Heretic – “λειτουργία” (2015)
Independente
Nota: 9,0
“Leitourgia” (o que se obtém após converter os caracteres gregos do título do álbum para nosso alfabeto) é o segundo álbum lançado pela banda goiana Heretic, em 2015, investindo numa intrincada dança entre influências orientais e ocidentais da música moderna.
E poucos foram os nomes dentro do Heavy Metal que ousaram em investir em uma forma tão exótica de música, nutrindo a capacidade técnica necessária para unir movimentos das mais variadas formas do gênero, como os da faixa “Lamashtu”, ou de “Unleash the Kraken”, com arabescos e orientalismos musicais, de modo tão eficiente.
Mas não pense que estaremos diante da brutalidade do Nile, mesmo que tenhamos esbarrões com o Metal Extremo, ou o tradicionalismo lírico e vocal do Orphaned Land, pois a proposta é mais exploratória, intrincada, e por que não, psicodélica (confira a onírica releitura para “Solitude”, do Black Sabbath), dando um maior protagonismo às texturas orientais.
Mesmo sendo um álbum de música instrumental, a variabilidade dos arranjos e das passagens torna as canções dinâmicas, trazendo uma riqueza de detalhes étnicos como os que vemos no Folk Metal.
Aliás, aos meus ouvidos, não existe outra forma de rotular a banda, afinal, só buscaram a música folk dos árabes e dos indianos para mesclar a sua abordagem progressiva e jazzística (esta, por definição estrutural).
Só prestaria mais atenção a um detalhe para os próximos lançamentos: daria um pouco mais de limpidez à produção, pois este tipo de abordagemm pede mais polidez. Pense o que seria de uma faixa tão acachapante como “Solaris” com um pouco mais de brilho!
E desta exploratória viagem musical emerge um álbum riquíssimo, onde as excentricidades e os exotismos são parte da obra e não simples adornos jogados com o objetivo de soar diferente.
Talvez, por isso tudo, junto a falta dos vocais, tão valorizados num gênero como o Heavy Metal, o resultado final será de difícil digestão aos ouvidos viciados na lascívia rebelde do Heavy Metal, e não acostumados à música instrumental.
Marcelo Lopes Vieira





