Entrevista com Pablo Barros (BRUTALLIAN)

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Colhendo os bons frutos do primeiro álbum “Blow On The Eye”, o grupo maranhense Brutallian concedeu uma entrevista exclusiva para o Metal Na Lata  onde conta sobre o início da carreira e detalhes sobre os próximos passos. Confira a seguir.

Por William Ribas

Metal Na Lata: Como a banda surgiu e por que Brutallian?

Pablo Barros: O Brutallian surgiu por insatisfação com o momento em que a cena de nossa cidade passava, que era um tipo de bipolaridade de estilos. Queríamos fugir do que todos estavam fazendo na época por aqui, então, nos juntamos para mesclar influências e acabou surgindo essa nossa identidade. O nome veio pela nossa total incapacidade de batizar a banda de forma razoável, aí como queríamos fazer um Heavy Metal “brutal”, demos uma estilizada na palavra e deu no que deu.

Metal Na Lata: Brutallian foi criado em 2002, mas somente em 2015 foi lançado o primeiro álbum, “Blow on the Eye”. Por quê a demora para lançá-lo?

Pablo Barros: Várias coisas aconteceram nesse período. Mudanças de integrantes, formaturas, começamos a trabalhar, além da parte financeira que nos impossibilitava de gravar com profissionalismo. Pelo menos, uma coisa essa demora nos trouxe de positivo, pois, se tivéssemos gravado antes, provavelmente o CD não sairia na qualidade que saiu, já que não haviam estúdios com background de heavy metal por aqui na época.

Metal Na Lata: O disco é bastante pesado , tem músicas rápidas, cadenciadas mas sempre tendo o peso como carro chefe, foi algo que vocês já tinham em mente antes de começar a gravar?

Pablo Barros: Com certeza! Essa sempre foi a proposta desde que criamos a banda. O peso tem que ser cavalar. Várias pessoas dizem que somos uma banda de Heavy/Thrash e eu concordo. Essas influências são latentes em nosso som. E pode esperar que o segundo CD será ainda mais pesado.

Metal Na Lata: E continuando a pergunta anterior, qual é a importância de ter um álbum balanceado com músicas pra se bater cabeça e outras para se cantar juntos com refrões grudentos?

Pablo Barros: Isso é bem natural pra nós. A verdade é que somos uma banda coesa e democrática. Nós simplesmente juntamos todas as nossas influências e tentamos dar um direcionamento uniforme; sempre nos preocupamos em ter uma identidade, independente de soar original, o que é quase impossível nos dias de hoje, mas, ter uma identidade é importante. Nós nem temos um modelo de composição fixo. Às vezes a música começa do riff, às vezes de uma melodia vocal ou até do refrão. A grande verdade é que fazemos música de headbanger para headbanger, ou seja, músicas super-rápidas pra galera ficar insana, cadenciadas com groove para baterem cabeça, refrãos poderosos para cantarem conosco; tudo o que nós, enquanto expectadores gostaríamos de assistir e ouvir, nós tentamos prover para o público.

Metal Na Lata: Na hora da composição já dá pra imaginar a reação das pessoas com músicas como “Black Karma” ou “Primal Sigh”?

Pablo Barros: Sim, e é totalmente natural, como expliquei, fazemos esse som porque gostamos e porque é extraordinário compartilhar esse sentimento com o público. É totalmente genuíno. Geralmente essas músicas que você citou são as duas primeiras do show, então, nós já chegamos com o pé na porta.

Metal Na Lata: A banda apostou bastante nos clipes, lançou 5 vídeos para divulgação do álbum, qual a importância de se apostar neste tipo de mídia hoje em dia? Como vem sendo a repercussão da turnê?

Pablo Barros: Hoje em dia é impossível ficar alheio às mídias virtuais. Esse é um aspecto do mercado que damos o nosso máximo para entregar algo de qualidade, assim como todo o conceito sonoro e visual por trás da banda. Tentamos mostrar pros fãs que fazemos algo de primeira linha para que eles sintam segurança em consumir. O mesmo acontece em nossos shows. Desafio qualquer um a ir em alguma apresentação nossa e sair insatisfeito, pois nós entregamos tudo o que temos ali.

Metal Na Lata: Qual é o público do Brutallian, o fã de Thrash Metal ou de Metal Tradicional? A banda lançou a cerveja Pain Masterbeer, hoje em dia esse é o caminho para conseguir se viver de música, já que infelizmente CDs já não vendem tanto?

Pablo Barros: Nós sempre estivemos no limiar do público, mas, nunca pensamos em tentar atingir um nicho ou outro, apenas fazíamos nossas músicas do nosso jeito. A questão é que existem várias pessoas como nós por aí, pessoas que tem um gosto amplo no que diz respeito a rock pesado. E é por isso que sempre fomos respeitados, porque sempre fizemos algo verdadeiro e com peso, então, o fã de thrash gosta do nosso som, o tradicional também, o de rock clássico também e por aí vai. Em relação à cerveja e outros produtos, posso dizer com propriedade que todos os outros produtos vendem mais que os CDs. Para você ter uma idéia, ainda tenho pilhas de CDs em minha casa, enquanto as camisas e as cervejas já acabaram faz tempo e temos que providenciar outros lotes. Não sei exatamente se esse é o caminho, mas, acredito que é um dos caminhos. Na verdade ninguém do Brutallian vive de música, todos nós trabalhamos em algo não musical e a banda é toda bancada por esses trabalhos. Tudo o que já lançamos não conseguiu se pagar com as vendas, mas, ainda assim, insistimos.

Metal Na Lata: No Maranhão temos excelentes bandas que estão se destacando na cena, além de vocês temos o Fúria Louca, Jackdevil e Púrpura Ink, como é o cenário Heavy Metal do Maranhão?

Pablo Barros: O Maranhão passa por um momento intrigante, pois, apesar das bandas terem atingido um nível de profissionalismo e qualidade realmente diferenciados, o fantasma do público pulverizado também atingiu nossa cidade (assim como o país como um todo, acredito). Quando o Brutallian começou, não tínhamos essa estrutura que temos hoje e tinha muito mais público em shows. Hoje é um pouco mais complexo. Ainda acredito que seja algo cíclico e que em algum momento a necessidade de consumir esse som voltará, então, nos resta continuar trabalhando e sempre tentando acertar. Essas bandas que você citou são todas de amigos nossos, e todos passam por coisas similares.

Metal Na Lata: Alguns anos atrás tivemos o infeliz episódio do Metal Open Air que seria realizado em São Luis, você acha que de algum modo os problemas que ocorreram no festival afetaram no crescimento de shows internacionais no Maranhão?

Pablo Barros: Talvez sim, mas, nós sabemos que os bastidores de todo o movimento são nebulosos, então, pode ter rolado uma desconfiança a princípio, mas, depois passou. O que acho é que existem poucos produtores de shows pesados aqui e o principal era justamente o do MOA. E antes desse fiasco citado, houveram vários shows aqui e eu não vi ninguém reclamando até então. As bandas também já organizaram vários eventos aqui. Nós, o Tanatron, o Jackdevil, o Fúria Louca e muitas outras são responsáveis por não deixar a chama apagar por aqui, apesar de todas as dificuldades. A questão é que não há ninguém com poder aquisitivo ou que queira correr o risco de levar um prejuízo em trazer uma banda grande para cá, como já aconteceu no passado.

Metal Na Lata: Muitos dizem que o segundo disco é o mais importante para uma banda, o que podemos esperar do próximo trabalho?

Pablo Barros: O nosso segundo já está em processo final de composição e posso garantir que será um grande passo na evolução de nosso som, além de mais pesado. Se tudo der certo, iremos lançá-lo ainda em 2017. Acreditamos que temos que evoluir a cada álbum de modo que sempre haja empolgação para o público e estamos preparando um álbum ainda mais marcante.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, espaço final é todo seu.

Pablo Barros: Nós que agradecemos à recepção de sempre. Temos tido um apoio excelente da mídia especializada, o que ajudou a divulgar a banda em vários lugares. Queria convidar todos os bangers para continuar nos seguindo e aos que ainda não nos conhecem, ouçam pelo menos uma música, pois sei que vão gostar. Aproveito para dizer que o Brutallian é uma banda de banger para banger e vamos continuar na luta sempre, então, nos vemos por aí. Hail Brutallian!!!

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