Expurgo – “Live Obscene” (2023)
Black Hole Producutions
#Grindocore #BrutalDeathMetal
Para fãs de: Napalm Death, Nasum, Brutal Truth, Terrorizer
Nota: 10
O primeiro contato visual com esse disco converge em uma imagem impactante: um pé sujo, aliás, imundo, aparentemente cansado e certamente dolorido, onde percebemos alguém que, presume-se, tenha se divertido a valer, ou tenha sobrevivido a mais selvagem das batalhas. Só depende do ponto de vista.
A imagem em questão é apenas uma pequena amostra do que uma apresentação do Expurgo em céu aberto é: momentos de felicidade intercalados com um instinto de sobrevivência latente. “Live Obscene”, como o próprio título sugere, traz a apresentação do quarteto mineiro no mais famoso reduto da música extrema mundial: o Obscene Extreme Fest na Rep. Tcheca, em 2018. Lá, estando totalmente à vontade com seu público, inserido em um habitat naturalmente brutal, os caras mostram – com vigorosa selvageria -, a que vieram.
Em estúdio, o Expurgo já soa agressivo num nível superior à grande maioria das bandas do gênero, no entanto, é ao vivo que os rapazes querem descontar no mundo todo o ódio e indignação acumulados no decorrer de uma vida. “Live Obscene” é grindcore no sentido mais fidedigno do vocábulo. É algo que transcende as fronteiras do que convencionou-se chamar de música extrema e agressiva.
Um disco objetivo, orgânico, cru e inflamado como poucos, além de pesado de forma a tornar a experiência algo marcante para o real fã do estilo. Pouco mais de duas dezenas de atos constroem esse registro, onde a conclusão em breves 33 minutos aproximadamente, nos faz querer mais e mais, mesmo após os severos danos físicos ocasionados concernentes à audição.
Um grindcore rude, visceral em sua concepção e atitude, e transgressor como obrigatoriamente tem que ser, faz do Expurgo um dos maiores e melhores representantes do estilo, não só em nível nacional, bem como mundial, e esse disco ao vivo, como o próprio vocalista Egon diz em determinado momento, é a realização de um sonho, onde puderam mostrar ao público o genuíno estilo brasileiro de fazer grindcore…e foi uma surra, um autêntico massacre.
A produção, ao contrário do que normalmente se observa em registros desse tipo, é excelente, enfatizando os graves e tornando tudo um tsunami sônico dos mais devastadores! Em um apanhado geral de tudo que já fizeram, banda e público se deleitam nas nuances catastróficas de “Victimized”, “Carnivorous Eyes”, “Xenon Pieces Swallowed”, entre outras, além de versões matadoras de “Testicular Trauma” (Regurgitate) e o encerramento mais que apoteótico com “Boneyard” (Impetigo).
Uma celebração ao caos, uma ode à degradação humana em forma de concerto! O Expurgo é uma força da natureza! Um dos melhores discos do ano até agora, fácil! Obrigatório é pouco!
Ricardo L. Costa




