
H.E.A.T – “H.E.A.T. II” (2020)
earMUSIC | EarMusic Brasil
#HardRock, #MelodicRock
Para fãs de: The Defiants, Europe, Treat
Nota: 9,5
Falar mal de viúvas como as do Sepultura é fácil — difícil é admitir que eu mesmo sou uma viúva da fase Kenny Leckremo do H.E.A.T. Não que Erik Grönwall não tenha provado seu valor. A estreia do vocalista, “Address the Nation” (2012), é facilmente um dos melhores álbuns de hard rock do novo milênio, e a sequência com “Tearing Down the Walls” (2014) até que manteve o pique, mas “Into the Great Unknown” (2017), citando Marie Kondo, não despertou alegria. Por mais que ao vivo a banda tenha continuado deixando todo mundo de queixo caído — foi um dos destaques do último Monsters of Rock Cruise —, a expectativa pelo álbum seguinte veio coberta de receio.
Só que nem o saudosista mais esperançoso poderia esperar pelo que o H.E.A.T. apresenta em “II”. A impressão imediata que se tem é a de continuação não oficial de “Address”, retomando a estética dos primeiros trabalhos, quando a receita era pura e simplesmente aquele Melodic Hard Rock tipicamente escandinavo inspirado em Europe — Leckremo soava como um filho bastardo de Joey Tempest —, Treat e outros medalhões. Isso não impede, porém, que “II” tenha suas pinceladas de modernidade: os teclados e os “oooo” de “Adrenaline” são um lembrete de que estamos em 2020 e que Imagine Dragons é considerado rock.
Letras como a soberba de “We Are Gods” deixam claro que o H.E.A.T. sabe que está no seu auge, mas mesmo que Erik apenas murmurasse fonemas, a satisfação seria garantida: “Victory”, fortíssima candidata a melhor música de 2020 não me deixa mentir. E o que dizer de “Heaven Must Have Won an Angel”, cujo DNA é permeado por “Can’t Fight the Nights”, do Shy? O saudoso e inigualável Tony Mills deve estar orgulhoso. O único elo fraco da corrente fica por conta da balada “Nothing to Say”, que na vã tentativa de soar meio trilha sonora de Sessão da Tarde acaba resvalando no pop a la boybands noventistas, só que com guitarras que você jamais ouviria num álbum dos Backstreet Boys. Disco do ano? Acredito que não. Top 10? Com certeza, sim.
Marcelo Vieira





