Haemorrhage – “Anatomical Inferno” (2017) (Relançamento)

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Haemorrhage“Anatomical Inferno” (2017) (Relançamento)
Cemitério Records / Old Grindered Days Recs

Nota: 10

Seja franco: quantas edições especiais remasterizadas de grandes álbuns do Metal em geral soam realmente relevantes, diferenciadas, e não meros caça-níquéis apenas para o pobre fã torrar as economias de três gerações? Bem poucas, não? Pois bem, de vez em quando surge alguma que realmente faz valer o investimento, como é o caso desta de “Anatomical Inferno”, grande clássico dos espanhóis do Haemorrhage.

Maior representante do Goregrind de seu país e um dos maiores ícones do gênero no mundo, o Haemorrhage ostenta uma fértil discografia, repleta de grandes álbuns, onde toda sorte de desgraças e imundícies são discorridas com muita veemência e propriedade, e “Anatomical Inferno” seria um dos atos mais significativos dessa obra.

Originalmente lançado em 98, “Anatomical Inferno” acaba de ter uma versão nacional turbinada lançada em sua homenagem, e confesso que, durante a audição do mesmo, me senti frente a um novo disco, uma nova banda. A nova masterização foi obtida das fitas originais, garimpadas pelo próprio Luisma Haemorrhage (guitarrista e fundador do grupo) e concedidas exclusivamente para esta edição nacional, o que me faz lembrar imediatamente do famoso jargão jornalístico do Marcelo Rezende: “bota exclusivo, meu filho. Dá trabalho pra fazer”, portanto, essa versão é só nossa e não é encontrada em nenhum outro lugar do mundo!

O tratamento do áudio original deixou o disco ainda mais poderoso, te pegando pelos fundilhos e esmagando até produzir conteúdo. A grosseria é preservada, obviamente, mas acrescida de graves e agudos exuberantes, pesado até não poder mais, e tudo muito bem distinto, não apenas uma massa sonora ininteligível. Guitarras ainda mais rançosas e um duelo vocal ainda mais grotesco. Parece um disco gravado na semana passada pelo Andy Sneap. Tudo bem, eu exagerei um pouco, mas a bizarra analogia serve pra descrever precisamente o impacto causado por esta edição.

“Anatomical Inferno” ficou com cara de “caixão novo”, feito em madeira de lei maciça, resistente a ação do tempo. É som pra necrotério, pra exumação de madrugada e na chuva. Alguns dos maiores êxitos da banda estão presentes neste álbum, tais como “A Cataleptic Rapture”, “Surgery for the Dead”, “Putritorium” e “I’m a Pathologist”, todas elas revigoradas e potencializadas pelo belo e eficaz tratamento sonoro.

Outro aspecto a ser enaltecido é o belíssimo projeto gráfico, com um novo layout a cargo de Glésio Shitfun Torres, que consiste em um livreto com todas as letras, repleto de fotos e com uma arte muito mais bacana que a original. Isso não só valorizou o produto final, como também provou que o Brasil pode e merece ter edições especiais tão boas quanto às lançadas mundo afora.

Mas nem só de som de qualidade e belos projetos gráficos vive uma edição dessa magnitude. “Anatomical Inferno” ainda traz consigo mais seis faixas bônus, incluindo uma versão “faca na caveira” para “Police Bastard” do Disrupt; uma releitura à altura para “Disgorging Foetus”, grande momento de outro fundamental representante da bagaceira contemporânea, o Regurgitate, e mais quatro versões demo para faixas do álbum.

E já deu, né? Já passou da hora de você passar pra frente aquela versão original surrada que só está fazendo peso morto na coleção e adquirir essa preciosidade da escatologia mundial imediatamente. É edição limitada, então corre. Parabéns aos selos envolvidos e ao Haemorrhage pelo inestimável legado.

*Obs.: O link que está logo abaixo é do álbum original de 98, pois não encontrei nenhum referente a esta reedição. Grato pela compreensão.

Ricardo L. Costa

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