
Uma década antes de o grunge dar as caras no início dos anos 1990, a cena musical de Seattle produziu bandas emblemáticas como Metal Church e Queensrÿche. Inspirado pelo sucesso desses, que abdicaram das apresentações em clubes locais para escrever, gravar e lançar suas próprias músicas, o Fifth Angel seguiu um caminho similar. Foram dois álbuns lançados — “Fifth Angel” (1987) e “Time Will Tell” (1989) — antes de a banda se separar sem nunca ter feito um show sequer. Quase trinta anos depois, eles estão de volta com “The Third Secret”, lançamento de peso que deve figurar em inúmeras listas de melhores do ano do metal. Conversamos com o baixista e fundador da banda, John Macko, sobre o passado, o presente e o futuro do Fifth Angel. Acompanhe!
Por Marcelo Vieira
Fotos divulgação
Metal Na Lata: Como vocês se sentem neste tão esperado retorno às atividades, recebendo o carinho de tantas pessoas que desejaram muito que isso acontecesse?
John Macko: Estamos muito lisonjeados e nos sentimos honrados por ter os melhores fãs em todo o mundo!
Metal Na Lata: “The Third Secret” soa mais metal que os dois álbuns anteriores da banda. O que vocês tinham em mente durante o processo de composição deste material?
John Macko: Queríamos capturar a essência e o estilo dos dois primeiros álbuns, mas adaptando a música aos dias de hoje com uma melhor produção e um som mais pesado.
Metal Na Lata: Quando ouvi Kendall (Bechtel, guitarrista) cantando pela primeira vez, fiquei me perguntando: “Será que foi realmente necessário tentar fazer a coisa funcionar com tantos vocalistas até eles perceberem que a melhor solução estava ali o tempo todo?”. O que me diz?
John Macko: Nós sempre soubemos que Kendall era um grande cantor, mas nunca passou por nossas cabeças colocá-lo para cantar porque ele já tocava guitarra, mas, quando chegou a hora de fazer esse disco, Ken (Mary, baterista) sugeriu que experimentássemos Kendall, e funcionou perfeitamente!
Metal Na Lata: Em termos de letras, percebo que há muito uso de metáforas; de cenários fantasiosos para ilustrar e criticar as situações atuais do mundo. Existe alguém que é o principal letrista ou todos na banda contribuem para as letras?
John Macko: Kendall e Ken trabalharam juntos nisso, fazendo o melhor para permanecer fiel ao estilo do Fifth Angel. Primeiro, Kendall escreve em uma espécie de estado meditativo, e depois Ken as edita, tornando-as mais claras. Os dois fizeram um ótimo trabalho.
Metal Na Lata: A letra de “Queen of Thieves” foi inspirada em alguém que realmente existe ou existiu?
John Macko: “Queen of Thieves” (em português, “Rainha dos Ladrões”) é uma metáfora para certo tipo insalubre de pessoa egoísta e mentiroso, seja homem ou mulher.
Metal Na Lata: Qual é a história por trás da letra de “Fatima”?
John Macko: A letra é sobre o terceiro segredo de Fátima (Saiba mais em https://bit.ly/2Rf2CcK), que é também, por assim dizer, o “tema” deste novo álbum. Ken contou a história a Kendall que uma ou duas horas depois trouxe a letra pronta.
Metal Na Lata: Um dos pontos fortes do Fifth Angel é a capacidade de escrever baladas maravilhosas. Mas por que lançar justamente a balada “Can You Hear Me” como primeiro single do novo álbum?
John Macko: Essa foi uma decisão da gravadora, e nós acreditamos que eles tivessem uma boa razão para isso!
Metal Na Lata: Notei que os solos de guitarra estão muito maiores e ainda mais virtuosos. Isso foi encorajado nesse novo álbum? E no passado, talvez por imposições comerciais, vocês foram freados de alguma forma?
John Macko: Nesse disco, diferente do “Time Will Tell”, nós tivemos um controle artístico completo e queríamos mostrar algumas de nossas habilidades musicais!

Metal Na Lata: Qual é a coisa mais legal em tocar em uma banda como o Fifth Angel?
John Macko: É poder criar experiência musical fluida e diversificada. Se uma banda toca sempre o mesmo tipo de música, acaba ficando chato!
Metal Na Lata: Agora que Ed (Archer, guitarrista) está oficialmente de volta à banda, qual é a chance de material escrito por ele ser incluído em um próximo álbum do Fifth Angel?
John Macko: Ed definitivamente contribuirá com músicas para o próximo álbum, mas dificilmente aproveitaremos ideias antigas, a menos que seja algo excepcional.
Metal Na Lata: Você ainda se surpreende com quantas pessoas em tantos países diferentes conhecem, apoiam e colecionam itens relacionados ao Fifth Angel? Você acha que isso tende a aumentar agora por causa da presença, mesmo digital, da Nuclear Blast?
John Macko: A Nuclear Blast certamente está ajudando a expandir nosso público, mas eu diria que a maior parte dos fãs data de muito tempo atrás! Esperamos, porém, ganhar novos fãs nos próximos anos.
Metal Na Lata: Tanto “Fifth Angel” como “Time Will Tell” foram relançados em digipak pela Metal Blade Records recentemente. “Fifth Angel”, pela primeira vez em CD com a capa original do LP. Vocês estão satisfeitos com o resultado? Qual foi o seu envolvimento nisso?
John Macko: Nós não tivemos envolvimento nisso, mas as reedições, enquanto produtos, ficaram ótimas. Os dois álbuns foram muito bem remasterizados.
Metal Na Lata: Mesmo nos anos 1980, o Fifth Angel não era uma banda de turnê. O foco sempre esteve nos álbuns. Hoje em dia, com todos tendo seus empregos regulares, isso pode mudar?
John Macko: Estamos planejando fazer alguns shows, ou mesmo sair em turnê, em 2019, mas não sabemos ainda ao certo.
Metal Na Lata: Obrigado pelo papo, John! Que tal encerrarmos com um recado para os leitores do Metal Na Lata e os fãs do Fifth Angel no Brasil?
John Macko: Obrigado por tantos anos de apoio e esperamos tocar para vocês um dia no futuro!
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