elas funcionam. Caminhei pela floresta e imediatamente tudo estava lá. Versos, pré-refrão e refrão. Então essa foi uma das músicas mais rápidas que eu já compus.

 

 

Metal Na Lata: A obra-prima do Edenbridge, na minha opinião, é o disco “The Grand Design”. Você pode nos contar sobre os conceitos por trás dele? Alguns anos após o lançamento do disco, Stephen Hawking lançou um livro com o mesmo nome. Essas ideias estão conectadas de alguma forma? Quero dizer, analisar como o universo funciona?

Lanvall: A faixa-título foi a primeira parte de uma trilogia que eu continuei com “MyEarthDream” e “The Last Of His Kind”. “The Grand Design” fala sobre o começo e o fim da terra, o Alfa e o Ômega. Portanto, temos esse macrocosmo na faixa-título e na abertura “Terra Nova”, que estão ligadas entre si. Essas são as duas grandes faixas épicas. As faixas no meio descrevem o estado diferente dos sentimentos de um ser humano durante a vida, então esse é o microcosmo.

 

Metal Na Lata: Podemos esperar novidades do projeto acústico Voiciano? Qual foi a importância deste projeto para você?

Lanvall: Não no momento. Logo após o álbum “The Bonding”, eu queria fazer algo diferente musicalmente. Em 2010, Sabine e eu tocamos uma pequena mostra acústica em Hanói (Vietnã), apenas piano e vocais. Isso foi realmente inspirador, então fundamos o Voiciano, um projeto acústico. Apenas instrumentos acústicos foram utilizados, portanto, sem bateria, guitarra ou teclado. Gravei a maioria das partes do piano ao vivo sem trilhas de clique e tudo seguiu. Em 2014, lançamos nosso primeiro álbum, “Everflow”. Desde então, existem muitos outros projetos a serem feitos, mas tenho certeza que voltaremos a fazer um álbum.

 

Metal Na Lata: Você acha que o Edenbridge preenche todas as suas ambições como músico? Quer dizer, se olharmos para a sua carreira, você realmente se concentrou na banda, certo?

Lanvall: Absolutamente. Tem sido uma jornada incrível até agora, com incríveis shows ao vivo e muitos países visitados. E ainda temos muito tempo pela frente. Desde que eu tenha ótimas ideias, vale a pena continuar a jornada. Devido à crise, onde nenhum show ao vivo pode acontecer, eu já estou de volta ao estúdio para trabalhar no próximo álbum.

 

Metal Na Lata: Pessoalmente, acho que o Edenbridge é uma das bandas mais subestimadas de todos os tempos. Vocês têm músicas fortes, uma carreira sólida com muitos ótimos álbuns, mas, de alguma forma, nunca tiveram a chance de vir ao Brasil, por exemplo. Como você vê essa situação?

Lanvall: Obrigado. Não posso dizer algo contra isso. Talvez esse também seja o preço a pagar quando você segue seu próprio caminho sem ligar para nenhuma tendência. Bem, pelo menos Sabine e eu fomos ao show do Edu Falaschi no ano passado, que foi uma ótima viagem. Edu e seu empresário, Juan Corral, são pessoas adoráveis. Nós nos divertimos muito em São Paulo e depois nos quatro dias que visitamos o Rio de Janeiro. O Rio era uma cidade que eu sonhava conhecer desde criança e esse sonho se tornou realidade no ano passado. Visitar o Pão de Açúcar e o Corcovado foi indescritível! E pude visitar o túmulo de Ayrton Senna no cemitério do Morumbi no aniversário de vinte e cinco anos de sua morte, em 1º de maio, o que foi uma experiência muito profunda.

 

Metal Na Lata: A Áustria não possui muitas bandas de Symphonic Metal conhecidas mundialmente, mas, recentemente, o Visions of Atlantis ganhou muita visibilidade. Como você vê a cena Metal no seu país? Você acha que o Visions of Atlantis pode, de alguma forma, voltar os olhos do mundo para a Áustria?

Lanvall: Não sei. O Visions of Atlantis viajou bastante nos últimos anos, e é por isso que eles deram esse passo. A Áustria nunca teve uma cena grande, mas ainda havia algumas bandas que chegaram à fama em outros lugares.

 

Metal Na Lata: Você toca teclado e violão. Como começou a tocar cada um deles e quais músicos o inspiraram?

Lanvall: Comecei a tocar piano aos sete anos de idade e tive aulas durante doze anos, onde também toquei algumas coisas pesadas de Chopin. Então aprendi baixo e violão sozinho e fui para o Instituto Americano de Música em Viena, onde estudei rock. Cresci com música clássica e cheguei ao metal aos 14 ou 15 anos. Desde o momento em que comecei a escrever músicas, eu queria juntar esses estilos. Adoro compositores clássicos como Anton Bruckner, Antonín Dvořák e Richard Strauss. No hard rock e heavy metal minhas inspirações são bandas como Dream Theater, Neal Morse, Threshold, Royal Hunt, Robby Valentine, Shadow Gallery e Marillion, que eu amo. Também adoro trilhas sonoras, artistas como Vangelis e, claro, música de culturas estrangeiras. Isso resulta no meu amor por instrumentos de cordas exóticos.

 

Metal Na Lata: Podemos esperar que a Edenbridge venha ao Brasil um dia? E que tal uma mensagem para seus fãs aqui?

Lanvall: Espero que sim! Agradeço a todos vocês, grandes fãs que seguem nosso caminho há vinte anos! Esperamos vê-los em breve!

 

PARTE 2: ENTREVISTA COM SABINE EDELSBACHER

Metal Na Lata: Olá Sabine! Você tem uma relação especial com o Brasil desde que participou do disco “Temple of Shadows”, do Angra, em 2004. Como foi participar desse disco?

Sabine: Essa foi uma grande honra para mim na época. Nós nos conhecemos em um estúdio na Alemanha, onde ambos gravamos nossos álbuns; o Edenbridge gravou o álbum “Shine”, em 2004. Ambas as bandas estavam hospedadas no mesmo local e, por isso, nos conhecemos melhor e acabamos ficando próximos. Eles me ouviram enquanto eu aquecia a voz para gravar e devem ter gostado, porque tiveram a ideia para o dueto poucos dias depois. Amei ambas as músicas – “Spread Your Fire” e “No Pain for the Dead” – e o álbum inteiro. Também tivemos uma ótima turnê europeia na sequência. Era incrível subir ao palco com o Angra todas as noites para cantar “No Pain for the Dead” com o Edu.

 

Metal Na Lata: E como foi participar do novo DVD dele no ano passado?

Sabine: Fiquei muito surpresa ao receber esse convite depois de tantos anos e fiquei muito emocionada com a ideia de ir ao Brasil. Recebi muitos e-mails de fãs no passado. E eu também estava um pouco nervosa. Era mais do que impressionante; o grande público, a energia no local e estar no palco com essa grande orquestra. Nunca experimentei algo assim antes. O próprio Edu é uma pessoa tão calorosa e os outros membros da banda são muito legais também. Foi tudo muito especial para mim.

 

Metal Na Lata: Como você se tornou cantora e quais são as suas referências como musicista?

Sabine: Desde criança, a música era uma linha direta ao meu eu interior mais do que qualquer outra coisa. Reconheci logo que a música trazia para mim, para minhas emoções e para minha força interior, o que eu definiria como alma hoje.

Minha mãe apoiou meu caminho. Ela adorava cantar comigo sem restrições e sem ter o objetivo de alcançar algo. Passávamos tardes inteiras assim e nos divertíamos muito. Além do fato de eu não ter crescido com ela, esse terreno comum nos uniu e isso vai durar uma vida inteira.

Além disso, trabalho na formação da minha voz desde criança. Me esforcei muito para que minha voz soasse bem. Gravava tudo com um simples gravador de fita cassete e ouvia tudo com ouvidos críticos. Isso sempre me deu muito prazer.

Meu desejo era me tornar uma cantora profissional, embora eu nunca tenha pensado sobre o estrelato, a fama ou qualquer outra coisa. Também nunca tive ninguém como exemplo; sempre escutei minha voz interior ao cantar. Cantei em corais quando criança. Mais tarde, tive aulas com uma professora muito boa, que me colocou nos eixos com seus exercícios de respiração e corpo, os quais ainda pratico.

O maior desafio para mim foi seguir o desejo interior de expressar meus sentimentos na frente de uma plateia. Porque, por um lado, eu não desejava nada além de tocar outras pessoas com a minha voz, por outro, era o meu maior medo estar sobre o palco e atrair todos os olhos da plateia. Minha única experiência ao vivo anterior ao Edenbridge foi apenas uma banda feminina de pub onde eu era guitarrista e depois virei cantora, então eu não estava na frente.

Com o Edenbridge, eu entrei como que na “água fria” em pleno ano 2000, porque mudamos de um projeto para uma banda com o nosso primeiro CD “Sunrise in Eden” e, imediatamente, saímos em turnê pela Europa. Isso foi pesado para mim. Mas logo reconheci como a música de Lanvall me agradava e como o poder dos garotos da banda estava se espalhando em mim, e que eu podia me aventurar lá fora. Encaro isso como um processo de desenvolvimento ao longo da vida.

Metal Na Lata: Você gosta de atuar em videoclipes? Na sua opinião, qual a importância dos aspectos visuais no Heavy Metal?

Sabine: É claro que gosto de representar nossa música em vídeos. É muito importante alcançar as pessoas visualmente, embora a música em si seja mais importante para mim. É uma pena que, às vezes, seja o contrário na cena. Mas é claro que é um pacote que representa uma banda e sua música e, se tudo for coerente, a banda parecerá autêntica. É isso que as pessoas querem ver. Músicos de verdade que estão transmitindo sua mensagem com sentimento e expressão e se divertem fazendo isso.

 

 

Metal Na Lata: Você pode nos contar sobre sua parceria e relação com Lanvall? Quer dizer, no Symphonic Metal muitas vocalistas deixaram suas bandas, mas você persiste!

Sabine: Nós nos conhecemos no clube onde eu normalmente me apresentava com minha banda. Lanvall me conquistou ao tocar minha guitarra. Tivemos uma longa noite juntos, enquanto os outros foram deixando o local. Eu realmente desejei ter aulas com ele e lhe dei meu número de telefone. Um dia depois, ele me ligou. Aí nos tornamos um casal. Isso aconteceu há 25 anos. É incrível quando olho para trás e vejo quantas coisas aconteceram. É claro que também tivemos momentos difíceis, mas também aprendemos a superar eles. A conexão entre nós é muito mais profunda do que quaisquer problemas que tivemos durante os anos. Acho que você também pode ouvir isso em nossa música.

 

Metal Na Lata: E em relação ao coronavírus, como está sendo?

Sabine: Na Áustria, temos muito menos pessoas infectadas, e foram implantadas medidas extremamente rigorosas. Eu me sinto muito privilegiada, pois vivemos no interior. Nossa família também está segura. Somos capazes de nos refugiar na floresta sempre que queremos e isso é importante. Mas estamos muito preocupados com o que está acontecendo no mundo. Lanvall e eu tentamos manter o alto astral, embora isso não seja fácil no momento. Lanvall começou a escrever músicas para o próximo álbum e para seu projeto de filme “Über Österreich”, um projeto de filme onde a Áustria é filmada de cima. Meu trabalho como coach e professora de canto online teve um pico nas últimas semanas. Na Páscoa, gravei a faixa-título do último álbum, “Dynamind”, porque acho que tem uma mensagem importante para o mundo. Isso significa não lutar, mas manter o equilíbrio entre a força e usar a energia para um maior desenvolvimento. Todos nós precisaremos disso para o futuro e espero que funcione bem.

 

Metal Na Lata: Por favor, deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros!

Sabine: Obrigado por seu grande apoio, queridos brasileiros. Embora não tenhamos feito shows aí até agora, vocês ainda acompanham a nossa música. Essa é uma grande honra para nós e esperamos visitá-los em um futuro próximo. Abraços e tudo de bom da Áustria!

 

Mais informações:

www.facebook.com/EdenbridgeOfficial
www.edenbridge.org

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