
Jaded Heart – “Devil’s Gift” (2018)
Massacre Records
#HardRock, #HeavyMetal, #ClassicRock
Para fãs de: Bonfire, Phantom 5, Hardline
Nota: 8,0
O Jaded Heart foi cuidadoso ao divulgar seu novo trabalho. Pensando naqueles que têm coulrofobia — medo de palhaços —, a arte de “Devil’s Gift” era sempre colocada ao final das matérias ou ocultada através de links. Só que o Metal Na Lata não é o Jaded Heart, então, segura o Krusty do mal aí, galera! Não gostou? Me processa.
Musicalmente, os alemães sempre transitaram livres entre hard rock e heavy metal; não negam a origem e fazem jus a Accept, Bonfire e outros expoentes que ao longo do tempo foram capazes de “americanizar” seu som na medida certa para obter destaque deste lado do Atlântico sem abrir mão dos timbres pesados e da seriedade temática que diferencia as bandas europeias das americanas.
Em “Devil’s Gift”, a fórmula é seguida à risca: refrães que exigem dos pulmões, bom uso de backing e gang vocals, alternância entre canções baseadas em riffs e levadas aceleradas e um clima geral de time que entra em campo já com a mão na taça. Tudo bem que a formação da banda é das mais itinerantes — tive de consultar o oráculo Google para me certificar de que nada havia mudado e foi uma grata surpresa ver que os mesmos cinco que gravaram o bom “Guilty By Design” (2016) permanecem juntos —, mas a consistência e a qualidade, duas constantes em quase 25 anos de banda não negam: qualquer um que suba à bordo automaticamente vira monstrão e contribui para manter a sequência de vitórias.
A única queixa por aqui é de caráter totalmente pessoal e intransferível: “Devil’s Gift”, como todos os álbuns do Jaded Heart, é muito longo — 13 faixas na edição deluxe — e isso, de certa maneira, contribui para a não assimilação integral de seu conteúdo. Dez faixas, máximo de 40 minutos, deveria ser o padrão para bandas de hard e metal. Mais que isso, é bocejo na certa.
Ah, senti falta também daquela canção que sobressaia fora do contexto do álbum, aquele single capaz de impulsionar vendas, despertar o interesse de quem é de fora e que mereça a denominação que nós, do rock, acabamos tendo que dividir com a juventude lacradora de hoje em dia: “hino”.
Marcelo Vieira





