
Em seus quase 30 anos de história, o Tourniquet conquistou uma sólida base de fãs com a sua musicalidade única, definida pelos mesmos como um “encontro entre Beethoven e Frankstein”. Fãs que esperavam ansiosamente por um novo álbum, foram recompensados com “Gazing At Medusa”, um trabalho que mesmo lançado recentemente, está sendo muito bem recebido por todos (você pode conferir a nossa resenha para o álbum AQUI). E para falar de todas essas questões envolvendo o novo álbum, além de alguns assuntos que os fãs esperavam a muito tempo, Ted Kirkpatrick, baterista e líder da banda, nos concedeu essa entrevista exclusiva que certamente irá cessar muitas dúvidas existentes nos pensamentos de seus admiradores.
Por Márllon Matos
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Metal Na Lata: Apesar de não lançar um cd cheio desde 2012, este não é sinal de que o Tourniquet ficou inativo nesse tempo. Ocorreu o lançamento da versão instrumental de “Antiseptic Bloodbath” em 2013, o projeto Ted Kirkpatrick’s Tourniquet em 2014, relançamento em vinil do clássico álbum “Pathogenic Ocular Dissonance” e o primeiro show ao vivo da banda em quase 10 anos (ocorrido ano passado no Exodo Fest, no México). Como é parar e concentrar esforços exclusivamente em um novo álbum da banda?
Ted Kirkpatrick: Não se esqueça do “The Doom In Us All”, o tributo ao Black Sabbath lançado em 2016. “Onward To Freedom” também teve o mesmo montante de trabalho de um disco “tradicional” do Tourniquet, talvez um pouco mais porque tinha alguns músicos envolvidos. É interessante notar que “Onward To Freedom” vendeu mais que “Antiseptic Bloodbath, parece que isso responde ao questionamento de que se as pessoas poderiam desfrutar de um álbum completo dedicado a músicas que tratam das dificuldades enfrentadas pelos animais sendo cantadas por múltiplos vocalistas e com numerosos guitarristas solando. E por “concentrar esforços exclusivamente em um novo álbum”, isso nunca acontece. Se as pessoas somente soubessem o que está envolvido em manter uma banda ativa, relevante e atual. Mídia social, criação de merchandise, atualização de endorsement, entrevistas, despacho de pedidos, conteúdo no Youtube, etc. Mas eu não poderia fazer de outro jeito.
Metal Na Lata: “Gazing At Medusa” foi inicialmente mostrado ao mundo em um projeto de financiamento coletivo e era prometido para março de 2017, mas sabemos que o álbum só sairá mesmo agora em setembro. O que aconteceu para viesse a ter este atraso?
Ted Kirkpatrick: Muitos, muitos fatores que os apoiadores e outros fãs que estão esperando o disco não ficaram sabendo. Há apenas tempo para sincronizar coisas que na maioria das vezes simplesmente não podiam ser aceleradas. As vezes elas aparecem, outras não. Uma coisa é quando eu posso contar apenas comigo para fazer as coisas, mas quando se trata de ter foco em um álbum e então escolher quem e como fazer acontecer do melhor jeito, músicos vão estar todos em horários diferentes. Eles podem estar em uma tour, em uma gravação, ocupados compondo ou ensaiando, voltando de uma série de shows e precisando de um descanso, etc. E os engenheiros de som (aqueles que fazem um álbum soar grande, tal como Aaron Pace) normalmente estão ocupados e você precisa ser o terceiro ou quarto da fila para ter o seu álbum mixado e masterizado. Todas essas coisas podem fazer que um álbum atrase pro semanas, meses ou até mais. Uma das minhas questões foi a mudança que fiz de Wisconsin para o sul da Flórida. Também foi importante para nós conseguir a melhor performance vocal possível e isto não aconteceu da noite para o dia. Tudo muda com uma campanha do Kickstarter, já que o artista consegue o dinheiro suado das pessoas antecipadamente. Eu sei que o atraso tem sido longo, mas fizemos um grande esforço para acelerar o lançamento o máximo quanto possível, mas sem sacrificar a qualidade do produto final. Me recuso a fazer isso e pronto. O disco fica pronto quando eu me sinto satisfeito em lançar para os fãs, nem um dia antes. A data de lançamento é um alvo, não é como quebrar uma promessa ou um voto intencionalmente. Esse tipo de atraso é extremamente comum na indústria musical e cinematográfica hoje em dia pelas mesmas razões que eu já apontei além de algumas outras, mas infelizmente sempre há aqueles que não entendem isso, não importa o quanto você explique o atraso e trabalhe para compensar isso. Tem sido legal ler resenhas por ai dizendo que o álbum valeu a espera. Com isso dito, nós nunca planejamos ter uma data de lançamento tão atrasada assim. Foi um tempo muito longo e por isso pedimos desculpas aos nossos fãs.
Metal Na Lata: No dia 22 de maio, tivemos o lançamento do lyric video da faixa titulo. Quem estava desconfiado ou desesperançado com a banda levou um baque com a qualidade da música, muitos até dizem que esta é uma das 10 melhores composições da história da banda. Boa parte do sucesso da música também vem da participação de Deen Castronovo que apresentou uma performance excepcional! Foi muito difícil conciliar a agenda do músico em seus inúmeros projetos com um tempo hábil para realizar esta gravação? Aliás, creio que esse seja o motivo dele não aparecer em mais músicas não é?
Ted Kirkpatrick: Obrigado. Sim, a resposta para a faixa título tem sido incrível e sim, teve algum trabalho e planejamento para fazer essa música acontecer. Deen é muito ocupado e ele grava e faz muitas turnês. Ele foi muito gentil em se “apertar” e ir para o estúdio. Um ótimo desempenho vocal e uma pessoa verdadeiramente incrível para chamar de ‘meu amigo’. Ele tinha a intenção de fazer mais músicas mas acabamos ficando sem tempo de ambos os lados.

Metal Na Lata: Deen Castronovo, Chris Poland… Quando pensávamos que todas as suas boas cartas já tinham sido usadas, eis que somos surpreendidos com o anúncio do lendário Tim “Ripper” Owens como vocalista principal no restante do álbum. É claro que todos nós conhecemos o seu talento e habilidades, mas por que ele? Qual foi o fator decisivo que o fez convida-lo a cantar com o Tourniquet?
Ted Kirkpatrick: Tenho sido um fã das fantásticas habilidades vocais de Tim por anos. A performance dele que eu mais gosto é na versão de “Diamonds and Rust” presente no “Live in London” do Judas Priest. É incrivelmente legal. Já tinha trabalhado com ele antes no meu tributo para o Black Sabbath, onde ele cantou “Children Of The Grave. E também, Tim é metal por completo e isso é muito importante pois adiciona uma profundidade intangível, mas muito presente aos vocais entregues. É incrível que ele tenha cantando no álbum inteiro.
Metal Na Lata: A capa é muito bonita e expõe com fidelidade o sentimento descrito no título do trabalho. Qual foi o artista escolhido? O resultado final foi de encontro com o que você esperava?
Ted Kirkpatrick: O artista se chama Jason Juta. Ele faz muito material de fantasia, gamer e futurístico. Ele é incrível. Existem centenas de imagens da Medusa por ai e essa é a minha favorita. Eu com certeza amei a capa e a resposta a ela tem sido extremamente positiva.
Metal Na Lata: Chegou a acontecer uma espécie de seletiva mundial para encontrar uma nova voz para a banda (se não me engano, vozes, já que o objetivo era um vocalista mais agressivo e outro mais melódico) mas como podemos perceber a ideia não foi a frente. Isto aconteceu pois não houveram candidatos que transpassassem o padrão de qualidade pretendido ou realmente não era o momento certo para eles?
Ted Kirkpatrick: Um pouco dos dois casos. Nós realmente fizemos uma busca por um novo vocalista, e ainda estamos totalmente abertos para isso, mas anunciar que estamos procurando por um novo vocalista não é o mesmo que prometer ter um novo vocalista. Muito menos prometer um por um certo tempo. Encontrar um vocalista permanente não é o nosso único alvo e apesar de muitos vocalistas saberem da nossa situação, nenhum parecer ser o certo para nós. Procuramos em ter o melhor vocalista para as músicas do álbum, nosso ideal principal, e acredito que tenhamos conseguido isso.
Metal Na Lata: A banda teve uma certa estabilidade em sua formação desde 1997, por isso boa parte dos fãs se surpreendeu quando em 2015 Luke Easter decidiu por sair da banda. Sendo o membro mais antigo na banda além de você (Luke entrou no Tourniquet em 1993), foi um pouco complicado trabalhar em músicas e em estruturas vocais para um outro vocalista que não fosse um velho companheiro de estrada?
Ted Kirkpatrick: Deen Castronovo e Tim Ripper realmente não tiveram nenhum problema em fazer os vocais. É verdade que eles aprenderam as partes vocais ouvindo meu terrível, mas bem acertado, vocal guia. Eles não são apenas grandes cantores mas também verdadeiros talentos que expandiram os vocais sem que precisasse dizer o que deveria ser feito, isso enquanto permaneciam fiéis as melodias que escrevi e onde as letras levavam. Escute, não há muitos Castronovos ou Ripper Owens, ou Michael Sweets ou Dug Pinnicks por ai. Depois de trabalhar com todos esses caras eu posso dizer que quando eles fazem a sua parte, eles possuem as músicas! Eles colocam seu único e incrível selo de qualidade em cada faixa que os convido para cantar. Por exemplo, Michael Sweet adicionou alguns gritos e harmonias em “Onward To Freedom”. Ou Ripper, que quando eu dava a ele uma harmonia guia e ele me devolvia três e mais algumas faixas com oitavas diferentes, e com muito sentimento. É totalmente diferente do que simplesmente cantar as partes. E a chave é que eles façam isso sozinhos, é o talento. Eu sempre digo aos cantores que “eu quero que você seja você mesmo” e eu sempre procuro fazer com que eles se sintam contentes e orgulhosos de serem parte disto.

Metal Na Lata: Aaron Guerra está fazendo algumas vozes rasgadas no disco e o que já podemos ouvir é realmente fantástico e claro que, como guitarrista o seu talento é incontestável, mas não acha que lhe falta o devido reconhecimento? É raro alguém comentar por ai sobre seus solos e riffs (e ambos são de extrema qualidade, Aaron é um músico de mão cheia).
Ted Kirkpatrick: Bem, Aaron é o tipo de pessoa reservada com grande personalidade. A maior parte do tempo em que estamos gravando é só um monte de risos. E sobre a sua habilidade na guitarra, não há ninguém que eu preferisse que tocasse as partes (de guitarra) que escrevo. É só escutar o novo disco. Ele é muito preciso nas bases e um bom solista também. Confie em mim, há muitos guitarristas e baixistas por ai que não conseguem aprender as suas partes só de ouvir. Eles precisam ver a música escrita ou sentar perto de alguém tocando e assim ver quais notas usar. Mas o mais legal é que Aaron pode cantar e tocar partes complicadas de guitarra ao vivo ao mesmo tempo. Tente cantar os versos de “The Tomb Of Gilgamesh” e tocar a longa parte clássica na guitarra ao mesmo tempo e Aaron faz isso ao vivo, por isso procuramos sempre tocar ela (uma favorita da plateia). Ele também é sempre muito favorável quanto a trazer guitarristas convidados e assim ter um mix diferente nos álbuns. Aaron saiu de Los Angeles para gravas as guitarras de “Gazing At Medusa” aqui na Flórida e fez 80% das guitarras antes de voltar. Eu acabei terminando o resto.
Metal Na Lata: Seria possível um breve comentário sobre cada uma das 9 faixas? Como elas soam, sobre o que elas tratam liricamente, quais influências musicais podemos encontrar…
Ted Kirkpatrick: Não posso descrever muito sobre cada música, mas sobre o álbum, ok. Para mim este trabalho tem a melhor produção de todos os discos do Tourniquet. O som é bem separado, então tudo é bem claro e pesado, e com certeza é o meu som de bateria favorito. Ele também soa como uma banda em oposição a ter uma coleção de artistas convidados, tal como “Onward To Freedom” que foi destinado a ser assim. Em “Gazing At Medusa” foram só 4 pessoas envolvidas, mais o nosso honrado convidado Deen Castronovo cantando na faixa título. Todas as canções tem uma mensagem de esperança e desafio e alguma estranheza, claro e quase poderia ser considerado como um álbum conceitual, lidando com a condição humana e a sua necessidade por Deus. Incluso nas letras há um versículo bíblico, pois, no final, é tudo realmente sobre Deus, certo? Muita coisa no álbum soa como um soco na cara, bastante agressão. Porém ele tem uma “atmosfera”, ele soa bem vivo!. Para mim é como um aceno aos álbuns antigos mas com uma sensação geral de sentimento e sonoridade mais moderna, fresca. Mas também há belas partes lentas e riffs de musica clássica. Solos fenomenais de Chris Poland e o mesmo se aplica a Tim, com inúmeros vocais, harmonias e oitavas diferentes. Aaron também soa muito bem nos vocais, nós trabalhamos juntos para conseguir um som legal para ele (e como sempre, está muito preciso nas bases de guitarra). Mas eu espero que as pessoas realmente gostem do drumming neste cd. Pode ser divertido para os bateristas aprenderem a tocar!
Metal Na Lata: Já foi dito que Tim “Ripper” Owens não acompanhará a banda nos palcos. Já existe um line-up de apoio preparado para os shows em promoção de “Gazing At Medusa” ou esta é uma questão que será avaliada ainda?
Ted Kirkpatrick: Uma coisa é ter alguém participando de um disco, seja gravando em casa ou em um estúdio próximo e outra completamente diferente é perguntar para alguém aprender um set list completo, viajar para shows do outro lado do mundo, etc. Se um dia tocarmos perto de onde Tim mora, ele poderá subir no palco conosco e cantar uma ou duas músicas do Tourniquet que ele saiba de “Gazing At Medusa” e podemos tentar uma música ou duas do Judas Priest. O mesmo para Chris Poland, que eu sei que toparia isso. Tocar uma ou duas músicas de “Gazing At Medusa” e mais algumas do Megadeth. Vamos torcer para isso talvez aconteça algum dia!
Metal Na Lata: Muitas pessoas tem falado que o Tourniquet agora não passa de um “Ted e Amigos”, que se perdeu a essência real de ser uma banda de verdade. O que você tem a dizer sobre isso e como você encara a evolução da banda desde o seu início até os dias de hoje. Os fãs podem esperar mais álbuns fazendo uso do peso e criatividade no futuro?
Ted Kirkpatrick: Indo de volta ao nosso primeiro álbum, “Stop The Bleeding” (1990), você começa a ver as coisas pelo qual o Tourniquet se tornou bem conhecido agora: riffs de guitarra inventivos, influência de música clássica, múltiplas mudanças de tempo, partes estranhas, instrumentos étnicos, arranjos de bateria bem doidos, passagens bonitas, harmonias dissonantes. Falando sobre as letras: o horror descritivo de Edgar Allan Poe, alegóricas lições de vida, palavras inventadas, terminologia médica, letras Cristocêntricas, questões sociais que ninguém mais aborda.
Começando na minha primeira composição, “The Test For Leprosy” e também “Ark Of Suffering”, “Psychosurgery”, “Pathogenic Ocular Dissonance”, “Gelatinous Tubercles Of Purulent Ossification”, “The Skeezix Dilemma”, “Vanishing Lessons”, “The Hand Trembler”, “Claustropelunker”, “Twilight”, “Melting The Golden Calf”, “Antiseptic Bloodbath, “86 Bullets”, “Gazing At Medusa”, “The Crushing Weight Of Eternity” e por ai vai, você então vai ouvir todas essas coisas pelo qual nós somos conhecidos. Então é isso, de onde essas coisas vieram nada mudou desde o primeiro dia do Tourniquet. Eu escrevi cada riff e cada palavra da vasta maioria das músicas do Tourniquet e, por alguma razão, a vasta maioria das músicas que chama a atenção das pessoas. Mas como os membros de uma banda vem e vão, nós nunca perdemos nosso compasso espiritual e temos sido abençoados com o fato de que muitos não cristãos, além de músicos de renome, gostam da nossa música. Então, apesar de muitos fãs verem a banda simplesmente como “seus membros” (o que eu até aprecio), eu vejo e faço as coisas de um modo diferente.
A banda para mim é algo imensamente sobre o total catálogo de música. Com cada álbum nós nos esforçamos para fazer melhor que o último. Como muitos de vocês sabem, eu sou um verdadeiro aficionado por música clássica. Eu nunca poderei falar exatamente o que as músicas, e os compositores que as escreveram, significam para mim em uma base contínua. É uma paixão de décadas para mim e, literalmente, já vi centenas de concertos sinfônicos, óperas, performances solo, recitais e mais. Já pude ver alguns dos maiores pianistas e violinistas na minha frente, observando com espanto! Então eu realmente não espero que todos entendam quando eu compartilho meus pensamentos sobre o que para mim constitui uma “banda”.
Para expandir o assunto, um dos meus compositores favoritos é Mozart.Ele escreveu músicas de todas as espécies em sua breve vida de 35 anos, como ninguém na história! 41 sinfonias, 23 concertos para piano, concertos para violino, algumas das maiores óperas já escritas (“Dom Giovanni”, “The Marriage Of Figaro”), concertos para fagote, sonatas para violino, quarteto de cordas, réquiem, concertos para clarinete e muito mais. Ele não se limitou ao que escrevia e nunca se limitou usando menos que os melhores solistas se o melhor da Europa estava disponível para ele e a incrível música que havia escrito. Quando eu digo “os melhores solistas” eu quero dizer o que melhor se encaixa para a música composta por ele. Quanto a ópera, há muitos cantores ouvidos durante a performance da mesma. Baixos, barítonos, tenores, sopranos, homens, mulheres.
No caso dos seus concertos de piano, muitas vezes ele tocou por conta própria. Por que ele iria se comprometer? Por que ele permitiria que a sua música fosse representada de qualquer outra maneira, sem ser a melhor possível? Seria como um artista brilhante usando tinta barata e uma tela medíocre ou um tenista de renome usando uma raquete com madeira de 1960 para ganhar Wimbledon. Por que fazer isso? Parte da ideia de seguir em frente com o Tourniquet envolve não se comprometer com o que um álbum da banda pode ser e isso as vezes envolve mudança; Então eu escrevo música e espero trazê-la a vida junto com o melhor pessoal, quem melhor se encaixe a ela, possível, Por que? Porque dessa forma vai falar com as pessoas de uma maneira que é mais poderosa, sendo esse poder sob a forma de peso, beleza suave ou técnica apurada. Observe a música “The Slave Ring” do album “Onward To Freedom”, uma música sobre o desolador e enlouquecedor mundo das lutas de cães. Você pensa que pode usar qualquer “berrador” para expressar a raiva e o horror? Você não pode e é por isso que Mattie Montgomery (ex For Today) foi chamado. Você pensa que um guitarrista medíocre pode fazer um solo profundo que transmita tristeza? Você não pode, e é por isso que Chris Poland o fez. E se acham que Aaron quer fazer longos solos de guitarra em um álbum do Tourniquet, a verdade é que ele não deseja. Ele tem outros grandes pontos positivos que usamos por completo (tal como sua fantástica habilidade na guitarra base e seus gritos) e é claro que ele faz bons solos também.
Outro exemplo é a pesada e bluesy “No Soul” de “Onward To Freedom” . Será que qualquer um pode fazer justiça nos vocais? Não podem! E por isso que Dug Pinnick (King’s X) cantou e detonou. Poderia usar um cantor “bonzinho” para transmitir a importância de ter compaixão por toda a criação de Deus? Você não pode, e é por isso que Michael Sweet cantou na faixa título de “Onward To Freedom”. E tudo isso vale para as músicas de “Gazing At Medusa”. A palavra final é dos fãs, que já mostraram sua resposta positiva. Você pode usar outros músicos, mas a sua música será menor do que poderia ser. Se começar a fazer isto em um ou mais álbuns cheios, e as pessoas começarem a perceber que a música é menos do que poderia ser, talvez seja tempo de uma mudança, por mais dificultosa ou dolorosa que seja. Colocar uma esfera no espaço de um cubo simplesmente não funciona e isso não significa seja ruim ou inferior de alguma forma. Eu não faço nada de forma irreverente, sem pensar e me importar. Tento imaginar todas as pessoas que serão afetadas pela mudança. Este mesmo cenário ocorre em milhares de situações todos os anos: equipes esportivas, bandas, orquestras sinfônicas, produções de ópera, a industria cinematográfica, produções da Broadway e assim por diante, muitas vezes quando há uma longa história e profundas amizades envolvidas.
Durante toda a história do Tourniquet essas mudanças no pessoal sempre foram discutidas, postas em oração e apoiada por vários membros da banda, nunca apenas por mim. Muitas vezes essas mudanças deram, a pessoa que saiu, a liberdade para tentar e prosperar em um ambiente mais adequado para eles. É claro, sempre há algumas pessoas que só verão essa parte de tomar decisões difíceis na vida como traição, uma punhalada nas costas, ser um babaca, egoísta, etc. Usualmente essas mesmas poucas pessoas pensam que sabem a “informação interna” e entendem o que acontece quando, na verdade, talvez saibam uns 5% da história completa, tendo pouco entendimento das questões envolvidas, e escutam esses 5% de um lado apenas, muitas vezes um lado amargurado ou invejoso. Na maior parte eles não sabem nada do meu coração, caráter, processo do pensamento, a orientação individual de Deus em minha vida , a busca da opinião de outras pessoas, o comportamento do membro que saiu, etc. Adicione essa peça gigante ao quebra cabeças, para qual direção Deus está levando a banda? Desses pessoas, é claro, que sabem exatamente nada. “Julgamento de fãs de sofá”, totalmente inválido. Garanto a você que esses mesmos fãs ficariam chocadas e até com nojo de algumas coisas ditas ou feitas, algumas delas bem a vista de todos.
Como as pessoas sabem eu tenho falado muito, muito pouco sobre quaisquer desses assuntos ao longo dos anos. Prefiro seguir em frente com o positivo, e faze-lo com pessoas positivas. Nessas situações de mudança, algo que muitas vezes é esquecido são os fãs. OS FÃS! Eu realmente me importo com os nossos fãs e sempre procuro dar a eles o melhor que o Tourniquet pode ser, sinto que eles merecem isso. É justo dar-lhes menos? Eles tem apoiado nossos esforços através dos anos, comprado nossos álbuns, nosso merchandise, indo aos shows, enviando e postando infindáveis palavras de encorajamento, compartilhado nossa música com amigos, usando nossas letras em sermões e até cantando em igrejas. Também procuro dar a Deus o meu melhor o tanto quanto eu puder. Posso descansar no pensamento de que sinto que demos o nosso melhor em “Gazing At Medusa”. O ponto de partida para mim, e que muitos fãs tem nos falado através dos anos é que “toda música da banda pode ser rapidamente identificada como Tourniquet” e esse é um grande elogio. E um dos maiores elogios que eu recebo sobre a minha atuação na bateria é similar: “ mesmo que todo o resto da música desapareça e fique só a bateria tocando, eu vou saber que é o Ted Kirkpatrick”. Isso significa muito para mim.
E sobre a sua pergunta principal “Os fãs podem esperar mais álbuns fazendo uso do peso e criatividade no futuro?” Sim. Música não é só o que eu faço, é o que eu sou. Não consigo pensar em uma época que não poderei escrever e lançar música, compartilha-la com o mundo e, desde que venha de mim, garanto que se chamará Tourniquet. Também pretendo lançar mais material solo que seja “não Tourniquet”. Como o que Mozart fez, quem abe que tipo de música será?
Metal Na Lata: Já fazem mais de 20 anos da primeira, e única, apresentação da banda no Brasil. Quais são as suas memórias daquele dia e existem planos para um retorno em breve?
Ted Kirkpatrick: Eu amo muito o Brasil e já estive ai algumas vezes (Rio de Janeiro e na floresta tropical em Rondônia). O que me lembro do show é que muitos fãs nem sabiam que haveria um show, uma pena. Quando retornarmos, com as redes sociais do jeito que estão agora, todo fã do Tourniquet no Brasil saberá que estamos chegando! E para isso, só precisamos de um bom promotor para seguir em frente com o que é necessário para nos levar até vocês. Estamos sempre prontos para isso!
Metal Na Lata: Seja em cd ou vinil, os relançamentos do Tourniquet são muito bons e contam com capas revisadas e melhoradas, notas explicativas sobre as músicas e várias faixas bônus. Títulos como o EP “Carry The Wounded”, a coletânea “The Collected Works”, o acústico “Acoustic Archives” e o álbum “Microscopic View Of A Telescopic Realm” são os títulos que atualmente se encontram esgotados no catálogo da banda e que muitos fãs procuram implacavelmente para poder assim, completar as suas coleções. Sei que agora o foco vai estar mais para o lançamento e posterior divulgação de “Gazing At Medusa”, mas existe algum plano prévio para o relançamento destes materiais?
Ted Kirkpatrick: Sim, para todos eles! É só uma questão de tempo e dinheiro mesmo para fazer acontecer. Possivelmente o próximo relançamento será “Vanishing Lessons em vinil.
Metal Na Lata: Muito obrigado pela atenção e disponibilidade. Sinta-se a vontade para fazer suas considerações finais.
Ted Kirkpatrick: Para os nossos fãs brasileiros e de toda a América Latina e Central, fiquem insanos!!! Obrigado por tudo e espero ver vocês em algum show do Tourniquet em seu lindo país. Espero que gostem de “Gazing At Medusa”.
Maiores informações:
Site: www.tourniquet.net
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