Ferroada Fest
Local: Espaço Cultural Canteiro Central, Brasília/DF
Data: 17/12/2017
Texto, fotos e vídeo por Victor Augusto
Foto (Optical Faze) por Ignácio Nascimento
O Ferroada Fest foi criado em 2015 pela banda Optical Faze, para o lançamento de seu primeiro DVD, o “Full of Life’s Devastation”. Esse ano o festival celebrou a sua segunda edição e apesar de ter sido realizado para o lançamento do vídeo “Ghost Planet”, música do excelente disco “The Pendulum Burns” (2013), ele marcou o encerramento das atividades da banda, que esteve na ativa por quase 20 anos.
Quem conhece o profissionalismo do Optical Faze sabe que a banda preza pela excelência, tanto que em seu último disco eles buscaram o produtor Rhys Fulber (canadense que já trabalhou com Fear Factory, Paradise Lost e outros grandes nomes) para dar uma produção de alto nível ao álbum e o resultado foi uma obra prima que ganhou destaque em meio a crítica especializada e surpreendeu os fãs.
A organização do festival não seria diferente, pois a banda deu uma incrementada no sistema de PA, iluminação e palco da casa de show escolhida. Além disso, colocaram um grande telão de LED ao fundo do palco, onde passavam algumas animações com a alternância dos logos das bandas que estavam no palco e as capas dos discos de cada música em questão.
O cast contou com mais três bandas novas do cenário local, deixando o festival não muito longo e bem diversificado quanto aos estilos.

O Isaurian foi formado recentemente por alguns membros do Optical Faze, durante o período de incerteza que a banda passava e estão divulgando seu EP de estreia, o “All The Darkness Looks Alive”.
Som pesado, cadência lenta e vocais melodiosos, bem acompanhados de uma atmosfera densa dos teclados de Pedro Gabriel, são características do Doom/Stoner realizado ao vivo. O vocalista/guitarrista Jorge Rabelo, novo nessa função de “frontman”, ainda é um pouco tímido e brincou que seria um set bem curto por ser uma banda nova.
Parabéns ao Isaurian pela estréia em solos brasilienses.
Set list Isaurian:
Way Down
Golden Sky
Hologram

O Fleshpyre está prestes a lançar o seu primeiro disco completo, já com a capa divulgada e conta com um bom reconhecimento no underground local devido à quantidade shows realizados, além da qualidade de seu Death Metal extremo. Não é por menos, pois todos os membros são notoriamente músicos acima do normal. Daniel Moscardini é o maior exemplo disso, pois o que ele faz em sua bateria é desumano. São blasts beats, viradas, bumbos duplos que não acabam mais dando uma aula de técnica e versatilidade.
Somente em “March of Defeat” que o som estava um pouco confuso, mas logo em “NOUS” tudo se arrumou e foi possível ver o potencial da banda e a extrema técnica nas composições. A banda encerrou o set com “Fleshpyre” e prometem ser um dos grandes destaques para 2018.
Set list Fleshpyre:
Intro
March of Defeat
NOUS
The Wanderer
Perpetrator
Death
Bodily Ecstasy
Unburyng The Horses of War
Fleshpyre
Toro

O Toro é outra banda nova, mas que vem numa boa crescente e com bastantes shows em Brasília. Seus músicos também demonstram bastante técnica e experiência ao vivo.
Apesar das poucas músicas, a banda impressiona pelo peso, animação e qualidade de seu Rock com pitadas de Stoner. Músicas como “Apneia” e “Luz vermelha” caíram muito bem ao vivo.
Mesmo com um estilo diferente das outras bandas, o público demonstrou uma boa aceitação ao som e foi um show bem direto e na cara.
Set list Toro:
Certo
Luz Vermelha
Apneia
Um*
Blues*
*Músicas ainda com títulos provisórios

Antes do Optical Faze subir ao palco, o clipe novo da música “Ghost Planet” rolou no belo telão ao fundo do palco. Se o som não é novidade pelo nível que atingiram no disco “The Pendulum Burns”, o vídeo não fica por menos, pois é um show visual e de arte, que entra de cabeça no conceito do álbum.
Logo após, a banda começa sua apresentação com a poderosa “Moments of Nothing”, música que progressivamente ganha velocidade em meio às paredes de guitarras e teclados com muitas variações. Pra mim essa é a música que melhor define a banda, com toda a mistura de peso, ritmos e densidade.
Entre uma música e outra, o vocalista Mateus O. Araújo contava algumas histórias sobre a carreira da banda e sobre aquele momento. Era nítida a emoção em sua voz e ele não poupou agradecimentos aos inúmeros apoiadores e fãs que estavam presentes.
Tecnicamente a banda realizou um dos melhores shows (senão o melhor) que eu já vi nesses 4 anos em que eu os acompanho. O som estava extremamente cristalino, equalizado e num volume animalesco, além da iluminação perfeita. As guitarras somadas ao baixo de Vicente Junior e aos teclados de Pedro dão uma atmosfera absurdamente pesada.
Ao fundo, Renato de Souza dita o ritmo e a cadência da banda em sua bateria, com passagens muito complicadas de bumbos, mudanças de tempos e retomadas nas músicas. Esses 18 anos de banda deram um grande entrosamento entre eles, para executarem com tamanha perfeição essas músicas ao vivo.
“Trail of Blood” foi o grande destaque do show e “Ghost Planet” seria a última
do dia, mas os fãs pediram mais uma e eles atenderam com a bela “Lie to Protect”, dando fim a uma apresentação espetacular.
Set List Optical Faze:
Moments Of Nothing
Insensitive Sense
Electroshock Therapy/I’m Your Life/People
Reverse Alchemy
One Way Path
Trail Of Bood
Ghost Planet
Lie To Protect
Fim do festival e a banda se juntou aos fãs para uma bela foto e assim terminou o dia com muitos abraços e agradecimentos. Fim desse ciclo e fica a marca que o Optical Faze deixou na música pesada.
Que venham mais edições do festival e uma carreira longa para as outras bandas que fizeram parte desse dia histórico. Parabéns aos organizadores pela qualidade do evento.





