
Kreator – “Hate Über Alles” (2022)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#ThrashMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Sodom, Destruction, Testament
Nota: 8,0
Após algum tempo de atividades, muitas bandas diminuem o ritmo de lançamentos e tiram o pé do acelerador, mantendo apenas uma pequena chama acesa, para que os fãs não se esqueçam deles. Felizmente o Kreator nunca foi uma banda que precisou sobreviver apenas dessa chama, sempre nos entregando discos fortes, shows ainda mais marcantes e agora, completando 40 anos em 2022, os lendários alemães lançam “Hate Über Alles”, décimo quinto disco de estúdio.
O Kreator já se solidificou como uma das bandas mais importantes do Thrash Metal mundial, nunca com medo de experimentar e mostrar novas facetas, como uma veia mais Heavy Metal nos últimos lançamentos e tons épicos as suas músicas cheias de corais e camadas de vozes. Tendo isso em mente, já sabemos o que esperar de um novo álbum. Passando rapidamente pela introdução western-style “Sergio Corbucci is Dead”, a destruição sonora começa com a faixa-título que não deixa dúvida sobre ser um trabalho feito com excelência. A bateria rápida, os riffs de guitarra e a voz característica de Mille Petrozza entregam uma canção feita para ser tocada e cantada a plenos pulmões em apresentações ao vivo.
“Killer of Jesus” mantém o ritmo elevado com algumas partes mais cadenciadas e apresenta um solo espetacular e cheio de melodia. “Crush the Tyrants” tem uma introdução de bateria e um ritmo bom antes de cair em um groove pesado construído para um tipo mais lento de headbang. O refrão é fácil de entender: “Us against you, for life”. É sem dúvida um pouco mais Power Metal com os solos realmente aproveitando o ritmo mais lento. Falando em Power Metal, a banda usa muitas passagens do gênero nesse novo álbum, seja nos coros épicos e até mesmo no ritmo dos instrumentos, que parecem feitos para uma grande orquestra.
“Strongest of The Strong” é um pouco mais contida, deixando claras as influências do metal dos anos 80 na banda, porém conta com um solo de Sami Yli-Sirniö que realmente se destaca. “Become Immortal” se sai muito melhor com uma batida de bateria direto de “Where Eagles Dare” do Iron Maiden e uma vibe de metal clássico em geral. A letra e o refrão também se destacam, capturando o início e o desenvolvimento da banda para deuses imortais do Thrash Metal. O novo baixista, Frédéric Leclercq (ex-Dragonforce/ Sinsaenum) também faz um pequeno solo de baixo antes dos vocais de coral de ópera aparecerem.
“Midnight Sun” é uma música um tanto quanto diferente do que a banda costuma fazer. Não só pelos vocais femininos de Sofia Portanet, mas pelo seu andamento e até mais clean do que as outras faixas. Uma coisa que pude notar (e isso é uma opinião minha apenas) é que a banda apostou muito nos refrãos com repetição de frases e palavras. Isso pode ser bom para shows ou para fazer a faixa grudar na mente, mas depois de seis faixas isso acaba cansando um pouco. Em alguns momentos parece que a banda fez o mesmo molde para todas as faixas e só foi alterando as letras.
Apresentei nesta resenha as faixas que mais se destacam no álbum, mesmo que as outras não citadas tenham seu momento, mas como dito acima, a repetição de, por exemplo, “The fight goes on, the fight goes on and on”, da faixa “Demonical Future”, enjoa em determinado momento e você acaba se distraindo com outras coisas.
“Hate Über Alles” é um álbum clássico do Kreator pós 2010. A essência Thrash da banda ainda continua forte, mas eles já incrementaram experimentalismo e outros gêneros em suas canções. Isso pode soar negativo para os fãs do antigo som feito pela banda, mas são poucos os momentos que você, ouvinte, irá torcer o nariz para o álbum. Se for um fã mais recente, também terá sua dose de ótimas canções e uma banda forte e ciente de seu lugar entre os grandes nomes do metal. Escute e tire suas conclusões.
Lucas David









