Kiss – “Hotter Than Hell” (1974)

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Kiss – “Hotter Than Hell” (1974)
Casablanca Records
#HardRock#RockNRoll

Para fãs de: ScorpionsAlice CooperRolling Stones

Nota: 10

“Hot Hot, Hotter than Hell !!!!!”

Se você já gritou isso com toda a força, com certeza você é fã de Kiss!!!

Hoje, 22 de outubro de 2019, completa-se 45 anos do clássico “Hotter Than hell”. Lançado em 1974 pela Casablanca Records, o segundo álbum deles traz clássicos tocados até hoje como a faixa título, “Parasite”, “Let Me Go Rock N’ Roll” e “Watchin’ You”. Todas as outras faixas fizeram parte do setlist do grupo em algum momento.

A banda viajou para Los Angeles apenas para gravar o disco e a produção ficou à cargo de Kenny Kerner, que já havia trabalhado com eles no primeiro disco e dado esse mesmo som “tosco”. Segundo os próprios músicos, eles não gostaram da cidade logo de cara. Paul Stanley, por exemplo, teve sua guitarra roubada no primeiro dia.

Sobre as faixas do álbum, “Got To Choose” abre já com o Paul mandando um riff bem característico, “Parasite”, clássico absoluto composta por Ace Frehley, vem na sequência com um riff enérgico, um solo sensacional e um refrão marcante que até hoje Ace a toca em todos seus shows solo, sendo um dos grandes pontos altos das apresentações. A ótima balada “Goin’ Blind”, composta e escrita por Gene Simmons e seu amigo Steve Coronel antes de existir o Kiss, nos tempos de Wicked Lester, mostra o lado mais “romântico” do álbum, mas confesso que tanto na versão acústica como na sinfônica, gravadas décadas depois, ficaram muito melhores em minha opinião. Fechando o lado A temos a faixa título e “Let Me Go Rock N’ roll”, ambas Hard Rock puro e direto na veia feitas para ouvirmos os primeiros acordes e refrões já saímos cantando. Um adendo pessoal aqui: “Let Me Go Rock N’ Roll” é a minha música predileta do Kiss de toda a sua discografia!!! Isso já diz muito! O riff inicial, Gene gritando “Rock N’ Roll”, o refrão marcante, o solo fantástico, me fascinam. O único problema nela é ser muito curta com menos de 3 minutos. Já as versões ao vivo chegam a quase o dobro, dando muito mais poder!

Voltando ao álbum, a faixa título mostra claramente como funciona o Kiss. Seguindo a ideia dos Beatles, que quem compõe canta, mas todos participam da música em si. Voz rasgada do Gene, ótima linha de baixo, Peter destruindo tudo e Ace com outro ótimo solo, só para variar.

O lado B contém “All The Way”, “Watchin’ You”, “Mainline”, “Comin’ Home” e “Strange Ways”, parecendo uma configuração de coletânea “The Best Of”, mas não é! As duas primeiras são de Gene e mostram as mesmas características do começo do disco, comprovando toda a competência de seu criador em escrever, “Mainline” é do Paul, mas acredite, quem canta é o baterista Peter Criss! Vai entender! A única dele nesse disco, lembrando que nessa época nem Peter e nem Ace tinham tanto espaço assim. As duas últimas são de Ace e são dois petardos que encerram o álbum em alto nível!!

Mais um detalhe sobre esse track list é que no álbum “Unplugged”, de 1996, temos 3 faixas desse disco: “Comin’ Home”, “Goin’ Blind” e “Got to Choose”, só para mostrar o poder do mesmo!

Se engana quem acha que o álbum estourou logo de cara. Isso só ocorreu após o lançamento de “Alive!” (1975), um ano e meio depois. Para “Hotter Than Hell”, em 1977, eles ganharam o disco de ouro pela venda de 500.000 cópias, um verdadeiro marco para eles na época.

A sessão de fotos para o disco é bem curiosa, pois Ace Frehley sofreu um acidente de carro na véspera das sessões, então só tem metade do rosto maquiado. Ao contrário do primeiro álbum, em que eles contrataram um maquiador profissional que mudou todas as maquiagens, dessa vez, como de costume, eles mesmos pintaram e o resultado ficou bem melhor. O fotógrafo da sessão foi o Norman Seef, que já tinha trabalhado com diversos artistas como Andy Warhol, Rolling Stones e Patti Smith. Posteriormente ele trabalharia com Miles Davis, Frank Zappa, Eagles, Cher, John Travolta, entre diversos outros.

Sobre os caracteres japoneses na capa, foi basicamente um jogo de marketing do empresário Bill Aucoin querendo alcançar o lado oriental. Na parte de baixo da capa está escrito “Chikara”, que significa “Poder”, e este símbolo foi usado frequentemente por Eric Carr em sua bateria anos mais tarde. E, mais acima à direita significa “O Grito do Inferno”, e a que se refere ao Ace está incorreta, mas seria “Fúria do Ace”.

Para finalizar, ”Hotter Than Hell” é um clássico absoluto mesmo com alguns parcos “erros” no disco, como a produção em diversos pontos tosca demais, a duração curta de “Let Me Go Rock N’ Roll” e o marketing para o público japonês. Mas querem saber, mesmo com isso ainda o fazem “o melhor” para mim (risos),

Ricardo Karelisky

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