Entrevista com Ryan Clark (Demon Hunter)

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Em novembro de 2018, a banda Demon Hunter surpreendeu seus fãs com o anúncio de não um, mas sim dois novos álbuns que seriam lançados simultaneamente: “War” abordando o lado mais pesado e agressivo da banda e “Peace” indo de encontro ao lado melódico e “suave” do quinteto americano. Você pode conferir a nossa resenha para os álbuns aquiTivemos a oportunidade de conversar com Ryan Clark (vocalista) para falar sobre esses lançamentos, além de abordar a questão da infame turnê que iria acontecer no Brasil em 2018, dentre outros detalhes. “War In Every Breath / Peace Only In Death”!!!

Por Márllon Matos
Fotos Solid State Records

Metal Na Lata: Como, ou de onde, surgiu a ideia de se lançar 2 álbuns de uma só vez e quais foram as “complicações” que isto trouxe para o planejamento da banda?

Ryan Clark: Estávamos sentados no conceito de fazer 2 álbuns simultâneos e esteticamente polarizados faz algum tempo. Sabíamos também que seria uma tarefa muito grande, então esperamos o tempo certo para fazer isto. Com a ajuda que agora recebo de Patrick nas composições, o volume de músicas necessárias foi finalmente uma realidade. Além disso, lançar os álbuns 9 e 10 ao mesmo tempo pareceu ser a oportunidade perfeita para isto acontecer.

Metal Na Lata: “War” e “Peace” não são apenas “álbuns gêmeos”, eles também representam as 2 facetas sonoras principais do Demon Hunter, agressividade/suavidade. O processo de composição foi diferente do habitual por já existir um direcionamento ou tudo fluiu como sempre? Há composições antigas que foram reaproveitadas aqui?

Ryan Clark: “War” definitivamente aconteceu mais fácil. Sendo que um álbum comum do Demon Hunter é primariamente pesado, escrever as faixas pesadas é bastante normal. Quando chegou a hora de compor “Peace”, então ficou um pouco diferente. As primeiras composições vieram facilmente, mas assim que prosseguíamos, eu começava a pensar mais sobre o estilo de música demonstrado no álbum. Nunca foi a intenção fazer um álbum acústico totalmente despojado ou algo do tipo, então eu sabia que músicas bem diretas provavelmente definiriam o nível básico, mas eu procurava ter a certeza de que ainda explorávamos um alcance enquanto tínhamos liberdade para tal. Canções como “Recuse Myself”, “When The Devil Come” e “Fear Is Not my Guide” são uma importante parte da diversificação deste álbum. Nenhuma composição antiga foi usada nos álbuns. Toda música foi criada especificamente para cada um deles.

Metal Na Lata: Essa formação já está junta a cerca de 8 anos e foi responsável por gravar metade da discografia do Demon Hunter. Qual o segredo de atingir tamanha longevidade com uma mesma formação?

Ryan Clark: Para começar, não somos uma banda que faz turnês o tempo todo, o que faz tocar ao vivo permanecer divertido. Também não vivemos todos na mesma região, então quando estamos todos juntos para gravar ou ensaiar é como se fosse uma incrível reunião. E o mais importante, é que descobri que para manter isso a longo prazo você precisa estar cercado de amigos e pessoas capazes de navegar na idiossincrasias dos outros.

Metal Na Lata: Algo que os fãs sempre esperam são as versões de luxo de seus lançamentos e novamente vimos que será algo caprichado e feito com muito esmero, ainda mais em tempos onde a música é cada vez mais consumida digitalmente. Rola uma pressão para sempre fazer algo melhor e mais atraente que o projeto anterior?

Ryan Clark: Fazer cada edição de luxo ainda melhor a cada vez é definitivamente algo a se lidar. No final, o mais importante para mim é que eles são todos um pouco diferentes, todos eles são algo do Demon Hunter, todos eles são incríveis e dignos do investimento. Como alguém que coleciona edições especias/de luxo de cada um dos meus artistas favoritos, estar apto para oferecer algo único para cada um dos álbuns tem sido um grande prazer.

Metal Na Lata: Este ano se comemora o 10º aniversário de “Live In Nashville”, o único trabalho ao vivo da banda. Existem planos para um lançamento em novo formato?

Ryan Clark: Não há planos pra uma edição de 10 anos do álbum ao vivo, embora existam algumas comemorações de 20 anos no horizonte. Fiquem atentos para algo incrível.

Metal Na Lata: Um assunto que não podemos deixar de abordar é sobre a questão da turnê no Brasil. Ela estava marcada para acontecer originalmente em janeiro de 2018, mas por conta de motivos particulares precisou ser adiada, mas até o momento não temos notícias de como está a situação real dos shows, se eles vão de fato acontecer, se será esse ano, etc. O que é possível nos adiantar?

Ryan Clark: Agendamento de turnês, e de shows em geral, é quase que como uma ciência para nós. Levando em conta que a maioria de nós tem uma carreira fora da banda, o agendamento pode ser muito dificultoso. Geralmente planejamos com antecedência e é provável que algumas coisas não se alterem do plano original, mas se as coisas mudarem ou precisarem ser reprogramadas, pode ser difícil encontrar esse tempo oportuno novamente, especialmente quando se trata de viajar para fora do país. Fazer isto é algo caro e demorado e se todas as peças não se alinharem, fica complicado de justificar. Houve uma série de fatores apresentados que fizeram ser bastante difícil deixar o meu país por uma semana. Uma coisa que aprendi nessa situação é que alegar “assuntos pessoais” aparentemente não é o suficiente para angariar qualquer nível apropriado de respeito sobre o assunto, já que o incômodo tem sido incessante pra dizer o mínimo. Mais especificamente o que aconteceu foi que 2 pessoas da minha família morreram nesse período de tempo e seria extremamente insensível de minha parte fazer os shows em vez de comparecer aos funerais.

Metal Na Lata: A banda tem a tradição de repaginar algumas de suas composições em versões acústicas. Um álbum no formato é algo que pode acontecer mais para a frente na história da banda?

Ryan Clark: Este é outro conceito que está no nosso radar faz algum tempo. Haverá um momento certo para isso, mas pretendemos em fazer alguma variação desta ideia.

Metal Na Lata: Em algum momento chegaram a pensar em fazer de “War” e “Peace” um único trabalho, mesclando as faixas de ambos?

Ryan Clark: Não, a intenção sempre foi produzir 2 coleções de músicas autônomas. Eles foram feitos para serem experimentados individualmente.

Metal Na Lata: A sonoridade dos novos trabalhos vem de acordo com o que foi apresentado em “Extremist” (2014) e “Outlive” (2017) e, não por acaso, ambos passaram pelas mãos de Zeuss, renomado profissional da área da mixagem e masterização. Como é trabalhar com alguém que tem em seu currículos nomes como Iced Earth, Dee Snider, Suffocation e outros, e o que ele trouxe de especial para o Demon Hunter?

Ryan Clark: Bem, a razão pelo qual Zeuss foi o primeiro a quebrar a tradição em fazer 2 álbuns do Demon Hunter é porque eu amo o trabalho dele. Para mim, a qualidade de som de Zeuss é atemporal, pois quando eu escuto o “Extremist” (2014), percebo que é uma mixagem que eu estaria feliz em ter hoje em dia.

Metal Na Lata: Jeremiah não é só um excelente guitarrista como também é o produtor da banda. Essa dupla jornada não deve ter sido das mais fáceis, ainda mais que tivemos 2 álbuns sendo gravados ao mesmo tempo. Em algum momento o lado produtor teve que pesar mais e levar a um  direcionamento diferente do que a banda planejava?

Ryan Clark: Jeremiah tende a levar tudo em consideração. Ele sabia que este seria um grande esforço, mas para ele acabou sendo muito fácil. Definitivamente tivemos momentos em que ficou claro que era muito a ser feito,  mas acho que no geral fizemos um ótimo trabalho garantindo que esse longo processo continuasse divertido. Ter Jeremiah como um produtor residente não quer dizer apenas que temos a habilidade de fazer as coisas fluírem melhor, mas também que extrair conceitos como esses dois álbuns simultâneos pode ser uma realidadeNo fim do dia, não precisávamos reservar mais tempo de estúdio ou agendar com um produtor de fora e, honestamente, esses foram os maiores fatores na gravação de um álbum.

Metal Na Lata: A banda relançou ano passado “The Blessed Resistence”, o fã clube oficial do Demon Hunter. O mesmo vem totalmente repaginado e com atrativos quase que diários trazendo material em primeira mão para os assinantes, curiosidades e diversas informações. O qual importante está sendo para vocês essa conexão banda/fã?

Ryan Clark: A versão reimaginada do Blessed Resistance tem sido planejada faz uns 3 anos. Este é um grande empreendimento para nós da banda e acredito que seja o primeiro do tipo. Nosso objetivo é levar a conexão banda/fã a um lugar diferente de tudo o que já foi feito antes. Nós 5 estamos trabalhando juntos aproximadamente todo dia para criar conteúdos como podcasts, tutoriais, blogs e muito mais. Este conceito nos permite funcionar efetivamente como uma entidade em tempo integral, mesmo quando não estamos em turnê, etc. Os planos que temos para o “The Blessed Resistence” no futuro são massivos e, novamente, aumentam o limite da interação comum esperada entre fã e banda.

Metal Na Lata: Ryan, seu vocal apresentou propostas bem diversificadas nestes trabalhos, seja apresentando uma abordagem bem rasgada em “Cut To Fit” a plena calmaria de “Fear Is Not My Guide”. Como você trabalha a sua voz atualmente para que a mesma flua bem tanto em algo mais cantado como “berrado”?

Ryan Clark: Cantar é algo natural para mim, o que requer menos pratica ou planejamento. Gritar obviamente já é algo que faço com menos frequência, então quando eu estou na zona de gravação das partes vocais mais agressivas, é importante para mim que eu as faça no mesmo intervalo de tempo, para que a minha voz permaneça broke-in.

Metal Na Lata: Muitos fãs tem desgostado dos caminhos trilhados atualmente pelo Demon Hunter, reclamando da falta daquela agressividade dos primeiros anos. Particularmente acho difícil tais críticas terem base depois que ouvirem “War”, mas o que vocês pensam de comentários assim? Chegam a afetar a banda de alguma forma ou vocês simplesmente seguem o jogo normalmente?

Ryan Clark: Eu não dou muita atenção para esses comentários, então coisas assim definitivamente não influenciam as composições. Penso que o que fazemos hoje em dia é a progressão natural do caminho que escolhemos a quase 18 anos atrás e penso que nós mudamos menos do que a maioria das bandas que estão próximas dos 20 anos de existência. Escutem o Underoath dos primórdios e o de hoje ou o Bring Me The Horizon, Deftones, Avenged Sevenfold… Todos mudam com o tempo e o alvo é equilibrar as mudanças com os elementos que os fãs mais gostam e se olharem as estatísticas, é claro que os fãs do Demon Hunter apreciam mais o lado melódico da banda do que o pesado.

Metal Na Lata: Pude ouvir “Gunfight” e lhe digo que perderia com prazer um dente durante o moshpit em uma apresentação dela ao vivo. O qual dificultoso para vocês é escolher qual faixa vai ficar para bônus? Temos algo que sobrou das sessões de gravação de “War” and “Peace” além das 22 faixas anunciadas na edição de luxo?

Ryan Clark: Definitivamente é bem difícil selecionar um track list e, quando terminamos a seleção das músicas que todos nós amamos, é mais árduo ainda escolher aquela que será a “faixa bônus”. Todavia, nesta era digital, é um consolo que uma música seja amplamente ouvida, mesmo que não esteja no track list regular. Isso é mais aparente para nós já que “I Am A Stone” (faixa bônus do álbum “True Defiance” lançado em 2012) é de longe a música mais escutada da banda nas plataformas de streaming.

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