
O grupo paulista Torture Squad é um dos pilares da música pesada no Brasil e mesmo com todas as mudanças na formação, sua música continua intacta e, agora, revigorada! Conversamos com a nova vocalista, Mayara Puertas. Confira!Por William Ribas
Metal Na Lata: O Ep “Return Of Evil” é o seu primeiro trabalho com a banda, qual foi sua sensação ao gravar pela primeira vez com eles?
Mayara Puertas: Toda vez que se entra em estúdio é uma grande oportunidade de aprendizado e crescimento, e com o Torture Squad não podia ser diferente. Tivemos a oportunidade de gravar no Na Cena estúdios, sob produção de Wagner Meirinho. Utilizei um microfone que me dava liberdade de me movimentar em qualquer posição, o que me proporcionou transmitir muita emoção naquilo que cantava. Foi muito bacana poder colocar minha pegada nos sons novos, e também na regravação de “Dreadful Lies”.
Metal Na Lata: “Return Of Evil” traz um Torture Squad voltado novamente mais para o Death Metal. Foi um caminho natural graças ao seu vocal mais agressivo ou foi algo pré-determinado?
Mayara Puertas: O Torture Squad sempre foi uma banda que caminhou entre o Death e o Thrash Metal. Isso rola naturalmente conforme o ‘feeling’ das músicas.
Metal Na Lata: A faixa instrumental, “Iron Squad”, é bem diversificada com momentos mais lentos, ora suaves ora bem explosivos. Será que em algum momento podemos ter algum tipo de “balada” Death Metal com você alternando vocais limpos e guturais?
Mayara Puertas: Hummm, com certeza não há intenção de fazer algo do tipo pois somos uma banda de Death/Thrash Metal e este é o nosso estilo. “Iron Squad” é uma composição é do Rene que ele havia feito antes de entrar na banda. Um dia ele nos mostrou e achamos a composição bacana e que se encaixaria no nosso EP. Sempre exploramos a diversidade em nossas músicas mas, em meu ponto de vista, voz limpa é algo que não se funcionaria muito bem em nossas músicas. Talvez usaria-a dessa forma como um arranjo, mas nunca como voz principal.
Metal Na Lata: Qual é o seu disco favorito do Torture Squad?
Mayara Puertas: “Hellbound”.
Metal Na Lata: Uma grande maioria tem a ideia de que sair em turnê é só mil maravilhas, o que não é verdade. Vocês fizeram 27 shows em 32 dias no Brasil, como foi essa loucura?
Mayara Puertas: É uma rotina corrida, onde a van é sua casa. Passamos a maior parte do tempo na estrada. É muito cansativo e normalmente só há tempo para montar e desmontar os equipamentos para voltar à estrada. Mas tudo valeu muito a pena, e a troca de energia com os fãs compensa qualquer cansaço.
Metal Na Lata: O Torture Squad irá gravar um cover do Motörhead para um tributo, qual é a importância de Lemmy para o Heavy Metal?
Mayara Puertas: O Motörhead foi a banda que definiu o que era ser agressivo. Acho que se o Black Sabbath trouxe a obscuridade e, com certeza, o Motörhead trouxe a agressividade. Lemmy sempre transmitiu uma imagem muito grande de liberdade, ao menos para mim, mas uma liberdade muito ligada à rebeldia. Ouvir Motörhead é como acordar! Se você esta tendo um dia de merda escute a voz do mestre Lemmy. sempre vai ter algo a te dizer!
Metal Na Lata: O último álbum do Torture Squad, “Esquadrão da Tortura”” foi um disco conceitual, o que podemos esperar para próximo?
Mayara Puertas: No próximo disco não há um conceito, pois exploramos diversas temáticas que vão desde coisas que aprendemos na vida até grandes figuras que nos inspiram, desde o mais acessível até o mais obscuro.
Metal Na Lata: Você é da região do ABC Paulista, celeiro de muitas bandas clássicas, hoje em dia tem alguma banda da região que te chama bastante atenção?
Mayara Puertas: Das bandas do ABC, a que mais tenho escutado tem sido o Ocultan, que já vem há anos trilhando seu caminho. Destacaria, também, a banda Justabeli, que está com um ótimo material sendo divulgado.
Metal Na Lata: O Rock e o Metal sempre foram sinônimos de rebeldia. Sempre quebrar as regras mas, ao mesmo tempo, parece que existe um “livro de regras” onde o headbanger parece por muitas vezes segui-lo cegamente. Para você, realmente é necessário ter regras no estilo de se viver o Metal?
Mayara Puertas: Eu comecei a ouvir Heavy Metal justamente por toda a liberdade que bandas como Motörhead, Iron Maiden e Black Sabbath me inspiraram. Sempre indo na “contra mão” do que a sociedade me dizia para fazer, e eu realmente não me encaixava como uma pessoa comum, queria pensar fora da caixa e expor meus pensamentos, e o Heavy Metal me abriu essa porta. Podem ter coisas no Heavy Metal que eu não concorde, mas aquilo que é verdadeiro permanece e o que não é se dissipa com o tempo. Você não precisa ensinar ou impor nada a ninguém dentro do Heavy Metal.
Metal Na Lata: Para finalizar, qual conselho você daria para mulheres que estão afim de montar uma banda, cair na estrada e tentar o sucesso?
Mayara Puertas: Bom, eu diria para qualquer pessoa, homem ou mulher, se você quer realmente alguma coisa faça! Não espere por ninguém, vá atras e faça acontecer, aprenda a tocar/cantar e pode ter certeza que sempre há mais pessoas querendo o mesmo que você. É assim que surgem as bandas. Tudo que se quer de verdade vai exigir de você tempo e comprometimento, e é sempre bom se questionar até onde você esta disposto a se sacrificar para chegar onde almeja. O caminho é árduo e é preciso estar muito convicto para não desistir.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, o espaço final é todo seu.
Mayara Puertas: Obrigada pelo convite e pelo espaço. Agradeço, também, aos leitores que nos acompanham. Grande abraço.





