Kerry King – “From Hell I Rise” (2024)
Reigning Phoenix Music (RPM)
#ThrashMetal
Para fãs de: Slayer (ah vá), Exodus, Death Angel
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,0
Desde 30 de novembro de 2019, o mundo estava órfão e abandonado com o fim do Slayer. No entanto, hoje, dia 13 de maio, fomos agraciados pela gravadora Reigning Phoenix Music (que até então eu desconhecia) ao receber “From Hell I Rise”, o álbum de estreia do Sr. Kerry Fuckin’ King. Se você não sabe que ele foi um dos membros fundadores, compositor, guitarrista e ícone do Slayer, pode parar de ler aqui e deixar este site, nunca mais voltando a clicar em nada nosso (risos).
Todos sabiam que, desde aquela fatídica data da última apresentação, Kerry não queria parar. Acredito que Gary Holt e Paul Bostaph também não, mas Tom Araya foi a água no chopp do pessoal. Não vamos citar aqui os shows estranhos e bizonhamente marcados para o Slayer (que 100% dos fãs piraram em saber), em setembro deste ano, e que até hoje continuam mal explicados.
Com o anúncio da banda que faria parte da nova empreitada de Kerry King, que nas palavras do próprio não é um projeto paralelo, só houve elogios. Tendo Mark Osegueda (vocal, Death Angel), Paul Bostaph (bateria, ex-Slayer) e Phil Demmel (guitarra, ex-Vio-lence, ex-Machine Head), além do baixista Kyle Sanders (ex-Hell Yeah), era garantido o sucesso.
As expectativas para o novo trabalho de Kerry King eram altas, porém um pouco céticas, já que muitos torceram o nariz para a sonoridade de “Repentless”, de 2015, primeiro álbum do Slayer no qual Kerry King apareceu como um dos principais compositores após a morte de Jeff Hanneman em 2013. Eu, quem vos escreve, não tenho queixas sobre ele, pois não comprometeu em nada, mas também não é nada excepcional.
Pois bem, “From Hell I Rise” apresenta 13 faixas que, para a surpresa de ZERO pessoas, se tornarão uma continuidade do Slayer, ou como prefiro dizer, um Slayer sem Tom Araya. Sem cometer heresias, é isso mesmo, e quando você escutar, provavelmente vai pensar a mesma coisa, mas talvez desça o sarrafo me chamando de “herege” sem nem ter ouvido nada além dos dois singles lançados até agora, “Idle Hands” e a normalzinha “Residue” (pelo menos até a metade, é!) (risos).
Na primeira audição completa do disco, você vai querer ouvir novamente, e é aí que a coisa pega pra valer, porque você separa a empolgação da razão e se depara com um trabalho honestíssimo, dinâmico e extremamente agressivo dentro dos padrões Slayer de ser, com aquela pegada característica de King que tanto conhecemos por décadas a fio.
Sim, você encontrará “autoplágios” aqui e ali, como por exemplo na estupenda “Toxic”, que incorporou nuances fortes de riffs que vocês conhecem muito bem. Isso é negativo? Nunca! “Toxic” vai entrar na sua playlist facilmente entre as melhores do álbum.
A abertura instrumental “Diablo” já parece uma invocação dos portões do inferno novamente, implacável, sinistra e convidativa ao sacrifício! Até aí você já nota que a produção do álbum está perfeita e que será bombardeado por insanidades por mais de 45 minutos. “Where I Reign” entra como uma “War Ensemble” direto no seu peito, já mostrando que Phil Demmel não será somente um guitarrista comum na banda.
A voz de Mark ao longo do álbum pode muitas vezes remeter à de Tom Araya, mas não foi intencional, isso vai sendo criado na sua cabeça instantaneamente e não se culpe por isso, pois você vai acreditar ouvir certas horas o Tom, quer queira ou não (risos). E isso não é um demérito de Mark, pelo contrário, o cara estava endiabrado e simplesmente ARREGAÇOU! Vai ser muito comentado e lembrado em listas de melhores músicos de 2024 facilmente.
A temática de “From Hell I Rise” sai um pouco da esfera demoníaca anterior, falando sobre guerras, direitos das mulheres, política americana atual, mas o melhor de tudo: o ódio vermelho de sempre está presente em todas as faixas! Então meus caros, estamos salvos! (risos)
Sim, algumas sobras do Slayer foram usadas aqui, mas vou deixar para a criatividade de vocês adivinharem, eu tenho quase absoluta certeza de quais são (risos).
Riffs explosivos dignamente criados para calar a boca daqueles que afirmavam que os melhores riffs do Slayer vinham somente de Jeff Hanneman, pura besteira! Vinham? Sim, mas os de Kerry também!
Segundo o release de “From Hell I Rise”, Kerry criou muitas das músicas durante a pandemia e com Paul Bostaph, algo que nunca aconteceu no Slayer, por exemplo. Então sim, o trabalho de bateria aqui é incrivelmente veloz, agressivo e brutal, lembrando aquela gana de Paul em “Divine Intervention”.
O único problema neste trabalho, na minha honesta opinião, é a ordem das músicas, pois a meio insossa “Residue”, por exemplo, não deveria vir logo no início da audição, já que “Diablo” e “Where I Reign” já começam como aniquilação por tanques de guerra. A partir de sua metade, o bicho realmente pega, então tudo certo, mas acredito que ela deveria vir mais para o final do tracklist. Não, eu não tenho nenhuma birra contra a “Residue”, ok? (risos). Por exemplo, após ela temos a cacetada maravilhosa “Idle Hands”, que é mais Slayer que o próprio Slayer. Deu para entender? Ninguém quer respiro ou cafuné quando se trata de Kerry King.
“Trophies Of The Tyrant” e “Crucifixation” são crossovers raivosos e odiosos de Slayer com Death Angel, sendo que “Trophies…” poderia estar dignamente num “South Of Heaven” (prestem atenção nos riffs!) que sairia bonito na fita, e “Crucifixation” é uma ignorância da primeira linha que vai tirar sangue dos fãs das antigas que amam o “Reign In Blood” na base da porrada.
Na sequência temos a curtinha “Tension”, uma verdadeira hecatombe na carreira de King! Extremamente brutal, demoníaca, insana, agressiva que vai se desenvolvendo como um ódio que vai aumentado a “tensão” com sua respiração, abrindo a porta para a raivosa arrasa-quarteirão “Everything About I Hate You”, que poderia estar numa versão ainda melhorada de “Undisputed Attitude”.
Aí temos “Toxic”, que abrilhanta tudo! Para mim a melhor do álbum! Tudo bem que seus riffs iniciais podem constranger por se parecerem com muitas passagens de “Angel Of Death”, “Postmortem” e afins, mas acredite, você vai se esquecer disso em segundos (risos). Essa música é simplesmente uma devastação criminosa! O trabalho das guitarras, solo, vocais e bateria beiram a perfeição! Fãs de “Hell Awaits”, “Reign In Blood”, “South Of Heaven” e “Seasons In The Abyss” vão amá-la!
“Two Fists” é outra que traz aquela vibe ultra-punk/crossover de “Undisputed Attitude”, não é mega veloz, até meio arrastada, mas traz aquela levada característica caótica de todo o álbum de 1996 de uma forma que te esfola, e muito, amiguinho (risos).
“Rage” é outra mais thrash old school feita para te arrancar o coro, lembrando muito coisas do Exodus de “Bonded By Blood”!! Mark aqui simplesmente dá uma aula de como soar agressivo. Típica faixa para fechar show quando se tornar bem querida por todos, e acredito que vai (risos).
Outro ponto alto do disco chama-se “Shrapnel”! Com seu início meio Black Sabbath engana o que está por vir. Cheio de paradinhas, mudanças de ritmo e rifferama, vai te cativar do começo ao fim, pois aqui é martelada por mais de 5 minutos.
Fechando o álbum temos a faixa-título com uma afinação mais baixa nas guitarras, lembrando bastante “Repentless”, mas com muito mais ímpeto, sangue e desgraça!
O trabalho de todos na banda em “From Hell I Rise” mostrou que sim, eles são realmente uma banda ímpar e que lançaram um disco íntegro, memorável e ESTUPENDO, que esmaga toda e qualquer dúvida de que Kerry King não vai produziria muito ódio para o mundo por muitos e muitos anos novamente! Com ou sem o nome Slayer envolvido (aliás, eu te pergunto: existe a possibilidade de não envolve-lo?).





