
False Memories – “The Last Night Of Fall” (2021)
Frontiers Music
#GothicMetal, #DarkMetal, #ProgressiveMetal
Para fãs de: Todesbonden, Wthin Temptation (antigo), After Forever
Nota: 7,5
Com um Gothic Metal com uma boa dose de classe, de inteligentes melodias e com inclinações que vão desde o Dark Metal, passando pelas dinâmicas do Prog e estacionando suavemente em algo próximo ao Doom Metal, o quinteto italiano False Memories chegou nesse ano ao seu segundo álbum completo de estúdio e o primeiro após assinar com a poderosa Frontiers Music SRL. Gravadora essa, que comporta tanto grandes nomes do Heavy Metal mundial, dentre as mais diversas abordagens do mesmo, como: Seventh Wonder e Lords Of Black quanto alguns excelentes nomes daqui, de nossa terrinha — Semblant e as revelações Icon Of Sin e Electric Mob.
“The Last Night Of Fall” é, também, o segundo registro com a vocalista Rossella Moscatello que ingressou na banda em 2018. Essa soma de talentos logo resultou em qualidade, tanto que a banda regravou seu primeiro registro “Chimerical” (2018) com sua nova porta-voz. O já citado novo material é composto por 11 composições sabiamente escritas, bem apresentadas e trajadas por uma produção consistente. Há alguns clichês aqui e ali, assim como ideias recicladas e direções há muito saturadas, contudo, tais deslizes não chegam a comprometer o resultado, visto o comprometimento dos músicos com sua arte, seu entrosamento e sua postura altamente profissionais.
As faixas em sua maioria obedecem a mesma regra — estruturas sempre crescentes, com arranjos interessantes, bom uso dos teclados, pontuais recursos melódicos, peso que surge nos pontos certos e os competentes vocais de Rossela. O primeiro e único agravante, surge justamente pela forma como o trabalho é desenvolvido. As faixas ou são baladas, ou pseudobaladas — ou seja, faltou mais variação, ousadia e cores, pois, ainda que sejam composições muito bonitas, elas acabam por soar muito semelhantes entre si. Um trabalho que tem o Prog Metal como um de seus sobrenomes precisa de mais aventura, de alguma iguaria que o diferencie dos demais e de alguns parágrafos reservados ao inusitado. Eles até que existem, mas são muito resumidos e discretos. A dita inclinação ao Doom se resguarda ao sentimento melancólico que percorre todo álbum e ao teor das letras, que versam sobre a condição humana e seus tantos dilemas.
O repertório se visto sem lentes de aumento e sem critérios muito apurados, possui diversos momentos marcantes: “Black Shades” e sua alta emotividade; “Rain Of Souls” e seu contraste entre força e suavidade, além de acréscimos modernos e um belo vídeo (bem fim dos anos 90 — começo e meio dos anos 2000); “Voices” (a melhor do disco) com um refrão memorável e poderoso; “The Illusionist” com suas transições agradáveis e os vocais bem impostos de Rossela; a elegantemente arranjada “Sea Of Nothingness” e a balada (curricular) “Dont’ Forget”.
Apesar de ser um tanto invariável, é inegável que o trabalho é bom, coeso, com vida e movimentos próprios. Faltou apenas um condimento para torná-lo mais suculento, os ingredientes foram bem distribuídos, mas faltou aquela flor de sal para realçá-los. Um bom álbum precisa de vários ápices e ouvindo, percebemos que a banda sabe como criá-los, bastava apenas dar-lhes mais atenção e rotatividade. Bom, sim, mas poderia ser surpreendente.
Fábio Miloch





