Metal na Lata

Headspawn – “Parasites” (2023)

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Headspawn – “Parasites” (2023)

Independente
#GrooveMetal

Para fãs: Sepultura, Soulfly, Slipknot, Machine Head, Alice In Chains

Texto por Johnny Z.

Nota: 10

E é do Nordeste brasileiro que surge um dos melhores álbuns do ano, senão o melhor: “Parasites”, dos paraibanos da Headspawn!

Desde seus primeiros lançamentos, os excelentes EPs “Pretty Ugly People” (2021) e “Pretty Ugly People Live” (2022), a cada single disponibilizado por esse trio de João Pessoa, na Paraíba, composto por Alf Cantalice (vocal/guitarra), J.P. Cordeiro (baixo) e Marconi Jr. (bateria), era um verdadeiro soco na cara dos ouvintes, pois seu Groove Metal pesadíssimo, cheio de influências modernas e até mesmo certa tenacidade melancólica, com certeza acertou em cheio os fãs de Slipknot, Soulfly e Sepultura, principalmente da fase “Chaos A.D” e “Roots”, e até Alice In Chains (dos três primeiros álbuns).

Mas o som da Headspawn não é, e passa longe de ser, uma cópia dessas bandas, pois conseguiram capturar todas as influências desses gigantes com um toque único e original, inclusive usando sonoridades, nuances e instrumentos da música nordestina em várias passagens, o que fisga os ouvintes de forma quase que instantânea, vide as instrumentais “Terra Solis” e “Fili Caatinga”, que são curtas, porém brilhantes!

Além de todo peso, groove, técnica, letras inteligentíssimas com métricas super interessantes, temos também um senso de melodia tão cativante que há faixas que arrepiam de verdade! Um bom exemplo disso é a soberba cacetada “Butcher”, cujo refrão – na minha modesta opinião – é coisa de gênio, gruda na cabeça e vai na espinha! Duvido você ouvir uma vez e já não sair cantando! DUVIDO!

“Sinking Jetsam” é uma pancadaria groovada e cheia de rifferama que nos remete às faixas mais pesadas do primeiro álbum do Soulfly, como por exemplo, “Tribe”, onde o riff groovado conquista de imediato!

Os vocais de Alf Cantalice possuem muita similaridade aos de Corey Taylor (Slipknot) nas partes mais urradas e agressivas, trazendo muita potência e brutalidade. Em certos momentos, dá para imaginar a raiva que ele estava sentindo ao profetizar alguns versos como da cacetada brutal e groovada “Everybody Hates Somebody”, primeiro single de “Parasites”, uma verdadeira ‘canção de retribuição de amor’ à violência que certos grupos sociais insistem em acometer e manchar a humanidade, como por exemplo, o racismo, intolerâncias e perseguições contra orientação sexual, origem e ideologia política. Simplesmente um arregaço em todos os sentidos!

Vale também comentar as partes mais ‘cantadas’ em que Alf se mostra um excelente vocalista com um timbre bem impactante, daqueles que entram na espinha do ouvinte! E o que falar dos riffs de guitarra extremamente pesados, ora melodiosos, ora melancólicos, mas na maioria das vezes cortantes como uma navalha afiada, muito influenciado pelo nosso glorioso Max Cavalera nos bons tempos de mão direita pesadíssima (não que ele não a tenha mais, diga-se hehehhe).

A criatividade das composições, o bom gosto e a parte instrumental de todos em “Parasites” são simplesmente um luxo, daqueles que você ouve uma, duas, três vezes, e não consegue parar de pensar: “esses caras tocam para caramba. O baixo de J.P. Cordeiro está bem evidente, dando um peso extra às 10 faixas de “Parasites”, inclusive dá uma aula de slap à la Fieldy (baixista do Korn) com Flea (Red Hot Chili Peppers) nas maravilhosas “Ghost Of Myself” (a mais Slipknot dos maravilhosos dois primeiros discos, que a banda americana se esqueceu como faz há tempos) e “You Are”! Marconi Jr. dá um show de viradas certeiras e desce a mão sem dó, aliás bateristas e fãs do instrumento, prestem atenção nesse nome!!! Na apocalíptica e melancólica “Failure, Death and Decay”, ele brilha tanto que às vezes parece amassar nos ouvidos com os bumbos!

As duas últimas faixas, a cadenciada “Brought Into This World” (certas horas me lembrou um pouco o ritmo mais funky de “Andar na Pedra” do Raimundos) e “The Grotesque Factory of Flies” são as que mais se diferenciam do restante, mas são simplesmente geniais, principalmente “The Grotesque Factory of Flies”, numa mistura melancólica de Stoner Metal cheio de refrão do Corrosion Of Conformity, Alice In Chains (prestem atenção nos vocais e backing vocals!) e Slipknot de arrepiar que vai te deixar de queixo caído! Viciante esse som!

Um destaque especial vai para a produção de Victor Hugo Targino, que está com a banda em todos os seus lançamentos, pois deixou o som redondinho, muito pesado, robusto, atual e muito cristalino. O conjunto da obra aqui é nota 10 em todos os quesitos!

Fico imaginando o que essa banda ainda vai nos trazer, pois em termos de qualidade, criatividade e profissionalismo não ficam devendo a NINGUÉM, pelo contrário, muitos deveriam aprender com eles e não com a panela (queimada) do metal nacional! O topo está logo ali, rapaziada, e vocês estão pertíssimo dele!

Este álbum não apenas representa uma conquista para o trio, mas também celebra a influência e a vitalidade do Metal Nordestino que ressoa em todos os cantos do Brasil. Acorda pessoal, saia dessa bolha chata, temos um gigante nascendo bem na nossa frente!

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